Pessoas
A intolerância chegará a tal ponto que as pessoas inteligentes serão impedidas de fazer qualquer reflexão para não ofender os imbecis.
Vejo no rosto das pessoas o desejo de julgar-me sem conhecer minhas lutas, qualquer pergunta sensata sobre meu estado gera desconforto, pois confronta uma realidade que preferem ignorar. Nesse cenário, minha busca por entendimento e diálogo se tornam silenciadas, o medo de “ofender” alimenta intolerância ainda maior.
Pessoas mal resolvidas andam destruindo outros seres humanos, vejo o reflexo dessa destruição em cada comentário disfarçado de “conselho” que recebo, como se eu precisasse de “dica de vida.” Reconhecer a dor alheia como um projeto de poder me faz repelir qualquer ajuda guiada por interesse, mas também me isola, pois me torna cético até diante de intenções genuínas.
As pessoas são cruéis, elas têm medo de tudo que é diferente, porque a gente revela como elas são absurdamente iguais e entediantes, meu corpo marcado pelas sequelas e meu discurso melancólico mostram a quem me observa que a vida é dura, e isso assusta quem prefere ignorar qualquer desconforto.
Ao me ver diferenciado, projetam insegurança, ofendem-me até que eu me cale, e só depois percebem o quanto a uniformidade que tanto prezam aprisiona todos numa ilusão de normalidade.
Algumas pessoas se vão e, quando voltam, não cabem mais; não é rancor, é tempo. Tempo que moldou novos contornos em suas almas, que escavou distâncias silenciosas entre nós, e fez do reencontro um espelho onde já não nos reconhecemos. Porque certas ausências não se medem em dias, mas em metamorfoses.
Aprendi da forma mais dura: deixar o coração de lado e usar o cérebro como escudo. As pessoas são guerras silenciosas, pensam em si antes de estender a mão. Minha compaixão virou alvo, minha fragilidade, exploração. Hoje, sou um general cauteloso, planejando cada passo
em terreno hostil, pois a confiança cega só trouxe dor.
Por amor...
Pensando bem, não existe amor que supera tudo.
O que há são pessoas que se sujeitam a tudo por ausência de amor.
Amor próprio.
Eu não tenho facilidade para sair da vida das pessoas. Eu tenho é dificuldade de continuar quando ali, logo atrás das atitudes, está, ainda que fechada, a porta de saída.
Tem pessoas pelas quais a vida, ou tem um amor doentio, do tipo se você sorrir eu choro, e se você chorar eu sorrio, ou escolhe a pior maneira para provar que essas pessoas são, sim, fortes.
Seja o que for, vida, essa fixação já está passando dos limites.
Gente que ama, admira e prefere pessoas que não mentem, mas tem um quê de respeito pela competência daquelas que o fazem direito, sem amadorismo.
Pessoas que se sentem mais à vontade exprimindo condolências, à desejar verdadeiras felicidades, para mim, não são confiáveis!
Por que eu assumo meus sentimentos, mas não as pessoas?
Porque meus sentimentos não são descartáveis!
Se eu já tentei te encontrar em outras pessoas?
Algumas vezes.
Muitas vezes.
E o que aconteceu?
Até hoje eu estou ME procurando.
Desistir das pessoas é um esporte no qual, na maioria das vezes, mesmo quem conseguiu o pódio, perde.
Gente que admira pessoas que conseguem aprender com experiências alheias, mas é o oposto: só aprende se quebrar o nariz.
O próprio.
Alguém disse que não seria fácil,
e eu acreditei.
Outras pessoas disseram ser impossível, eu as ignorei.
