Perda de um Amor por Orgulho
"Você não me ama.
Você ama o meu corpo suado, a respiração ofegante e o ranger da cama.
Você não me ama.
Você ama o beijo forçado, seu cabelo puxado e aquele tapa, que deixa uma marca profana.
Você não me ama.
Você ama os gemidos, seu nome ao pé do ouvido, e minha boca dizendo que te ama.
Você não me ama.
Você ama meus lábios, quando em seus lábios, sua perna estremece e fica completamente bamba.
Você não me ama.
Você ama a nossa luta, a guerra de prazer travada, a serenata que nosso amor canta.
Você não me ama.
Você ama o perigo, o prazer desmedido, quando nossa tez se inflama.
Você não me ama.
Você ama, dos meus olhos o brilho e perceber que só comigo, o seu corpo tem gana.
Você, meu amor, não me ama..." - EDSON, Wikney
"Ontem, foi quando a sua ausência mais doeu.
Certeza, que foi por conta daquela chuva, que levou tudo, mas não levou você d'eu.
Ver você passando ao longe, fingindo que não me conheceu.
Como posso ignorar um corpo, que conheço até mais que o meu?
O coração acelerou, queria ter arrancado-o do meu peito, estrangular meu próprio eu.
No momento em que olhei pela janela daquele ônibus e vi as lágrimas do céu, minha chuva escorreu.
A tarde que estava clara, as nuvens carregadas, me lembraram a sua ausência, quando tudo escureceu.
Vislumbrei por milésimos, meu próprio reflexo, e vi um homem moribundo, com a vida estraçalhada, mas que ainda é seu.
Amanhã, o hoje será igual ontem, eu já pedi perdão a Deus.
Roguei a Cristo, para que na próxima chuva, leve tudo, leve minh'alma, e principalmente, leve você d'eu.
Parece-me, que agora todo dia é como o ontem, quando sua ausência, mais doeu..." - EDSON, Wikney
"Você, sacra demais, sempre que ora a Deus, pedindo pra lhe afastar todo o mau, eu me afasto mais.
Pois, eu não sou um homem que se desfaz do pecado, eu sou aquele tipo, onde o pecado se faz.
Triste demais.
Imploro a Deus, peço um momento contigo para o Pai.
Seu olhar sereno, seu sorriso tímido, sempre que nos entreolhavamos, você me ganhava mais.
Minha alma perturbada, em seu olhar, encontrou paz.
Não sei o que me fez, tampouco, o que me faz.
Realmente eu não queria, mas toda vez que roga, eu me afasto mais..." - EDSON, Wikney
"Meu Deus, perdão, pequei tentando esquecê-la.
Imagina-lá comigo, por toda eternidade, sei, é besteira.
Logo eu, o próprio pecado, poderia merecê-la?
Estranho sentir isso de novo, por uma mulher, que eu julgaria mais santa que freira.
Não sei o que fará na segunda feira.
Não sei o que será de mim, se eu não sair contigo daquela igreja.
Então, perdão meu Deus, por não me esforçar, por não fazer por onde, merecê-la..." - EDSON, Wikney
"A próxima vez que nos encontrarmos, tentarei não te olhar.
Tentarei não te amar.
Tentarei não perder o meu ar.
Olhos de mel, quando fitei-lhe, desaprendi a respirar.
Imaginei eu vislumbrando a leveza dos seus passos, naquele doce bailar.
Quando nós trocamos olhares, mal sabia eu, que fitava o abismo e ele me olhava de volta.
Você não hesitou, mas eu pisquei, condenei minha'alma ao Gólgota.
Mas eu estarei lá.
Sonhando-nos, como em prosa.
Tracei um objetivo, que me causará tremenda alegria em falhar.
Tentarei, da próxima vez que nos encontrarmos, não te olhar..." - EDSON, Wikney
"Falhei.
Não consegui, eu sei.
Tentei.
Te olhei.
Sua beleza, vislumbrei.
Mas tentei.
Ao te ver, fraco fui; fraco serei.
Mas tentei.
Ser escravo dos seus olhos, é capaz de fazer qualquer homem, um rei.
Não deveria ter te olhado, mas eu queria, eu sei.
Tirou-me o ar, ofeguei.
No seu olhar, me afoguei.
Tentei.
Tentando não lhe amar, amei.
Perdão Pai, pois pequei.
Me apeguei.
Na chance de mais um segundo no olhar, na chance de sentir o calor da branca tez.
Perdão, tentei.
Não te olhar? Falhei..." - EDSON, Wikney
"O céu urgia em maltratar-me, nas primeiras horas da manhã, daquele dia chuvoso de inverno.
