Permanecer em Silencio
CANTO DA VITÓRIA MAIS DIFÍCIL
No silêncio da alma ferida,
Quando o mundo virou suas costas,
Lutei com as armas da fé escondida,
Na trincheira das horas mais tortas.
Não foi glória com luzes e palmas,
Foi suor, foi joelho no chão,
Gritei com a dor presa na calma
E ouvi meu próprio coração.
Cada passo, um abismo vencido,
Cada noite, um choro contido,
Cada “não” que o mundo gritou
Foi semente que em mim floresceu.
Me chamaram de fraco e caído,
Mas não viram o que renasceu:
Um gigante forjado em segredo,
Que caiu… e depois se ergueu.
Essa vitória não tem medalha,
Não tem faixa, nem multidão,
Mas carrego no peito a muralha
Que ergui com cicatriz e oração.
Por isso, se ouvir meu canto,
Saiba: é de guerra e de amor,
É da dor que virou acalanto,
É da cruz que virou esplendor.
Hoje canto a vitória mais rara,
Não a fácil, comprada ou banal —
Mas aquela que nasce na cara
Do fundo… e termina imortal.
“Mesmo no silêncio, Deus cavava o caminho”
A vida tem formas estranhas de nos ensinar.
Às vezes, tudo parece bem…
E, de repente, somos tomados por uma dor tão profunda que nos paralisa.
É como cair em um abismo invisível, onde ninguém parece nos alcançar.
Gritamos por socorro, mas tudo o que ouvimos é o eco do nosso próprio desespero.
Tentamos sair por conta própria, mas as paredes são altas demais.
A esperança vai se apagando, devagar.
E chega um ponto em que simplesmente… paramos de tentar.
Ali, no fundo, o tempo passa de forma estranha.
Um dia parece um ano.
A alma se cala.
O coração se endurece.
E começamos a acreditar que não há mais saída.
Então, alguém aparece.
Parece bom, parece luz.
E por um tempo, achamos que tudo vai mudar.
Mas o tempo mostra que nem todo mundo que chega, vem pra ficar.
E a decepção se transforma em medo.
E o medo em desconfiança.
E assim, nos fechamos ainda mais.
Nos acostumamos com a dor.
Nos acostumamos com o escuro.
Até que um dia… algo muda.
Acordamos e percebemos uma trilha.
Um caminho que antes não estava ali.
Não sabemos de onde veio.
Mas está ali.
Mesmo sem forças, algo nos impulsiona a olhar pra cima.
E então, sentimos uma presença.
Alguém está se aproximando.
Assusta, porque já não confiamos em ninguém.
Gritamos, rejeitamos, dizemos que não precisamos de ajuda.
Mas essa pessoa permanece ali… firme, serena.
As mãos estão feridas.
O rosto, calmo.
O olhar, cheio de compaixão.
Ele não diz nada. Apenas se agacha, te olha nos olhos…
E te acolhe.
Você pergunta, quase sem voz:
“Por que você veio? Por que agora?”
E Ele responde com doçura:
“Eu nunca fui embora.
Fui Eu quem preparou esse caminho que você está vendo agora.
Enquanto você chorava, eu cavava.
Enquanto você dormia, eu construía.
Enquanto você pensava em desistir, eu acreditava em você.
Não vim no seu tempo, vim no tempo certo.
Porque o meu amor por você não desiste, não cansa, não falha.”
E ali, nos braços d’Ele, você entende:
Nem todo silêncio é ausência.
Nem toda espera é castigo.
Nem toda dor é o fim.
Deus trabalha no escondido.
Ele cura em silêncio.
Ele prepara a saída antes mesmo que você perceba que está preso.
Agora você sabe:
Nem todo mundo que chega vai te machucar.
E aquele que vem de Deus… não vem pra te deixar no chão.
Vem pra te levantar.
Pra te carregar, se for preciso.
E te mostrar que o amor verdadeiro existe — e vem d’Ele.
Vai chegar a sua hora de sorrir.
E será nos braços do Pai.
Porque Ele nunca te abandonou.
Ele só estava preparando, com paciência, a estrada da sua libertação.
