Perda de um Amor por Orgulho

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Há uma certa vergonha em sermos felizes perante certas misérias.

Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.

Do ódio à amizade a distância é menor que do ódio à antipatia.

Há injúrias que temos de ignorar para não comprometermos a nossa honra.

A glória só chega àqueles que com ela sonharam.

Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.

Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos.

São sempre desatinadas as vinganças por ciúmes.

A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.

Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.

Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido.

Os pintores só devem meditar com os pincéis na mão.

Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição.

A fé é a consolação dos miseráveis e o terror dos felizes.

Se você olhar atentamente você verá que existe apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa você não consegue ser feliz.

Viver é o meu trabalho e a minha arte.

Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Deve-se usar da liberdade, como do vinho, com moderação e sobriedade.

A utilidade da virtude é de tal modo evidente que os maus a praticam por interesse.

Os soberbos são ordinariamente ingratos; consideram os benefícios como tributos que se lhes devem.