Dormira muito mal naquela noite; durante a madrugada, nos raros momentos em que a atroz tempestade, deu-me uma trégua, eu sonhei com ela.
Quando os trovões, rugiam sobre mim, eu despertava ao gritos, atônito, desesperado, procurando por ela, em meio a lençóis vazios.
Completamente encharcado, eu não sabia diferir, o que era chuva, o que era suor e o que era lágrima.
Mas em minha própria cama, eu me afogava.
Quisera eu, que meu afogamento, se desse pelas águas.
As lembranças, foram o que me afogara.
Cada beijo, cada toque, cada palavra.
Eu lembrava e mais, eu afundava.
Cada gota, que pingava do telhado do meu velho casebre, parecia, em demasia, com minhas lágrimas.
Lembravam a ampulheta da minha vida.
Cada gota, que no meu chão de madeirite se desfazia, a minha vontade de viver, com ela ia.
Perdão Deus, por não conseguir enfrentar as intempéries da minha vida.
Deverei ceifá-la, talvez seja essa minha missão, quiçá, minha sina.
Tentei o velho pescador, nem ele, sábio como és, conseguira desviar a minha finda.
Talvez, o melhor que posso deixar para esse mundo é minha morte, o amor que sinto por ela e minhas palavras vazias.
Logo hoje meu Pai, eu não merecia.
Mas a madrugada me maltratou tanto, e o céu urgia.
Não sou capaz de viver sentindo o cheiro dela, em cada flor, em cada perfume, em cada brisa.
Já me chamam, O Velho do Casebre, já deram sentido, à uma existência vazia.
Fui obrigado a abrir mão dela, então de bom grado, hoje, abro mão da minha vida.
Perdão Cristo, mas essa é a minha sina.
Espero que a corda, que agora amarro em meu teto, consiga suportar o peso, das minhas feridas..." - EDSON, Wikney - Memórias de Um Pescador - A Carta de Despedida
"Lembro-me, como se fosse ontem, o dia em que morri.
Era uma tarde quente de Outubro, sentado em um vasto gramado, olhando ao longe, de repente, eu te vi.
Lembro-me bem, daquele tal Campori.
Se eu soubesse, eu teria me enterrado ali.
Mas ali, ali mesmo, foi onde morri.
Foi o momento exato, onde nossos olhares se entrelaçam, e minh'alma, que eu lutava para pertencer a Cristo, passou a pertencer a ti.
Não sei porquê te olhei, não sei porquê sorri.
Mas foi ali.
Em segundos, vislumbrei cada detalhe do seu corpo, e por milésimos, fantasiei uma vida com ti.
Falei com os amigos que estavam ali.
Riram de mim, eu também riria; fazer o que? A piado do amor é assim.
Minha alma, apaixonada por você, abdicou-se de mim
Hoje, meu corpo, sem alma e sem ela, perambula por aí.
Sem vida, sem um motivo pra sorrir.
Recordando sempre e desejando que a cada batida, do morto coração, me leve para o dia, em que eu morri..." - EDSON, Wikney - Memorias de Um Pescador - O Dia Em Que eu Morri
"Possuo alguns amores de veraneio.
Uns, vieram pra ficar; outros, não sabem a que veio.
Lembro-me sempre, do desenho da boca, o olhar taciturno e o esvoaçar do cabelo.
Lembro-me da maciez da pele e o doce do cheiro.
Possuo sim, alguns amores de veraneio.
Amores que vem e vão, que só se despertam, quando há uma ausência; quando há, do coração, uma carência, um desejo.
Mas ela não, eu queria que esse amor, não fosse passageiro.
Quisera eu que fosse eterno, duradouro, que sobrevivesse às estações, de Janeiro a Janeiro.
Das poucas vezes em que a vi, sinto que não a vi direito.
Não admirei-a como mereces, não prostei-me de joelhos.
Deveria ter lhe fitado pela eternidade, garantindo a certeza que é você, que tatuo agora em minh'alma, em meu peito.
Ah moça! O que eu não faria por um beijo.
Um mundo por seus segredos.
Ela ainda não sabe, mas por ela, eu faria dos meus escritos, um cemitério perfeito.
Enterraria em meus versos, todos os meus amores, de veraneio..." - EDSON, Wikney
"Hoje, a chuva molha meu corpo e já não me importo mais.
Já não sinto frio mais.
Hoje é só indiferença, onde já fora amor por demais.
Já não te amo mais.
Sentir sua falta? Nunca mais.