Você merece recomeçar.
E Deus já está fazendo tudo novo.
Entre Neve e Silêncio
No ventre da noite, no frio da missão,
Ergue-se um homem, de aço e razão.
O mundo lá fora é grito e conflito,
Mas dentro do peito, um fogo restrito.
Guerreiro da neve, guardião do além,
Enfrenta o vazio que mais ninguém tem.
O peso do aço, o silêncio do chão,
O vento gelado tocando a tensão.
Não luta por glória, medalha ou poder,
Luta por todos que não sabem o que é perder.
Seu rosto é muralha, seus olhos são farol,
Que brilham no escuro, que buscam o sol.
Entre o vermelho do sangue e o azul do céu,
Caminha sereno, de armadura e fé.
Pois mesmo na guerra, há traços de paz
No coração de quem firme jamais se desfaz.
“Eu esperava que você me escolhesse”
Eu ficava em silêncio esperando você se decidir.
Esperando que enxergasse tudo o que eu era.
Tudo o que eu oferecia.
Eu só queria ser escolhida.
Com coragem. Com presença. Com verdade.
Mas você tinha medo.
E eu me afastei tentando não implorar.
Doeu.
Mas hoje eu entendo:
se eu preciso esperar ser escolhida,
é porque nunca fui prioridade.
Eu merecia alguém que soubesse que era eu e ponto.
Sombra do Guardião
Na calada da noite, sem rosto ou sinal,
Surge a figura em silêncio total.
No asfalto frio, seu vulto se impõe,
Com o peso do mundo que a sombra compõe.
Não há cor, nem rosto, nem voz — só missão,
O fardo invisível do guardião.
Arma no ombro, olhar que não cessa,
Vigília na sombra, na paz e na pressa.
Entre luz e trevas, caminha sozinho,
Traçando no chão seu próprio caminho.
Não busca aplausos, não pede perdão,
Apenas defende — dever, coração.
E quando amanhece, some sem alarde,
A sombra se apaga, mas nunca se tarde.
Pois onde há silêncio, temor e tensão,
Há sempre, invisível, um guardião.
Xeque-Mate
No tabuleiro frio da vida,
cada passo é planejado,
o silêncio é minha armadura,
meu esforço, meu legado.
Enquanto zombam dos meus planos,
em gargalhadas vazias,
eu sigo firme, sem alarde,
plantando noites e dias.
Não preciso de trombetas,
nem de olhos a me ver,
pois quem brilha antes da hora,
costuma escurecer.
E então, no momento certo,
sem temor, sem falsidade,
a peça branca avança o campo…
E grita: XEQUE-MATE!
O rei negro cai em ruína,
num estalo de explosão,
é o fim de quem subestima
o poder da preparação.
Trabalhei calado e firme,
sem vanglória, sem alarde.
Vitória não se anuncia —
se conquista com vontade.
Entre o Concreto e o Silêncio
No muro, o grito da tinta —
um protesto congelado no tempo.
No peito, a couraça da guerra,
no olhar, um mundo sem alento.
Ele não fala.
Mas carrega nos ombros
o peso de mil batalhas caladas,
de promessas feitas à sombra,
de vidas jamais devolvidas.
Em meio ao caos grafitado,
é estátua viva, sentinela,
homem e máquina fundidos
em nome de uma paz ausente.
Não há glória em seus olhos,
apenas dever e memória.
Cada passo no concreto rachado
é um pacto com a história.
Mas quem ousa julgar o guerreiro,
se não caminhou por seu chão?
Ele é o silêncio armado do mundo,
um poema de pólvora e solidão.
"Amor em Camada de Valência"
No silêncio atômico do ser,
há um núcleo que só quer entender
por que falta algo no fim do dia,
como se a alma pedisse alquimia.
Sou ametal, um ser de atração,
não busco ouro, nem combustão.
O que me falta é só conexão,
um elétron que acalme meu coração.
Tua carga vem de longe, flutua,
como próton que à noite recua.
E eu, com fome de completar,
atraio o que tens pra doar.
Mas não é roubo, nem imposição —
é enlace, é química, é comunhão.
