Permanecer em Silencio
“Silêncio, mistério e paz. Enquanto acham que você sumiu… você só está se tornando alguém que elesnão estão preparados pra conhecer.”
"Meu silêncio não é concordância, mas sim a serena convicção de que o tempo é um bem precioso demais para ser desperdiçado em debates infrutíferos."
"No silêncio da criação e no estrondo da história, a Bíblia não defende a Deus; ela O revela como o fôlego constante que mantém o universo de pé."
"O silêncio apofático não é ausência de Deus, mas a reverência diante de uma face que nenhum olhar humano pode conter."
"Na teologia do indizível, o silêncio não é ausência, mas o reconhecimento de que as palavras humanas são pequenas demais para a imensidão do Infinito."
"O silêncio reverente é o único recurso digno diante de um Deus que é grande demais para caber em nossas definições."
A Dança Poética a partir do Silêncio
As horas já estão avançadas. Mais uma vez, temporariamente, estou cercado pelo silêncio que, aos poucos, foi tomando conta. Entretanto, na minha mente, o seu poder não tem nenhum efeito; pois certos pensamentos despertaram e convidaram, gentilmente, algumas palavras para dançar uma dança poética. Tendo como plateia apenas o meu sono e a minha insônia, mostrando a eles uma apresentação intensa.
A expressão do olhar que fala em silêncio
O teu silêncio e a expressividade do teu olhar, em determinados momentos, possuem uma grande profundidade, tão atraente quanto um instigante mistério que prende muito a atenção: desperta a curiosidade, provocando certos pensamentos, aquelas emoções repletas de intensidade que, com facilidade, aceleram e aquecem o coração com um sabor prazeroso de renascimento e ludicidade sem nenhuma hesitação.
Em pouco tempo, discretamente, com essa tua motivação silenciosa e expressiva, dentro de um imaginário inquieto, uma conversa despida de palavras começa entre aquilo que pode estar passando na tua mente — que guardas lá no teu íntimo — e uma vontade intensa de aguçar os teus sentidos, de merecer a tua companhia, de tornar essa imaginação em realidade, numa euforia recíproca, marcando a temporalidade.
O resultado típico de quando a fertilidade criativa, proveniente de uma percepção profunda se volta para uma expressão assim comunicativa, como essa tua que, mesmo que não digas nada, fala muito; inclusive, a língua do teu desejo, da tua fogosidade, dos teus sentimentos, do teu amor-próprio, da tua liberdade, a partir dos teus olhos — belas estrelas do céu da tua face; detalhes emocionantes da tua composição, da tua venustidade, cuja perfeição é farta e vira inspiração, do teu físico à tua alma.
"Existem coisas no ministério que o silêncio protege e a discrição santifica. Nem tudo se posta, nem tudo se conta. A relevância do que fazemos não depende da vitrine digital, mas do registro eterno. O que ninguém viu, Deus já recompensou." 📖🙏
Eu não pedi pra te amar…
quando vi, já estava acontecendo em silêncio, ocupando espaços que nem eu conhecia. Você não chegou fazendo barulho, mas ficou de um jeito que nada mais conseguiu sair. E desde então, tudo em mim te reconhece, mesmo quando você não está. Não é um amor que se explica,
nem que se controla ou se mede.
É desses que simplesmente existem…
e mudam tudo, sem pedir permissão.
E se um dia me perguntarem por que você,
eu não vou saber responder.
Só vou sentir de novo porque amar você não foi escolha… foi destino.
DeBrunoParaCarla
Itaipuaçu virou silêncio,
um nome que ninguém termina.
Como se falar fosse trazer de volta
o que já se perdeu.
DeBrunoParaCarla
Entre Luz e Sombras
Na vida...
às vezes sou mocinha.
Outras vezes... vilã.
E no silêncio entre um papel e outro,
me pergunto:
quem sou eu… afinal?
Nunca sei quem fui
nos olhos de quem me viu partir.
Nunca sei quem sou
no reflexo de quem insiste em me definir.
Se faço o bem...
me julgam mal
Se tropeço no mal...
alguém encontra em mim um bem que nem sei explicar.
Que lógica é essa
que me atravessa
e me desfaz?
Eu erro…
tentando desesperadamente acertar.
E acerto…
quando já não me preocupo mais em errar.
