Perda de um Amor por Orgulho
Todos deveriam ter um lugar favorito no universo, um lugar que dê a sensação de que você vai escapar do que for, de seja lá o que você está sentindo. Aquele lugar onde as pessoas de quem você gosta vão te procurar quando você provavelmente sumiu por não aguentar a barra, como acontece no cinema, quando os personagens estão perdidos, prostrados ou loucos de amor.
Se eu quisesse escrever algo que explicasse tudo
escreveria um dicionário,
o que não teria graça alguma...
Eu não quero ter respostas prontas,
quero uma vida de perguntas,
não quero entender as perguntas
quero é viver as repostas.
A graça de escrever a própria história
é não ter pressa de se saber o final.
A gente só abre mão de uma coisa quando tem um propósito ainda maior em jogo. Perder dói mas, muitas vezes, as perdas são positivas. Um 'não' que dizemos hoje pode significar muitas portas se abrindo amanhã.
"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno do tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha não escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de frangância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta, e eu te sinto tremular contra mim, como um lua na água."
Em vez de deixar sua existência passar como um tronco boiando num rio e de permitir que a correnteza leve você para onde ela quiser, ouse, questione-se, busque seus objetivos e surpreenda-se!
(Trecho do livro O que realmente importa?)
Eu quero um colo, um berço, um braço quente, um calor no inverno, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas…
Um dia quando eu tomar o trem de partida,só as pessoas perfeitas, irão comentar o que fiz de bom,enquanto estive aqui
Ivânia Dionisio Farias
Nada na vida se perde. Quando erramos, adquirimos aprendizado, quando corrigimos um erro, adquirimos conhecimento, e, quando ajudamos alguém a corrigir um erro, demonstramos ter adquirido sabedoria.
Tinha um par de belos olhos castanhos, devidamente enquadrados em um rosto uniformemente equilibrado, desde o tom da pele ao posicionamento da boca. Maria tinha aquele jeito de menina, aquele falar descontraído e aquele olhar de quem vê o mundo sob a ótica ingênua de uma criança. Mas não lhe era diferente, como na grande maioria das boas mulheres, aquele jeito de andar, como se estudasse a forma como daria cada passo, aquela discrição contida quando cortejada e aquele riso, de meia boca, quando, finalmente, deixa-se cortejar ou simplesmente dava um fora.
Aliás, as boas mulheres são disso, umas sonsas. Se fazem de besta, fingem que não é com elas, estudam cada passo do macho que tenta, de todas as formas possíveis, conseguir um punhado de sua atenção e, quando finalmente, resolvem dar-lhe a atenção e deixam-se cair nas artimanhas do homem que tentava conquista-la, dão aquele sorriso de deboche, de meia boca. Porque a situação, para elas, sempre esteve sob controle.
Maria era dessas mulheres. O jogo psicológico que me impôs na primeira tentativa que fiz de conquistá-la, foi cruel. Nunca pensaria que por trás daquele olhar infantil, estava uma mulher forte e decidida que sabe o que quer, quando quer e como quer. Foi assim na festa na casa do Pedro. Ela jogou comigo. Acompanhou de perto toda o rodeio que fiz para chegar no bote final e, com uma espécie de prazer sadista, cortou o meu rodeio e me fez dar com os pés entre as mãos.
Depois de um certo tempo observando as mulheres, separei-as em dois tipos: as boas mulheres e as más mulheres. As boas, conservam uma sutileza na hora de agir e de falar, sabem sempre o que querem e não precisam ir atrás dos homens. Elas os fazem correr atrás delas. E quando eles não são dignos do seu amor e confiança, simplesmente o deixam de lado, com a mesma sutileza que elas mantém em todos os seus atos. São mulheres para os grandes homens. Boas mulheres tem uma voz doce e delicada, olham daquele jeito cruél, despindo a essência dos seus futuros parceiros com os olhos e são dotadas de uma intuição afinadíssima, capaz de prever cada movimento que um macho pode fazer no ato da sua conquista.
Maria me deixou louco. Com aquele jeitinho simples, pisou no meu ego e deixou-me solitário, entregue aos meus vícios. Notava-se que o seu maior prazer era me ver esperançoso, ligava-me, às vezes, de madrugada e falávamos de filosofia à política. Saímos para almoçar juntos e a nossa sintonia na hora de conversar era de tamanha perfeição que, desconhecidos, chegavam a pensar que formávamos um casal. Mas não. Ela me estudava meticulosamente, eu sabia disso e ela era capaz de prever todos os meus movimentos e os meus desejos.
