Poema de Feliz Aniversario Fabricio Carpinejar

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O que seus olhos refletem

Como esquecer de alguém
Que mesmo por pouco tempo
Despertou sentimento, por mais que tento
Não consigo esquecer de você

Lembrança remota, mas próxima
Agora mais próxima
Do que só imaginar, considerar
Estou a sonhar em te ver

Sonhar em te encontrar de novo
Quem sabe, acaso da vida
Que cria seus acasos de propósito
De forma fluída, desapercebida
Quase natural

Não importa a circunstância
A latência da ânsia de te ver
Já me faz acreditar que você
Está mais perto de mim a cada dia

Inserida por FabricioHenrique

insensível
Estou perdendo a noção de quão desinteressado
Estou pelos sentimentos alheios.
Isso me traz consequências no trabalho,
Além de doer em mim mesmo.
Minha bipolaridade está se tornando
Cada vez mais evidente.
Não sei até quando manterei
Esse segredo oculto dos outros.
Sinto-me um extraterrestre.
Vontade de sumir, desaparecer,
Evaporar, sem deixar rastro.
Quero parar de machucar as pessoas.
Quero pelo menos saber e conseguir
Fingir que me importo com os outros.
Se ao menos eu conseguisse fingir.
Fingir que me importo.
Fingir que sou bem-educado.
Fingir. Fingir. Fingir.
Já seria alguma coisa. Algum progresso.
Ainda que falso.

Inserida por FabricioCanalis

È....tudo é tempo,tudo tem seu momento, á diferença de tempo não é igual pra cada pessoas mas continua sendo o bom e velho tempo igual para todos.

INSPIRAÇÃO Tom Galeanno

Inserida por FabricioNobrega

MÁSCARAS Y BOASCARAS

algumas caíram na primeira lufada
pelo desuso uma dessas foi guardada
a que caiu nunca tentou ser segurada
lantejoulas y band-aids
reparos pra novas datas

máscara do Máskara e qualquer objeto pude ser
dia que fui átomo/resma/abridor de lata
fui botão namorei zíper
cansei ao experimentar espelho
do hedonismo
ao tédio do desejo

máscara de gás y às tiranias não temi
ladrei / militei
dei às ruas cortisol / rebeldia / nem pleito eu tinha
justiças lacrimogêneas ainda assim
me feriam

máscara de Maragojipe para as tradições que
que adornaram as minhas sábias alegrias
ápices carnavalescos
amores que disfarço em frágeis fantasias

máscara cirúrgica - na Gira / na crença (eis anestesia)
estou quase pronto pra transmutar
um corte na terra
a raíz da história se aduba no mesmo corpo-lugar

máscara de argila a beleza de se cuidar
eperiquitar-me todo
as manchas de juventude
cada trecho é um conto a se contar

máscara balaclava talvez me atice
ao assalto da mão-amada - roubar pra ler?
não me reconhecerão suspeito
roubar o tempo da paciência
inocento-me pra aprender

máscara de oxigênio em todas as circunstâncias
que a teimosia de não praticar
diariamente pranayamas
evitar tabaco / lactose
lembrar que meditar é uma simbiose
do fora pra dentro
a mudança é de dentro pra fora
sem máscara sobrevivo
sou poeta que
sobra

Inserida por fabricio_hundou

aproximAR


ora as frestas das pálpebras
a vassoura não alcance

uma lufada - epahey-vento (de dentro) traz à Virgem enquanto Lua

a crítica
crua, nua, vegana
racionalmente água
filha de pedra

sabe
com uma linha da mão
coser retalhos prum vestido que será trajado em sua casa limpa
pós faxina
onde coração y pés precisam se aproximAR - não tão coletivo
Acuário sem seus delírios

o
fôlego
é um timbre
próximo

Inserida por fabricio_hundou

QUERO SER CADA VEZ MAIS TARTARUGA

Fui mergulhar.

Inaugurando o Solstício veraneio, experimentando as folhas da nova idade, em uma tarde na praia da Gamboa - uma das que tenho afeto/admiração - pedi Agô às águas da Baía de Todos os Santos y me lancei às correntezas. Quando ao sol em queda tocando o líquido infinito, eis que vejo uma tartaruga marinha a se alimentar.

