Poema da Fome
O que ficou no prato é desperdício para uns, mas pode ser manjar para quem tem fome, até a sobra sacia alimenta quem não tem nem migalha.
Me alimentou na fome, curou minhas cicatrizes na dor, secou minhas lágrimas no pranto, aqueceu meu corpo no inverno, guiou-me pelo caminho deserto, amou-me na tristeza e, na solidão, acolheu-me e apresentou-me à felicidade. Obrigado, Deus, por me amar.
Quando eu estava perdido, sem lar, assolado pela fome e pelo frio, sentia-me invisível aos olhos de uma sociedade movida pelo orgulho, ambição e inveja — um covil de podridão. Mas então decidi: chegou a hora de me levantar, erguer a cabeça e ir além do fracasso que destruiu meu orgulho de homem simples. A retomada é árdua, mas, passo a passo, dias melhores hão de vir...
“Meu corpo reconhece o teu antes do toque, treme de fome, se oferece inteiro, implorando para ser tomado no ritmo lento da tua vontade.”
Enquanto houver uma criança com frio, fome e medo; não há possibilidade de acreditar que existe ética!
Religião é igual um cardápio. Cada um escolhe o seu prato, conforme a fome e o desejo. Ninguém discute os gostos. E, nem deixa de se falar um com outro por causa do menu escolhido.
No mundo de desigualdades culturais existem anualmente milhões de almas, morrendo de fome e os mais pobres da terra são aqueles que fumam, bebem e roubam, desperdiçando dinheiro com desgraças sociais.
Tenho sede do conhecimento e tenho fome da sabedoria
Com paciência eu chego onde quero superando a minha vida;
A fome é realidade neste mundão, porque a humanidade compartilha quase tudo, mas não partilha o pão.
Fingir ser uma pessoa boa é como oferecer água a quem tem fome, é uma ação que não atinge quem recebe.
E isso não é sobre fome!
“Procuro alguém que me olhe como eu olho para o cardápio de uma boa pizzaria: com fome e sem pressa.”
A fome não espera. Se você puder ajudar, se não for te fazer falta, ajude. Ajudar o próximo é emprestar a Deus, pois já dizia o ditado popular. E se é dito popular, é o povo quem diz. Se é o povo quem diz, é a voz é do povo. E se é a voz do povo, é a voz de Deus, assim diz o povo.
O amor acalma, acalma de verdade, e põe fim àquela fome sem fim do corpo que sonhamos ter.
O amor é a última resposta, vai além do que vemos e até da morte. Ele é a maneira como aceitamos e celebramos o corpo de verdade, o corpo que temos aqui e agora. Talvez seja a única resposta que temos de fato.
A fome tem cheiro de vergonha. Ela não ronca na barriga, ela cospe na tua cara. É a matemática do desespero. É pesar um pacote de fralda de um lado e um pedaço de carne do outro, e perceber que o suor de trinta dias escorrendo na tua testa não te compra o direito de ser um ser humano. É devolver o leite pra prateleira, engolindo seco, torcendo pra ninguém ter visto a tua humilhação.
Quando você se alimenta com consciência, não está apenas matando a fome, está nutrindo suas células, suas emoções, sua imunidade e o seu futuro.
Pare um instante e sente isso comigo: o peso da miséria que esmaga sonhos, a fome que rouba infâncias, as desigualdades que nos separam como abismos, e guerras entre nações que nascem de brigas pequenas e viram herança de ódio eterno. Meu coração grita sim: precisamos lutar contra isso tudo. Não com palavras vazias, mas com a força de quem sente na pele que o sofrimento do outro é o nosso também. Calar é conivência; agir é humanidade pura. Pensa na miséria e na fome primeiro, que doem fundo. Famílias contando migalhas pro jantar, crianças com olhos vazios de esperança — isso parte a alma. Lutar significa dividir o pão, criar empregos dignos, educação pra todos. Desigualdades acabam quando estendemos a mão, construindo pontes de solidariedade. E as guerras? Que dor... Começam com disputas tolas — terra, poder — e se eternizam, pai passando trauma pro filho. Oriente Médio, Ucrânia: rios de lágrimas, mães sem filhos. Mas dá pra parar: com diálogo sincero, trocando ódio por paz. Histórias mostram que negociações salvam mundos, rompem ciclos viciosos. Precisamos disso agora, pra herdar abraços, não cicatrizes.
Evangelizar não é só despejar versículos no próximo, mas fundamentalmente matar a fome, suprir as necessidades físicas e acolher os oprimidos.
