Poema a Morte das Casas de Ouro Preto
IMAGEM
As velhas imagens guardadas no escuro sótão, respiram o pó de memórias que nunca morrem. O rosto fixado na percepção já amarelado, revelam histórias escondidas em olhares e pixels desbotados no tempo...
Caminhos e pensamentos estreitos do passado são palavras em ecos longínquos. Corre-se despreocupado nos campos, em tardes douradas que o tempo esqueceu engavetado. A brisa ressoa saudade..
As representações é um portal de lembranças, um reflexo de instantes cristalizados. Os anseios nos rostos familiares, contam sagas de amores que se foram e desafios presentes, hoje, são apenas folclore...
Na velha casa de palha, a mesa é sempre posta para o jantar, onde o aroma de pratos esquecidos ainda pairam. As risadas ao redor, agora sussurros, são a prova de que o passado está presente em formatos absortos...
E assim, diante dos apocalipses que se guardam, rever-se o obsoleto que nunca se apaga. As lembranças, como estrelas no céu noturno, iluminam o presente com sua imitação quase eterna...
Em cada rabisco, uma vida se desenha, traçadas por sonhos, lágrimas e gracejos. O tempo, senhor de todas as coisas, é vencido pela eternidade do instante capturado...
As imagens nunca morrem, subversivas trocando sonhos. E o encontro é sempre afável, numa trilha que não finda. E assim caminha-se, perpetuando imagens criadas...
--- Risomar Sirley da Silva ---
'SOBRE A VIDA...'
Pode nos falar um pouco sobre 'solidão'?
- Creio que a maioria das pessoas sentem ou já sentiram. Sentir solidão é saudável. Às vezes não! Depende de quem a estar sentido no momento. Gosto da solidão, de me sentir solitário. De estar perdido no meu mundo sem ninguém para interferir nesse transe. Sentar na minha escada sozinho e ficar observando os degraus que fazem parte das minhas ilhas, meus ventos, cheiros. De voltar no ontem e abraçar o singelo vislumbrando o futuro. Ler alguns livros e não compartilhá-los por que ninguém os entenderiam. Solidão me trás introspecção, deixa-me suave com meus abandonos...
- O lado negativo de sentir solidão é que as pessoas próximas te interpretam mal. Te veem diferente. Às vezes queremos ficar sozinhos enxergando nossos delírios, viajando por lugares semelhantes, outros desconhecidos. Conotar as mesmas paisagens, ou lugares que nunca fomos. A solidão é esse pilar que, de alguma forma, tenta nos afastar da realidade, embora sabendo que nos próximos minutos, estaremos com os pés novamente em cicatrizes, consumidos pela exaustão de mais um dia, um novo dilema...
--- Risomar Sírley da Silva ---
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Enquanto os homens
semeiam guerras
sob o céu austral,
Os ipês florescem
esperanças em agosto,
Não há quem viva
sem cor e sem sonho,
A paz com as mãos
com convicção tomo,
e dela me coroo e trono.
De corpo e alma
aquilo que resiste
inegável tem tudo
de Mata Atlântica,
Sobrevivendo
forte e romântica.
O cesto repleto
de Coco-Indaiá,
a inspiração aqui
comigo está,
Para fortalecer
e nada abater.
As folhas cobrem
os ideais que
conferem proteção
aquilo que importa
realmente ao coração.
Estar sob o florescer
da Aroeira-vermelha,
aprender a caminhar
sem deixar-se convencer
que o amor romântico
não nos vale a pena.
O amor romântico
não rima com dor,
e sim é a régua real
que não tem nada a ver
com a opinião alheia,
e segue a nos socorrer
daquilo que nos pesa.
Viver sem idealizar
o quê se quer é
privar-se do direito
do sagrado de sonhar,
e subjugar-se a viver
de qualquer maneira
se deixando dragar
pela pior decadência.