É triste demais.
Já não choro mais.
Inté, nunca mais.
O que um dia fomos, em solo frio jaz.
Hoje, a chuva dos meus olhos, não inundou meu rosto, bom sinal, já não me importo mais..." - EDSON, Wikney
"Eu adoro quando meu corpo cansa sob ti, e minha boca repousa sobre você.
A geometria que nos une, faz a lógica do universo tremer.
Quando nós dois, somos um só ser.
Não quero ser mais eu, quero ser nós, quero ser você.
Minha religião morena, o doce dos teus lábios é o único Deus que eu quero crer.
O que posso fazer?
Já não vislumbro um futuro, pois minha vida é contigo, só isso que posso ver.
O cansaço que me abate, revigora minh'alma, naquela noite de prazer.
A minha realidade, se torna lampejos desse querer.
Resquícios de você.
Deusa do meu ser.
Meu corpo fatigado, descansa sobre ti; enquanto minha boca, repousa sobre você..."
"O que será de você, depois d'eu?
Quem há de curar-lhe as feridas, quando for-me eu?
Tu me abandonastes, e das feridas que me causara; a saudade, foi a que mais doeu.
Eu sou de ninguém, as vezes sou do mundo, mais eu queria mesmo, era ser seu.
Eu peço, rogo, imploro, por uma eternidade contigo, para Deus.
Essa nossa distância, me faz ateu.
Depois do fim, o que será de ti, o que será d'eu?
O nosso início nunca existiu, e já encontrou um fim, infelizmente morreu.
Enterrado no cemitério da esperança, onde aquele nosso sonho, aquela nossa felicidade, jazeu.
Quisera eu, que em meu leito de morte, houvesse a luz de uma outra vida contigo, mas é só breu.
Eu já não me pergunto o que existe após o jazer, a minha única indagação é: O que será de você, depois d'eu?"
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio o farfalhar das folhas, o doce e sereno bailar das árvores.
Odeio o bafejar do vento, que me assopra a face.
Odeio o pôr do Sol, cuja beleza sublime me remete a ela, minha beldade.
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio o cantarolar dos pássaros e a balbúrdia da cidade.
Odeio tantas coisas, mas eu odeio mesmo é essa distância, nossa saudade.
Odeio a mentira, mas, por tantas vezes, também odiei a verdade.
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio ter que me reencontrar todas as vezes em que me perco no castanho dos seus olhos, meu mar de serenidade.
Odeio sua boca, pois, mesmo estando tão perto da minha, a distância que as separa vai daqui até Marte.
Às vezes, odeio amar-te.
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio meu corpo, pois quando está deslizando sobre o seu, me queima a pele e an alma arde.
Odeio toda religião, pois fiz somente de ti minha divindade.
Odeio as estrelas e a Lua, porque o brilho e a palidez me lembram suas fases.
E por lembrar-me amiúde de ti, amada minha, é que eu amo o fim de tarde…
Como posso eu ter calma?
Sendo que o coração que jurou-me ódio, sei que me ama.
A mesma boca que deveria despir só o corpo também despe a alma.
É amor de peito o que deveria ter sido só amor de cama.
Na madrugada não sou eu, é só o lençol, que por ti clama.
Do que me adianta?
Um amor racional e uma paixão insana?
Perdoe-a, pai, pois ela não sabe o que sente, não sabe a quem ama.
Ela sabe que, a cada toque, meu nome ela chama.
As labaredas, o ardor dessa paixão, o meu ser inflama.
Amá-la transformou-se em blasfêmia.
Nessa cacimba de amarguras, morro e vivo um dilema.
E vivendo tudo isso, como posso eu ter calma?
O cheiro da noite só me causa dor.
Me lembra teu perfume, relembro o seu ardor.
Era intensidade de alma, intensidade de corpo, intensidade de amor.
Eu sei o que sou.
Posso ser louco, demônio, sua divindade, herege, pecador.
Olho o céu, quando chuva, sou gris; quando Sol, sem cor.
O peito, que um dia fora só paixão, hoje parece-me, ser só rancor.
Lembro-me que cada toque, cada beijo, trazia à sua face, aquele belo rubor.
Ébrio de paixão, o meu ser era só furor.
És a mais bela das flores, mulher, hoje eu invejo cada beija-flor.
Fui escravo de um coração, o qual acreditei ser o senhor.
Nem do império, que fantasio contigo, posso ser o imperador.
Só me restaram as vazias palavras, acabou-se meu pundonor.
Das minhas falácias, eu mesmo sou o trovador.
