Poemas sobre Dor
O Oleiro divino não desperdiça dor. Ele molda de novo, com amor. Ele não apenas reconstrói o vaso — Ele transforma a essência. Aquela ferida que parecia te destruir, Deus usará como lugar de testemunho.
"Como o barro na mão do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó casa de Israel."
Jeremias 18:6
Sou o menor, não tenho valor,
Me vejo perdido entre o caos e a dor.
Mas o Senhor, com Seus olhos de amor,
Me escolheu para ser Seu, e me fez vencedor.
Quando eu fugiria da dor,
Ele ficou.
Quando eu clamaria por socorro,
Ele se calou.
Era o Cordeiro mudo diante dos algozes,
Mas dentro d’Ele, um trovão de amor rugia.
Cada gota de sangue dizia:
“Eu estou aqui, porque você um dia viria.”
Não foram os pregos que O seguraram,
Nem a força dos homens ou da dor.
Foi o amor eterno, imensurável,
Que O manteve ali, meu Salvador.
Pregos não têm esse poder,
Mas o amor tem, e Ele ficou.
Não por fraqueza, mas por promessa,
Por cada alma que Ele resgatou.
II
E se da alma o sopro se adianta...
Se é dor, não sei; se é graça, não declaro:
verte-se o vinho em ânforas de ausência,
sem taça, sem altar, sem penitência,
qual pranto que precede o verbo calado.
Dor Crônica
Estou cansado de lutar por coisas que não vão acontecer, luto contra minhas dores, mas na realidade eu sei que jamais vencerei.
Aqui eu ouço os que assim como eu, já caminharam entre a dor e a fé.
Assim como eu, tiveram a infância roubada, mas que ainda à esperança e que persistem.
E a todos os que, mesmo em silêncio, continuam lutando para existir.
Sou prisioneiro dos meus pensamentos.
Dentro da minha mente, a dor se repete em ciclos infinitos, como se cada lembrança fosse uma cela reforçada, sem grade visível, mas impossível de escapar. Tento lutar contra
a voz interna que insiste em rotular cada segundo como tortura, mas percebo que só reconhecendo e acolhendo esses pensamentos posso começar a libertar-me.
Carrego uma dor antiga, dessas que não gritam,
apenas sussurram e mesmo o sussurro pesa.
Não desprezo o mundo... Eu apenas temo desmoronar na frente dele.
Quando o mundo me afunda,
a música clássica me resgata, faz do caos, compasso, da dor, silêncio. Em cada nota,
reencontro o passo que quase perdi.
Sempre fui melancólico, como Chopin. Ele chorava em teclas, eu, em palavras. Sua dor virou partitura, a minha, tinta nos ossos.
Nesse espelho triste, reconheço a linhagem dos que sentem demais
e transformam a dor em arte.
Dor no peito
(visão da morte e seus prenúncios)
Dor literal, não literária!
É no coração mesmo, no real.
Começou do nada,
quase sem sentir...
Foi aumentando devagarinho,
mas sem parar um segundo.
Tomou a parte superior do peito.
Adentrou as costas.
Respiração parecia até normal...
Um incômodo.
Uma tristeza.
Um ai...
Como se fosse partir
sem ter, ainda, onde chegar.
2021
Grande dor a uma criança morta
(em homenagem à prima Kátia)
I
Chegaste e eu fiquei triste.
Chorei... Não podia crer
Que isso fosse a pura verdade.
És muito mau meu amigo.
Por que dar uma notícia assim?
II
Fiquei chocada, gritei...
Mas tudo inútil,
Pois só tu me ouvias!
III
Tristeza, sempre estás
Aqui junto a mim.
Nem sei se aguento...
Mas a ilusão de tudo se acalmar,
E a nossa felicidade voltar,
Ainda existe em meu coração.
IV
Sorrir, sorriso puro?
Era o daquela linda criança
Que conheci há algum tempo...
Seus olhos azuis, quase negros,
Fitavam os meus vivamente
Enquanto eu, pobre pirralha,
Escondia, para não veres,
Uma enorme, grande
Tristeza e dor...
V
Teus cabelos perfumados
Todos os dias eu afagava.
Tu sorrias, pura criança...
Andavas, corrias e choravas...
Mas eu não me importava!
Tu me querias e eu a ti.
Amada, minha querida!
Eras tão boa de alma.
Singela, tão sonhadora e triste!
Será que tu herdastes algo meu?
Não, não quero...
VI
Mas hoje, criança,
Dormes um sono,
Um pesado sonho angelical.
Aquele que permite a nós, homens,
O descanso eterno pela morte...
Não corres, nem choras e nem sorris mais...
Teus cabelos estão ainda perfumados...
Teus olhos, nem posso lembrar-lhes a cor!
Mas lembro que eram puros,
Tão puros quanto a flor!
(junho/ 1967)
A Sobrevivente e Espessa Lágrima.
A dor é uma ilusão de carne.
É uma abstinência à insensibilidade,
como um consumo que circula na alma.
O álgido olhar que consome a vida
alimenta-se da estrábica melancolia,
descerra o escudo da existência.
Golpes suspensos nas pupilas,
marcham exaustos e condenados
num acrómico álbum de sal.
Revolta-se um pedaço de esperança,
cospe o grito pungente na valsa do chão
e ergue-se a sobrevivente e espessa lágrima.
Têm pedra no lugar do coração.
A dor e o sofrimento do povo são motivos de júbilo.
Eles não se lambuzavam no pote de mel;
Pelo contrário, eles chafurdam-se no dito pote.
A importância dessa dor é a lição
Ela machuca mas ensina a viver
Mas lembrarei de tudo aquilo que foi bom
Daqueles que me ajudaram a crescer
Olho pro céu e peço me ajuda pai
Me guia pra fazer a minha mãe sorrir
Já que na terra o senhor não está mais
Me manda forças pra continuar aqui
Se se sente só
Comigo não mais
Se ta na pior
Quero ser sua paz
E te trazer dor
Eu digo jamais
Eu sou o amor
Que não se desfaz
Seja minha flor
Serei o seu vício
Arranco a dor
Na paz acredito
Seja onde for
Um lugar bonito
Prometo te dar
Ser mais que um alívio
Dor...
Da um descanso ao meu pobre coração
Vou tentar mudar um pouco a minha direção
Voou pra longe aquilo que me fazia sorrir
Como a pipa lá no céu, pai eu vi você partir