Ironia essa...
Como se a vida risse
da minha tentativa de controle.
Sou luz?
Ou sou escuridão?
E por mais que eu procure respostas,
a verdade me escapa…
como água entre os dedos.
Porque, no fundo,
quem diz quem somos
não somos nós.
É o olhar que nos acolhe,
ou o julgamento que nos corta.
É quem nos vê…
que nos inventa.
E eu?
Eu me desconheço.
Sou verdade?
Ou sou invenção de versões
que criaram de mim?
O que escondo…
até de mim mesma?
Há mistérios no meu peito
que nem minha coragem alcança.
Sentimentos que existem…
mas nunca tiveram permissão para nascer em palavras.
E assim eu sigo…
fragmentada…
contraditória…
humana.
Sendo mil em uma,
e ainda assim… incompleta.
Talvez…
a grande verdade
não seja descobrir quem somos.
Mas aceitar…
que somos feitos de perguntas.
E não de respostas.
Hermínio Corrêa de Miranda.
A PERENIDADE DE UMA OBRA RESGATADA DO SILÊNCIO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Reencarnações de Hermínio Corrêa de Miranda.
Transcrição e organização a partir de obra publicada pela “Editora Lachâtre”, no livro “Os Senhores do Mundo”.
Durante longos anos, o manuscrito datilografado desta obra, concebida em 1964 e figurando entre as primeiras elaborações intelectuais de Hermínio Corrêa de Miranda, foi tido como definitivamente perdido pelo próprio autor. Acreditava-se que o tempo, em sua marcha inexorável, o houvesse relegado ao esquecimento dos arquivos dispersos e das memórias fragmentadas.
Todavia, no ano de 2012, em um gesto aparentemente simples, porém providencial, ao reorganizar antigos documentos, Hermínio Miranda deparou-se com uma cópia em papel carbono de seu texto original. Este cuidado pretérito, fruto de uma prudência quase intuitiva, revelou-se decisivo para a preservação da obra. Assim, aquilo que outrora se julgava irremediavelmente ausente ressurgiu, oferecendo à posteridade a oportunidade de reencontro com um pensamento ainda em estado nascente, porém já impregnado de densidade filosófica e rigor investigativo.
O processo de restauração do texto apresentou-se como tarefa exigente e meticulosa. A precariedade da cópia original, somada à ausência de algumas páginas, impôs à editora um labor paciente, quase arqueológico, no intuito de recompor a integridade do conteúdo. Após a digitalização e uma primeira revisão técnica, o material foi devolvido ao autor, que, com zelo e dedicação, empreendeu uma revisão parcial e comprometeu-se a reconstituir os trechos desaparecidos.
Entretanto, a desencarnação de Hermínio Corrêa de Miranda interrompeu este trabalho, deixando na obra uma lacuna significativa, cuja ausência exigia solução à altura de sua relevância intelectual. Diante deste desafio, a editora, movida pelo compromisso com a fidelidade doutrinária e literária, convidou Lygia Barbiére Amaral, reconhecida escritora espírita, amiga próxima e profunda conhecedora do pensamento do autor.
Com notável sensibilidade e competência, Lygia assumiu a responsabilidade de pesquisar, interpretar e reescrever, à maneira herminiana, o primeiro capítulo da obra, bem como as oito páginas iniciais do segundo capítulo. Seu trabalho não se limitou à mera reconstrução textual, mas constituiu um verdadeiro exercício de sintonia intelectual, preservando o estilo, a coerência e a essência reflexiva do autor.
Todo o restante da obra, a partir da página 61, com exceção das notas editoriais devidamente identificadas, permanece integralmente como produção original de Hermínio Corrêa de Miranda. À editora coube apenas a inserção de breves esclarecimentos, destinados a elucidar passagens específicas e facilitar a compreensão do leitor contemporâneo.
Esta obra, portanto, não é apenas um livro restaurado. É um testemunho vivo da persistência da ideia sobre a matéria, da memória sobre o esquecimento e da verdade sobre o silêncio. Sua existência reafirma que aquilo que é concebido sob o impulso da investigação sincera e da elevação espiritual jamais se perde completamente, aguardando, no tempo oportuno, o reencontro com aqueles que buscam compreender.