Vislumbro o horizonte e vejo o Sol se pôr.
Ali eu sei que vai se iniciar o meu torpor.
Pois quando a noite vem, o cheiro dela só me causa dor…
Sou prisioneiro do que fora dito, escravo do que ficou por dizer.
Sonho com as palavras que ela não disse, meu pesadelo é sem ela viver.
Ser feliz sem ela, ilusão do meu ser.
O ardor que existia naquele olhar, hoje é um todo blasé.
Dor, sofrimento; à minha existência, já não existe mais prazer.
Ver para crer.
Crer para ver.
És a mais bela, és perfeição, és um coral de anjos, mas o que sou sem você?
Pra um amante da razão, graças à sua ausência, até a loucura estou tentando entender.
Em um quarto escuro, devaneio um futuro impossível e escrevo palavras que sei que ela não vai ler.
A cada dia, a cada hora, a todo minuto, eu luto pra aquela lágrima não escorrer.
Enxurrada de emoções, cacimba de desgosto, poço de dor, o que um dia fora o meu bem-querer.
De dentro da cela dessa paixão, fito a janela e não vejo um novo amanhecer.
Longe do fulgor do seu olhar, não me existe um alvorecer.
Para o meu desalento, os grilhões desse sentimento, sou incapaz de romper.
E por isso fiz-me prisioneiro do que fora dito, quiçá, escravo do que ficou por dizer…
Ela é vilã.
Ela é má.
Ela levou-me até a culpa.
Levou-me também a chance de me desculpar.
Levou com ela o meu perdão e também levou a chance d’eu a perdoar.
Cada face que olho, a cada toque em minha tez, a cada beijo recebido, ela está lá.
Mesmo que ela me deixasse a culpa, eu não saberia a quem culpar.
Ela é vilã.
Ela é má.
Pois ela se foi, mesmo sabendo que é meu Sol, minha luz, meu ar.
Hoje, a loucura tomou conta do meu eu, pois sou grato a essa dor, por fazer-me dela lembrar.
Embebido em devaneios, aquele abraço deu espaço à solidão, e é nela que hoje faço o meu lar.
Pecador que sou, tomei a liberdade de mais um dos capitais criar.
O oitavo e pior dos pecados do homem é amar.
E por pecar demais, do purgatório da sua ausência, não poderei escapar.
Na história que fantasio entre nós dois, estou sempre perdendo, mas não canso de lutar.
E nessas mesmas histórias, ela é a vilã.
Ela é má…
A coisa mais difícil que existe é confiar em mim mesmo. Mas também, como posso confiar em alguém que ama de todo ser alguém como você?
Diz ser ousada, mas não tem ousadia.
Não ousarias ser minha felicidade, minha alegria.
Não ousaria agora, como também não ousara aquele dia.
Não ousarias.
Não ousou um abraço mais forte, um beijo com ardor, aquecer minha alma fria.
Não ousou, não ousas, e sei; não ousarias.
Quem te usa, tu amas; quem te ama, tu usas, e é nesse ciclo que a dor se inicia.
A mente já não sabe o que é memória e o que é fantasia.
Parece-me, tenho as respostas na ponta da língua.
Memória, é seu abandono; fantasia, é contigo uma vida.
Tento roubar o coração de uma mulher com alma de menina.
Sua indiferença é mar; sua gratidão, cacimba.
Tentou ser feliz, mas não com sua felicidade, hoje compreendo sua covardia.
O fizestes porque diz ser ousada, mas em seu âmago sabes, não tem ousadia…
Recordo-me, minha amiga, que naquele dia, naquele instante, eu a fitei com os olhos de completo desejo. Senti-me um louco por fazê-lo, mas também, amiga minha, qual homem nessa terra de horripilâncias não o faria? Ao fitar tal beldade, tal arte desnuda, ela parecia-me ter uma beleza crua, ela parece que nunca fora tocada por essa terra impura. Sei que sou o sal, o pó da terra, minha amiga, sei disso. Às vezes o sei mais que qualquer outro ser, nessa mundana pintura; mas aquela mulher, minha cara, ela fora esculpida em mármore, quiçá em carne, pelas mãos do próprio Deus. Eu sempre acreditei que em seu reino sobre os céus, Deus não tinha nenhum filho preferido, até vê-la naquela tarde quente de outubro, minha amiga, onde o mundo ardia, queimava, e ao fitar-lhe, lembro-me, minh’alma gelara, senti um suor congelante, as mãos frias. Eu, que não acreditava, hoje creio em Deus e em amor à primeira vista e creio não por crer, mas sim porque o sentira...
