Pessoa Hipócrita
Deus honra mais a humildade crua da sua dor do que a engenharia hipócrita da sua felicidade encenada.
Pouco deu certo desde que resolveram me
colocar neste tempo. Não sou hipócrita, conquistei e realizei, mas a sensação de pertencimento é nula. Tudo me parece incompleto, como se eu estivesse vivendo uma vida que, fundamentalmente, não
me pertence.
‘Muitos virão em meu nome.’
Cuidado com hipócritas e falsos profetas. Os fariseus eram doutores da lei, mas não tinham entendimento. Muitos falam em nome de Deus, mas poucos examinam a própria vida. Somente o verdadeiro conhecimento da Palavra liberta; quem vive na ignorância espiritual acaba acreditando em qualquer coisa.
O niilista que cultua o nada é o maior dos hipócritas: ele cospe na vida enquanto usa o oxigênio dela para reclamar.
Deixe de ser hipócrita e aprenda a lidar com os erros e as fraquezas dos outros, ou você já se esqueceu de que também é falho e fraco?
Alma hipócrita...
Odeio o silêncio que fica quando você vai,
Mas não se engane: não é saudade, é só o ego que cai.
Eu nem gosto de você, nunca houve esse querer,
Eu só nutro um ódio profundo pela sensação de perder.
Adoro o brilho do que é proibido, do que está distante,
O inacessível é meu combustível, meu vício constante.
Repito histórias, ensaio tragédias em grandes encenações,
Um ator medíocre preso em velhas e vãs repetições.
Sou a hipocrisia em carne, osso e falsa memória,
Apago os cortes, as traições, mudo o fim da história.
Esqueço o aço nas costas, o abraço que foi punhal,
E finjo que o veneno que bebi era algo natural.
Mas ei, veja como sou nobre ao assumir meu papel:
Talvez a culpa fosse minha, talvez eu tenha sido cruel.
"Ela sofria", eu digo, criando um álibi qualquer,
Justificando o golpe de quem nunca soube me querer.
Vou seguindo assim, nesse teatro de sombras e farsa,
Acreditando na mentira que o meu próprio peito traça.
É o meu escudo, meu modo covarde de não ver ninguém partir,
Pois se eu me convencer do engano, não preciso mais sentir.
Que a morte me encontre no meio desse labirinto vil,
Antes que eu me apegue a outra alma, antes de outro abril.
Pois é mais fácil esperar o fim, no frio dessa agonia,
Do que admitir que sou o mestre da minha própria hipocrisia.
Hipócrita
Isso foi tudo que restou,
um caco de vidro enterrado no peito,
memória ferida que sangra silêncio,
eco de promessas que morreram no escuro.
Teu amor, hipócrita,
era fogo disfarçado de abraço,
ceniza quente que queimava e sorria,
um veneno doce que se escondia nos lábios.
E eu, naufrago de tua ausência,
vago entre sombras de nós que não existem,
cada suspiro um grito afogado
no abismo de um desejo que nunca volta.
A polarização conseguiu expor o que há de pior no Comportamento Desumano: a Hipócrita Ferida Aberta.
Nela, o Sujo nem se constrange em falar do Mal Lavado, e ambos alisam suas próprias mazelas.
Quando as convicções deixam de ser pontes e passam a ser trincheiras, o debate se transforma em Espetáculo Moral.
Cada lado passa a enxergar no outro não um Adversário de Ideias, mas um Inimigo de Existência.
E, nesse cenário, a coerência deixa de ser virtude — torna-se obstáculo.
A hipocrisia prospera justamente aí: no terreno onde a crítica é seletiva e a indignação quase sempre tem dono.
O erro do outro é prova definitiva de sua perversidade; o próprio erro, quando aparece, vira detalhe, contexto, exceção ou silêncio.
Assim, as consciências vão sendo anestesiadas pelo conforto de pertencer a um lado.
O curioso é que, quanto mais se denuncia a sujeira alheia, mais se normaliza a própria lama.
A acusação vira perfume moral: quem acusa se sente automaticamente absolvido.
E, pouco a pouco, já não importa mais a verdade do que se diz, mas apenas a utilidade do que se aponta.
Talvez seja por isso que a polarização produza tantos juízes e tão poucos examinadores de si mesmos.
É mais fácil carregar a lanterna para iluminar o rosto do outro do que suportar a claridade sobre o próprio.
No fim, o que se vê não é uma disputa entre virtudes, mas um espelho quebrado onde cada lado enxerga apenas os estilhaços que lhe convêm.
E enquanto todos se ocupam em provar quem está mais limpo, a hipocrisia — essa velha senhora muito bem adaptada — continua reinando tranquila, vestida com as cores de todos os lados.
