Permanecer em Silencio
O meu silêncio não é ausência de sentimento; é o cansaço de tentar explicar a dor para quem a causou.
O amor me fez chorar até o cansaço, mas foi no silêncio do meu soluço que ouvi a voz da minha superação. Limpei o rosto, guardei a lição e descobri que o meu coração, mesmo remendado, ainda sabe bater com esperança.
No silêncio do seu olhar, eu li a sua mentira e ouvi o seu pedido de socorro. Você não precisa fingir que é forte o tempo todo.
O amor nunca morre de morte natural. Ele sobrevive em silêncio, esperando um detalhe bobo para despertar de novo.
Só quando aceitamos o silêncio da nossa própria companhia é que paramos de aceitar qualquer barulho apenas para não ficarmos sós.
Vem, meu anjo. Eu chamo no silêncio que me veste,
Não com a voz, mas com a dor que me consome.
Sou um naufrágio à espera da maré celeste,
E em cada lágrima, sussurro o teu nome.
O amor que arde em mim não é brasa, é ruína;
Um fogo que devora, mas não aquece.
Se és a salvação, por que a sorte é tão mesquinha
E me oferece o céu apenas quando anoitece?
Eu te construí no altar da minha insônia,
Um relicário de promessas e prantos,
E agora, sem teu toque, sou só a autonomia
De um coração quebrado em mil recantos.
Vem, meu anjo, venha me salvar da queda
Que me separa do calor do teu abraço.
Sou o drama vivo, a tela despedida,
Que implora pelo brilho do teu traço.
Chega de manso e rasga esta mortalha de saudade.
Pois sem o teu olhar, sou apenas sombra fria;
A melancolia veste o manto da verdade:
Viver é te esperar em eterna agonia.
O mundo lá fora é barulho, mas aqui dentro, no silêncio do que sinto, guardo no peito esse amor por você como minha única certeza.
Eu nunca desisti de você, mas assisti em silêncio enquanto você deixava o nosso amor morrer. Minha luta não foi suficiente para salvar o que você parou de regar.
Ainda vou te mostrar, com o tempo e com gestos, a verdade que o meu silêncio já gritava: eu sempre fui o grande amor da sua vida.
