Poema com o None de Andreia
Não sei se conseguirei encontrar um jeito de ser uma pessoa diferente. Não sei até que ponto posso formar em mim outro ser que não seja o mesmo que sempre existiu, desorganizado e caótico, há tanto tempo. É tão difícil tentar ser algo que nunca se foi, ou será que é covardia minha não querer mudar, com medo de perder tudo o que já vivi? Será que essa minha relutância em mudar se deve ao fato de que quero me apegar ao que já experienciei? Talvez seja exatamente isso que me rouba a paz. Tenho medo de ser outra pessoa e, com isso, perder o que ainda me mantém vivo: o amor, ou melhor, a lembrança do amor que sinto por ele.
Ninguém tira a própria vida porque quer morrer, mas sim porque deseja desesperadamente encontrar uma forma diferente de viver.
Porque, no fundo, sei o quão detestável sou. Não suporto um só momento em minha própria companhia; tão logo, sinto-me sufocar a mim mesmo quando estou só.
(...) E, no entanto, ali estava ela, já a somar as suas saudades, carregando-as nos ombros e no coração como se fossem partes inevitáveis de si.
Esquecer tudo para dormir – desejava isso todas as noites. Mas não dormia; culpa das lembranças e do temor de nunca as esquecer.
Sonhei escrevendo uma poesia, acordei e esqueci tudo, apenas sobrou alguns poemas de horror onde vou reescrevendo a poesia esquecida quando olho para as pessoas que não merecem o nosso amor...
O que faz um escritor ou artista eternizar sua arte num determinado formato pré-estabelecido? O que o faz pensar que uma arte vai se tornar poema, ou vai se tornar uma crônica, ou uma música, ou uma simples frase? O que caracteriza que em um momento algo se torne um poema, e não uma crônica por exemplo?
Tudo bem ser poeta, claro. Mas o problema mesmo é ver que tem pessoas que não sabem perceber que no poema o escritor diz de dores que jamais diria, não fosse camuflada de poesia...
me amarro na sensação do coração descompassado que me alvoroça o peito por botar fé que a faísca da valentia de viver me queima até a última ponta.
Amor é o mais puro e intenso sentimento, porém inexplicável. Você cresce aprendendo a amar, mas nunca para de aprender, o resto de toda sua vida você aprende coisas novas e mesmo depois da morte você não aprendeu tudo sobre o amor. O amor é um presente sincero, que você deve abri-lo com calma e ser grata pelo o que tem, pois muita gente não sabe o zelar...
O ser humano é tão desconexo do ciclo da vida que não se contenta apenas em desprezá-lo completamente, tem que destruir também.
Queria querer estar com você, mas me impede a certeza pois tão grande é a dureza de ter que sofrer.
Em atenção constante, nas sombras do falar alheio, ao partir, torna-se o protagonista, das falácias do tolo sem freios.
Eu já a encontrei, porém a deixei ir. O que nem chegou a ser foi tão verdadeiro quanto o amor de Cristo por mim. Hoje em vão sigo a buscar, em outrem, aquelas características que Salomão descrevera.
É como se ela pairasse pelas ondas sonoras da canção, arte e melancolia pura, que bela visão. Sua suavidade e doçura são tantas como um tinto francês. Se ela fosse um vinho, romanée-conti sucumbiria de vez.
A vida é um rio que se deságua no pó, as dores fluem para um destino só. A quietude da alma está na compreensão de que, mesmo após uma tempestade um arco-íris os céus põem te a ver.
A poesia nunca será uma língua morta, enquanto houver vida nos que a proferem e alma nos que a acolhem.
No bailar do tempo, ser alado e grácil, Seus instantes breves se desvanecem no ar, E ao olhar para trás, percebo tão sutil, Que tudo são memórias, doces a recordar.