Compartilhamos elétrons com calma,
como quem entrelaça corpo e alma.
E se a vida é feita de ligações,
de forças fracas e paixões,
então que sejamos moléculas unidas,
pelo amor que dá sentido às vidas.
Aprenda com o céu: Deus honra os que permanecem fiéis mesmo no silêncio da cova, mesmo quando todos pensam que estão esquecidos. Mas o inferno, este promove os que sabem negociar cabeças.
Sou sozinho como cada estação, opto pelo silêncio porque as palavras só são boas quando escritas; mal sei falar, não sei pedir, só me desculpar. A imensidão do mundo estampa a pequenez contida na minha existência, de tudo o que existe sou o único a não expandir. Se a natureza não morre e se renova, a cada tentativa minha de renovo, morro um pouco mais. Sonho em ser tantas coisas e sou a pior delas, tão humano. Tão errante. Tão vulnerável e tão cheio de vícios de vivência. Não ocupo todos os espaços, mas sonho estar em todos os lugares. Às vezes sou meu pior inimigo e é para mim que perco todas as batalhas. Eu é quem ergo a espada e sou eu a limpar o sangue e recolher as cabeças. Canto de vitórias que não são minhas. Raramente me abraço. Me conforto com lembranças douradas de um tempo que ainda não vivi. Lembro de amores que não conheci e conheço histórias de um tempo onde o amor não existia. Tudo o que sei sobre o amor é o que me contaram. Tudo o que sei sobre saudade são as minhas perdas. E tudo o que sei sobre mim mesmo é tudo aquilo que ainda não descobri.
Um Dia Que Pensou
No silêncio da manhã que se anuncia,
brota a dúvida: o que faz o tempo valer?
Será o instante que passa e se esvazia,
ou o olhar que aprende a compreender?
O dia especial não grita nem exige
ele se insinua, sutil como o vento.
Está no gesto que jamais se finge,
na paz que nasce dentro do pensamento.
Cada segundo é um espelho suspenso:
reflete escolhas, acertos, enganos…
Viver não é seguir um plano imenso,
mas dançar com o acaso de mãos.
Ao fim da jornada, o que permanece
não é o que vimos, mas o que sentimos.
Porque o que torna um dia inesquecível
é o que mudamos em nós mesmos.
Velhice
Velhice é tempo que pesa no peito,
Silêncio que grita no fim do leito.
É pele que sente, é passo que falha,
É o tempo dizendo que a vida não para.
Fugimos do espelho, mudamos o rosto,
Omitimos a idade como se fosse desgosto.
Mas ela chega — e se não vem,
É porque partimos cedo, também.
Não é o cabelo branco que mais assusta,
É a visão que falha, a memória que custa.
É a dor de perder quem já se foi,
E saber que o tempo não volta, não dói?
Velhice é sorte cercada de amor,
De um neto que estende a mão com fervor,
De um filho que ajuda com o prato na mesa,
Num mundo que esquece a delicadeza.
Envelhecer é poema que poucos leem,
Mas é dádiva dos dias que ainda vêm.
É ver, devagar, quem amamos partir,
E sentir no peito o tempo a ruir.
Elaine Paula 14 julho 2025
desperdício de sentimentos
as nossas diferenças
cresceram em silêncio.
você se fechou pra mim,
como porta trancada
sem aviso.
e eu fiquei do lado de fora
cheio de sentimentos
sem destino.
no fim,
foi isso:
as nossas diferenças
foram o maior
desperdício de sentimentos.
— ✍️ (Alessandra 🪓 )
Eu escolhi o fim, mas quando ele se foi... por que pareceu tão errado? O vazio e o silêncio que ficaram após a partida dele me sufocam, e eu tento, de toda maneira, achá-lo. Disseram que isso ia passar, mas, depois de tanto tempo, ainda dói, e eu estou desesperada, porque o rosto dele já não é tão nítido assim... O perfume dele... qual era mesmo? Minha mente está apagando, mas meu coração já decidiu que vai guardá-lo para sempre. Porque é suportável amá-lo aqui, melhor do que perdê-lo novamente e para sempre.