E assim, entre fragmentos resgatados e páginas reconstruídas, ergue-se novamente a voz de um pensador, convidando o espírito humano a prosseguir, sem temor, na inquebrantável jornada do conhecimento e da consciência.
SOB O SILÊNCIO DAS CONSTELAÇÕES.
Do livro: O Silêncio De Deus.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Amávamos em desmedida desigual.
Como dois céus que jamais se alinham.
Um ardia em oferenda constante.
Outro apenas refletia a luz alheia.
Dividíamos o universo.
Mas não o peso da eternidade íntima.
Havia em ti o repouso sereno.
E em mim a febre de permanecer.
Quando as estrelas ainda nos reconheciam.
Eram cúmplices do que não ousávamos dizer.
Agora, elas se dispersam.
Como se também recusassem testemunhar o fim.
Olho o firmamento e me perco.
Não pela vastidão.
Mas pela ausência que o torna infinito demais.
Teus olhos foram mar.
E no último instante.
Afoguei-me sem resistência.
As lágrimas não descem mais.
Elas doem.
Como se cada uma soubesse.
Que só há um coração a suporta-las em tudo.
O que fui.
Entreguei-te inteiro.
O que restou.
É apenas o eco do que nunca foi recíproco.
E assim.
Enquanto o céu se despede em silêncio.
Eu permaneço ajoelhado no altar da dor, olhando as estrelas embaçadas.
E guardião de um amor que não morreu.
Apenas foi condenado a existir dentro do abandono da solidão.
No esbarrão entre a Beleza da Oratória e a Sabedoria do Silêncio, quem mais se destaca é a Perícia da Escuta.
No santuário do silêncio, o barulho quase sempre fica por conta das lágrimas — contidas ou derramadas.
Lá não há necessidade de palavras bem escolhidas nem de explicações convincentes.
Ali, o que fala é o que transborda — ou o que dói ainda mais para não transbordar.
O barulho fica por conta das lágrimas, contidas ou derramadas.
Porque até o silêncio tem um idioma próprio, e ele quase sempre é aprendido na dor.
Há lágrimas que escorrem sem pedir licença, e há outras que permanecem presas, não por falta de sentimento, mas por excesso dele.
Ambas fazem ruído suficiente para quem sabe escutar com a alma.
Não é fraqueza chorar em silêncio; é coragem permitir-se sentir sem a plateia, sem o espetáculo, sem a pressa de parecer forte.
No santuário do silêncio, Deus não se assusta com o som ensurdecedor das lágrimas.
Ele entende o que a boca não consegue formular e recolhe cada soluço invisível como oração.
Porque, quando tudo se cala ao derredor, o coração encontra espaço para falar — e o céu, para escutar e até responder.
Felizes os que choram, porque serão consolados!
Talvez o nosso único Defeito Perdoável para o outro seja o Silêncio que fazemos para Poupá-lo.
Mas há algo de muito grave nessa empatia espinhosa: sacrificar a nossa Paz para poupar o próximo pode ser nosso Maior defeito.
Pois, há silêncios que parecem generosos…
Eles vestem a roupa da empatia, caminham com passos cuidadosos e nos convencem de que calar é uma forma de proteger — proteger o outro de uma verdade dura, de uma crítica necessária, de uma ferida que nossas palavras poderiam abrir.
Mas existe uma espinha escondida nessa delicadeza.
Quando o silêncio deixa de ser escolha e passa a ser renúncia, ele começa a cobrar um preço alto demais.
Porque, enquanto poupamos o outro de um incômodo passageiro, vamos acumulando em nós aquilo que nunca teve o direito de existir.
E o que não encontra voz quase sempre encontra peso.
A empatia, quando exagera na dose, pode se transformar numa espécie de sacrifício íntimo: abrimos mão da nossa paz para preservar a tranquilidade alheia.
E, nesse gesto que parece tão nobre, às vezes cometemos uma injustiça silenciosa — contra nós mesmos.
Poupar o outro jamais deveria custar a nossa serenidade.
Porque há verdades que não ferem por serem ditas, mas por serem enterradas.
E há relações que não se fortalecem com silêncios, mas com a coragem delicada de dizer aquilo que precisa existir entre duas consciências que se respeitam.
Talvez, no fim das contas, o silêncio só seja realmente um Defeito Perdoável quando não se transforma no lugar onde abandonamos a nossa própria paz.