Eu imaginava o beijo de Maria. Certamente com aquele tom voz e aquele jeito, imaginava lábios suaves, um beijo ligeiramente doce, dado com a vontade de quem demorou para se certificar que realmente faria uma boa escolha. Imaginava a força do seu abraço, talvez teria um abraço quente, acolhedor e que fizesse com que, realmente, eu me sentisse bem nos seus braços. Imaginava domingos de solidão a dois regados de sorvetes, filmes chatos e discussões literárias. Chegava a me pegar alheio do mundo, muitas vezes, imaginando o belo casal que formaríamos. Sempre procurei a mulher ideal para mim, por isso tantas passaram pela minha vida. Imaginava que desta vez a minha procura tinha se encerrado e a minha eterna solidão estaria com os dias contados.
Decidi apelar. Nas minhas observações das mulheres consta que elas, por mais seletivas e boas que sejam, não aguentam ser ignoradas. Não aguentam notar que o homem que lhe faz tanto arrodeios, que tenta de todas as formas conquistar-lhe, simplesmente mude, torne-se frio como uma pedra de gelo. Pensam logo que há outra mais interessante no caminho. E se perdem no jogo.
Como era difícil não atender os seus telefonemas... Como era mortal ter que ligar menos. Meu coração batia forte, meus olhos enchiam-se de lágrimas, minha mão coçava, mas não. Mantinha-me numa disciplina mental fervorosa. De súbito, tomava-me o medo de que a apelação teria sido cedo demais. Esse tipo de estratégia só pode ser usada quando as peças do jogo realmente sabem em que posição estão. E se ela achasse que eu nunca quis nada sério com ela? E se ela desistir de mim e simplesmente responder meu gelo com mais gelo?
Mas ela pareceu desnorteada. Notei que a minha súbita mudança tinha a afetado. Ela me procurava mais e, em certo ponto, era mais direta. Pensei que o jogo estava ganho. Mas quando ela me atraiu de volta para ela e quando eu mais achei que tinha realmente vencido aquela interminável guerra é ela que muda. Torna-se fria, mórbida, gelada. Diz que quer ficar um tempo sozinha. Fico louco. Não durmo, não como, não vivo. Só respiro Maria, só vivo Maria, só penso Maria. Penso em me mudar, novos ares talvez seria bom, novas conquistas talvez me fizessem esquecê-la.
Então, quando eu menos esperava, ela aparece no meu apartamento. Sorri, daquele seu jeito infantil. Tomamos um bom vinho juntos, ouvindo as músicas que mais gostávamos. Vimos um filme. Quando de repente me vi nos seus lábios doces, senti que tudo aquilo que eu imaginava dos seus beijos era verdade. Chorando, ela me pede para parar de beija-la e diz que veio para se despedir, irá morar na França. Conheceu pela internet um homem lá e pretende casar com ele. Falou que achava-me um bom amigo, mas que eu não era para ela. Partiu para a sua nova vida. Deixando-me lágrimas e um beijo seu.
Mais vale um jumento vivo que um filósofo morto, mas é melhor morrer como filósofo do que viver como jumento.
O primeiro dever do romancista é entreter. É um dever moral. As pessoas que leem seus livros estão doentes, tristes, viajando, na sala de espera do hospital enquanto alguém está morrendo. Livros são escritos por solitários para solitários.
Pequenas coisas sobre ela.
Ela tem um sorriso encantador, um alento para quem a ama.
Ela tem um brilho de esperança no olhar, esperança de dias melhores.
Ela tem um jeito único, cativante. Ela estava feliz!
Ela sentia-se sozinha, teve medo, estava com medo.
Ela sabia que ia partir, ela tentou se despedir,
mas eu não queria dizer nunca, nem jamais um adeus.
Ela se calou, seu sorriso foi lacrado,
o seu riso foi sufocado pela fumaça da dor e do medo.
A luz de seus olhos extinguiu-se,
apenas o vazio permanece lá, no lugar que habitava sonhos, paixões e planos.
De sua vida, ela não leva nenhum pesar.
Ela viveu, amou, dançou, sorriu e chorou.
Ela não habita mais no presente do ontem,
mas viverá eternamente no futuro.
Ela soltou da minha mão,
atravessou as soleiras de sua porta.
Mas ela não se despediu.
Ela foi viver, ela renasceu,
suas esperanças foram renovadas,
mas ela segue sozinha.
O fantasma do medo não mais existe,
agora ela está bem, tudo ficará bem.
Para que serve um amigo?
Para tanta coisa... Não é?
Para Instalar o XP no computador e não cobrar nada, mesmo perdendo horas e horas a fio!
Para trazer muamba do Paraguai e quase ser preso!
Para emprestar o carro e devolvê-lo com multa e 21 pontos na carteira.
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um cd, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping,
Segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
A amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racham lembranças, crises e choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um CD. Recomenda
Cautela recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas para festa. Leva-te para o mundo dele e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola... Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
O doce sacrifício da vida é perdoar a si mesmo por amar demais a própria dor contida em um coração sem lágrimas...
