Poema com o None de Andreia

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Há males na vida humana que são preservados de outros maiores, e muitas vezes ocasionam bens incalculáveis.

Em matérias e opiniões políticas os crimes de um tempo são algumas vezes virtudes em outro.

O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.

Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer.

Os empregos que por intrigas e facções se alcançam, por facções e intrigas se perdem.

Se não estás disposto a matar aquele a quem pretendes odiar, não digas que o odeias; estás a prostituir tal palavra.

Uma boa recordação talvez seja cá na Terra mais autêntica do que a felicidade.

É tão fácil o prometer, e tão difícil o cumprir, que há bem poucas pessoas que cumpram as suas promessas.

Frequentemente tive a ocasião de observar que quando a beneficência não prejudica o benfeitor, mata o beneficiado.

Parece, na verdade, que nós nos servimos das nossas orações como de um jargão e como aqueles que empregam as palavras santas e divinas em feitiçarias e em efeitos de magia.

Os homens são sempre mais verbosos e fecundos em queixar-se das injúrias do que em agradecer os benefícios.

Os filhos seriam, talvez, mais caros a seus pais e, reciprocamente, os pais aos filhos, sem o título de herdeiros.

O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.

A imperfeição é a causa necessária da variedade nos indivíduos da mesma espécie. O perfeito é sempre idêntico e não admite diferenças por excesso ou por defeito.

A verdade é tão simples que não deleita: são os erros e ficções que pela sua variedade nos encantam.

Para não corar diante da sua vítima, o homem, que começou por feri-la, mata-a.

Há tantos vícios com origem naquilo que não estimamos o suficiente em nós, como no que estimamos mais.

O apetite do privilégio e o gosto da igualdade, eis as paixões dominantes e contraditórias dos franceses em todas as épocas.

Os conselhos dos moços derivam das suas ilusões, os dos velhos, dos seus desenganos.