Receptor de todos os símbolos que sou, tomei logo como dádiva. Naquele instante, eu também era tartaruga marinha. Meu casco, ainda que duro, levitava submerso. Meu fôlego de caçador se qualifica a cada mergulho profundo. A solitude da tartaruga me deu coragem para mais. As minhas fomes também me exigem apneia ou a calmaria só me seria distância.

Inserida por fabricio_hundou

VÁ (5X)

porquê não demoras
o en(canto) é veloz
sonhar é o orgasmo

a flecha que dispara cega
acerta a c'alma
à paixão se entrega

o coração sagitarianamente palpita em:

vá vá vá vá vá!

y o cérebro-pedra-bruta silencia
Capricórni'agoniza
castra
acolhe
deseja prioridades
um calor beijado

você
você
Lua

Fabrício Hundou

Inserida por fabricio_hundou

8ITENTA POEMAS PRA LUA

não trouxe os fones de ouvido
só enchi cinco dedos d'água a garrafa
carrego mudas de jibóia no colo
y uma tela de várias polegadas
no fundo do ônibus
transmite a Lua Cheia em Câncer
enquanto minha saudade-praxe
some na escuridão marítima
aparece numa poesia desconexo
contente ao
ermo

Inserida por fabricio_hundou

SER ERRADO

restou
de um rebuliço cálido
um vão / inane / cavo
espaço amorfo y vago
espaço vasto / "ecooso"
espaço sideral de novo
nem certo nem errado
légua portátil (de carregar no bolso)

a margem perdeu função
antes deixasse o chão
a água se engoliu
se era verde : partiu!

praxes do meu Cerrado
há seca y
ipês
desabrochados

Inserida por FabricioHundou

T A I O B A

quero una muda de taioba
debruçar-me em toda folha
pôr-me frágil ao frágil
ainda que a grandeza seja
o que resta no espaçamento
entre as horas do réveillon
y minha lágrima-pedestre quando
vê a foto de meu póstumo pai
na carteira de meu irmão

uma resma de taioba
custa Ícaros - para quem vai saber:
Ícaro não pôde voar tanto
não tinha crença em Akará-Vento
Oyá dizia

também me emociona erês saindo das escolas
sinto a eternização do rosa desbotado dum
prédio que ignorei todo o resto
todo o tamanho que havia

pois só a cor pode explicar
pois só a cor pode explicar
s'esse banzo
rema ou rima

ficamos enquanto puder

Inserida por FabricioHundou

MÓVEL

dança
cambaleia
oscila
gangorra

ferryboat
barco
gira
gira

tudo ao móvel
como deve ser

(2x)

sistema vestibular
propriocepção
memória (um carrossel)
Lavoisier / Lei Divina
linha do tempo
tempo-pai
mãe menininha
transitório-hoje

tudo ao móvel
como deve ser

Inserida por FabricioHundou

GUIDOM

tem
muito de mim nxs velhxs que forçam o pigarro
nxs qu'escondem o bocejo y teimam quando a hérnia de disco comprime
captando o hiato da dor nas costas
tipo um timbre afinado
um álbum inteiro gravado
sob o autodiagnóstico de
"muito túnel pra pouca luz"
hérnia que nem sabe que tudo agora é por internet: pagamento, remédio, comida e amor
transa, transe, trânsito

meu modo maria-passa-na-frente
Exu sinaleiro
Ogum é meu guidom
Oxum apitando lírica

[fiz um pranayama aqui]

pois

tem muita gente ensaiando o traquejo de pôr à chave certa de primeira sem precisar revirar o molho inteiro caçando uma por uma como se a sorte estivesse na adivinhação tentada ou na procrastinação de fazer um macarrão a noite pós larica
morrer de fome/viver de silêncio

y

nenhum GPS guia
a
dispersão
contínua

Inserida por FabricioHundou

NUBLATOTÔ

parecia faltar fôlego
umidade sem ter
aguadouro curadoro
pôs ácido lático a circular

mas

se o sol é relógio
tenho que aprender
a contar chuviscos
seja nublado ou sem riso
em qualquer algia - nem todo dia há azul
Escorpião na Lua nos chama
a ver matizes por detrás das
franjas de
Omolu