Foi preciso adentrar o túnel negro pelo qual acessava-se o poço
para eu cair na real e compreender que o poço não tem fundo - é apenas
o vazio abismal e sombrio em sua negritude tenebrosa e mortal. Foi então
que eu me voltei para meus dons naturais - dádivas de Deus -, e percebi
que neles residia meu resgate e minha salvação. Neles estavam a luz da
vida, e não podiam mais ser ignorados. Ou eu recorria a eles em busca
de abrigo e socorro naquele momento crucial, ou indubitável, inequívoca
e iminentemente sucumbiria ao caos absoluto numa sarjeta qualquer da vida.
Era enfim o tudo ou o nada. A sorte estava lançada para mim. Não tinha mais
como ignorar a covardia e o medo mórbidos que sempre haviam comandado
meus passos numa negativa constante e cega, resumidos num prazer doentio
e compassivo com a indolência que conduz à pobreza, ao desprezo dos
homens e à condenação dos deuses.
Versos(in)versos
Rascunhos de mácula
e intenção danosa
e má fé anunciada
na fala encabulada
de um magano na prisão,
duro na queda
feito caquizeiro arqueado na terra
de tanto peso nas costas
e joelhos prostrados ao chão.
Justeza de reza
juridicamente anunciada
em coro de mil vozes
e silêncio cordado
de mil ouvidos,
versos inversos
de mil poemas
e universos inteiros
em plena expansão.
Vértice ou vórtice
no vurmo das úlceras
no peso das plumas
no olho do furacão,
versos inversos
e universos inteiros
partidos ao meio
durante o processo
de inquieta acomodação.
Atriz - Jhoon Alexo
Olhos que gritam
Na boca, silêncio
Seu corpo
Refúgio
O absoluto sentimento
Do não sentir
Do não querer
Do querer
Ter
De seus beijos
Escapar não tento
Não tê-los
Em minh'alma tormento
Atriz
Em meus braços
Diretriz
Nos fins de tarde, flor-de-lis
Saudades
Minha pele em contato com a sua
Será que me queres bem?
Ou apenas nessa cena atua?
Poeta
Um poeta não é aquele que faz poesia com rimas, poeta é aquele que se sente poeta, mesmo que para os outros não seja um, mas sim para ele.
Poeta é aquele que diz o que sente algo que sai do coração. Você se sente um poeta? Então seja um poeta.
Poeta sonha, sente, sofre, vive e mesmo assim, acima de tudo é um poeta.
Ele vive de alegrias, tristeza e experiências, mas do que mais vive é da desilusão, desilusão do amor e da vida, coloca tudo que sente pra fora, ele mente, ele fala a verdade. Mente pra outrem e para si mesmo também. Ele fala que mente, mas mente que fala, fala a mentira e mente na fala. Poeta é um ser confuso.
Ele passa ser o que não é, quando na verdade passa ser outro alguém que mesmo assim o outrem é ele mesmo, mente para si, mas ao mesmo tempo fala a verdade e sabendo do que fala, mente pra quem está lendo, mais escreve a verdade.
O poeta observa, sofre, chora, sorrir e expressa o que sente, escreve o que pensa, desabafa nas letras sem se importar o que os outros irão pensar, não diz o que sente pra ninguém, só escreve e mesmo assim espalha pra todos o que sente.
Poeta é um ser complicado, Por que na verdade me passo por um poeta, coisa que não sou mais finjo ser, e o que digo não ser, é que na realidade sou um poeta dizendo o que sinto ser e que penso no que não sai do meu pensar e sim do pensar do outro, pensar de um poeta.
um homem veio a minha porta
fazendo samba com palavra torta.
Cantei, chorei, brinquei
invetei versos
quem se importa?!
O poeta, que se conforta!
Deixem-a em paz
Ela tem uma beleza doce,
Mas também possui uma personalidade ácida,
Tão ácida,que é mal interpretada,
As pessoas não a entendem,sempre a julgam,
A chamam de Ignorante,sem educação,
O que eles não sabem é que ela apenas se defende contra eles,
Ela na verdade é doce,assim como sua beleza.
De tuas roupas roubo teus seios...
Acariciando-os com intensos beijos...
Deixando-me completamente louco...
Enquanto abres para mim...
a Flor dos meus Desejos...
“Por que a mim não escreves? {2}
-
Por que a mim não escreves?
Por que, por que não escreves?
Nesta essência não te inseres?
Sentes que sou-me o nada?
E tal nada não alimenta o que queres?
Queres a vida de forma vasta?
Por que a mim não escreves?
Por quê? Por quê? Por quê?
Tens inspiração em falta?
Que falta somente a mim,
Que dás aos outros, completa,
Como se fossem dignos de ti.
Por que a mim não escreves?
Por que, tais letras, sufocas?
Uma carta como outrora
Sílaba esmagada pelo tempo
Que descreve uma maldita história
Que frágil como uma brisa do vento;
Eu não quero que me escrevas
Como quero… Como quero…
Algo que transforme esta treva
Em teu conto dramático eterno;
Eu não quero que me escrevas
Só quero… Somente quero…
Ser a protagonista que inventas
A sofrer em cada trecho mero.”
“Por que a mim não escreves? {1}
-
Por que a mim não escreves
Se te escreves ao respirares?
Se te respiras então escreves
A cada segundo em que vives
E se não vives tão vorazmente
Escreves à solidão e à tristura
No silêncio que lhe persegue
Em meio ao sono que amargura
Escreves quando pensas
Em alimentares teus vícios
E se escreves para todos eles
Para que o existir seja longínquo
Por que a mim não escreves?
Se não lhe sou tão precipício
Se não lhe causo um sentir abismo
Não me escreves por sentires
Sobre mim o mais puro vazio
Sobre esta lacuna, inda assim
Tu poderias escrever-me
Ou contando-me os teus motivos
Do por quê a mim não escreves.”
“Rasga esta estranheza
Traz-me uma razão
Conceda-me beleza
Sabor de emoção;
Prometa-me que fiques
Escreva-me que amas
Entrelaces no que incide
Uma paixão em chamas;
Toque este céu brando
Da minha boca rubra
Nectáreo esvai de manso
De dentro de mim à lua.”
“Embriagada e sozinha
Como nos velhos tempos
Sinto-me entorpecida
Em busca de um beijo;
Quero estar em chamas
Experienciar a intensidade
Sentir sobre a cama
Do prazer às extremidades;
Me apetece ocupar a boca
Mesclar sabores antagônicos
Me apetece despir a roupa
D’um corpo ou amor platônico;
Todavia o outrora se repete
E como outrora o desejo excessivo
Apenas, infeliz, se converte
Em poemas sobre vinho tinto.”
A descoberta da luz
O que é uma luz no meio de tanta escuridão?
Uma luz, claro.
Mas quem é você, a luz pergunta para si mesma?
E ela, convicta, responde: sou aquela que ilumina o que não está claro e embeleza aquilo que está encoberto. Sou aquela que abre caminho. Sou aquela que dá visão. Sou uma luz.
É, uma luz.
...Em um encontro discreto
Do afeto e o amor
Alguns chegam sem jeito
Ela chegou com doçura
Quebrou minha armadura
E se alojou em meu peito.
Nas histórias de amor
Não existe só o amor
Nunca dissemos "eu te amo"
No entanto nos amamos...
Ela deu luz aos meus dias
Enchendo-me de esperanças e amor.
INFÂNCIA AMIGA
Quando recordo os tempos,
Do cheiro da terra molhada
Lembro dos meus amigos queridos
Que partiram nessa longa caminhada.
Brincadeiras de crianças,
Corre corre no chão,
Sem asfaltos ou mesmo prédios
Era assim o cenário da emoção.
Desfrutamos de pura amizade,
Na infância assim marcou
O que outrora passamos juntos,
E nessa vida foi o que restou.
O futuro veio à galope
Deixando tudo para trás,
Mas o que jamais passará
É a doce e terna lembrança,
Dos risos, das falas de crianças,
Onde almas marcaram,
Resistindo ao próprio tempo
Apagada jamais será.
Minha despedida
Eu pensei em desistir
E me deixar consumir
Pela saudade que veio
Por todo esse devaneio
Então me recordei
De que um dia te amei
Que já fomos apaixonados
Jovens loucos, desesperados!
Assim me deixei levar
Pela utopia de te encontrar
Porém tudo acabou
Pois você me abandonou
Aquele amor que existiu
Simplesmente sucumbiu
Assim te digo meu adeus
Com esses versos meus!
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