Inserida por FabricioHundou

BOCADO

nem tanto me abrasei
às bocas do fogão
tampouco me rebucei
na boca da mata
ou cai em estado líquido
em boca de lobo

virei foi sorte
na boca do sapo
teu nome: sotaque
de boca de boca

na anoxia
no bocejo
no grito y desejo
um bocado de fome
da boca
pra
fora

Inserida por FabricioHundou

VAIVÉM AQUOSO

reprofunda
pedra bailarina
molda-se feito libração
y vaivém aquoso

quer viver a sede sem mágoa
lança cabelos aos cardumes
diz que ama porquê ama pois
pondera a gagueira ao ver
o a(mar) explícito/abundante/imponente

tomar ossos & musculaturas
feito o erotismo do
abraço

Inserida por FabricioHundou

beija-flor noturno
busca na flor da pipoca
desvelocidade
y tantas outras
paixões curadas

Inserida por FabricioHundou

MANGUSTÃO

Moço, o senhor podia vender mangustão. Maneja tão bem todas as frutas que aqui estão expostas; um verdadeiro boticário - sabes olfativamente ofertar tantas delícias. O perfume mixado de manga rosa, goiaba, bergamota, jaca y jenipapo: não há quem não salive ao passar perto. Essa banca é a oportunidade de comer as cores que a vida sempre pariu. Também sou parido de árvore. Facilmente enraízo, me agrada sol, água boricada, 'auto poda', dou fruto, flor e desfolho. Desde que comi mangustão, procuro repetir o gozo. Tenho pedido pouco, agradecido muito. Até amor incondicional conheci. Já encontrei quase tudo o que acusei falta, mas mangustão tem sido a cobiça. O senhor podia vender mangustão! Veja que planejo comprar. Tantas coisas me são dadas para encontrar... meu recém poder de compra até esperança quis pagar.

Inserida por FabricioHundou

não há poesia disperdiçada
nem quando não é vista
nem quando não é declamada
não pertence a amores desatentos
não se eterniza em desdém/relento
não depende de 'sim'
quase sempre evita 'não'
poesia é criação fisiológica
se faz até em
modo avião

Inserida por FabricioHundou

AOS

aos amores amados:
agradecimento pelo aprendizado
aferição dos tamanhos deixados
transformação é a ordem do espaço
y câimbra/azia/lacrimação
fazem parte de qualquer
altura
afetiva

Inserida por FabricioHundou

"CAROSSO"

Não tinha completado sequer três meses desde a minha chegada. Estava muito cedo pra qualquer 'morbo'. Não é que seja sempre de boa uma relação honesta com um esboço de adoecimento, mas já estava tudo tão movediço por aqui...Ter uma amigdalite era sim assombro. Antes fosse essa a dedução. Tireoide - pensei! Outros absurdos também foram cogitados. A região era focal: garganta/laringe/pescoço. Falei de patologia, contudo, a sensação era bolinha de tênis verde-fluorescente; caroço de abacate, nó de corda, ovo que desceu pela goela abaixo e não quebrou. Nenhuma dessas opções eu tinha me apetecido y resolvi comer sem mastigar. Tinha sido posto ali em alguma distração que tive. Bem em minha garganta. Por falta d'água, não era. Nada a descer, aparentemente.

Na transição entre a fase da percepção e queixa, resolvi dar um prazo àquele troço qu'eu sentia. Por sorte - e sorte não pode ser escolhida - me espiritualizei com o tal desconforto. Não doia. Não mexia. Então chamei de desequilíbrio do chákra laríngeo (cor anil). Podia ser isso, afinal, eu tinha passado por uma prática de 21 dias de meditação. Troquei o 'raciocínio clínico' ou aprimorei as associações esdrúxulas. Continuava ali.

Até aqui, não contei sobre os tantos textos e palavras não-ditas nos respectivos três meses. Eu tinha engolido um bocado de palavras. Tive orgulho pra vomitar. Seria desperdício? A meritocracia do hiato me pegou feio.

Finalmente, um dia mandei mensagem. Uma escrita poética, fugaz y entrelinhas. Mas eu estava prestes à cura. Falei e em pouco tempo foi passando. Tantas palavras e sentimentos pra dizer o que é sintomático.

Nunca mais engulo medo. Nunca mais prometo silêncio no futuro.

Guaco!

Inserida por FabricioHundou