Perceber
Um indivíduo do qual não consegue perceber quem está à sua volta e só olha para si, é típico de um narcisista. A alienação impede um desenvolvimento intelectual socialmente; a fragilidade traz o medo do envelhecimento, onde a busca em sentir-se aprovado pelos demais é constante, típico de uma mercadoria e, consequentemente, o egoísmo estético o faz olhar apenas para o próprio umbigo, ao ponto do corpo se tornar o único horizonte relevante do sujeito, infelizmente.
Quando você observa sem interferir, começa a perceber padrões que antes passavam despercebidos. Não apenas padrões de pensamento, mas padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo do tempo. Essa visão clara é o que permite uma transformação real, não baseada em esforço, mas em compreensão.
Existe um ponto sutil na prática em que você começa a perceber que não é apenas o observador dos pensamentos, mas também aquilo que percebe o próprio ato de observar. Nesse momento, a dualidade entre “eu que observo” e “aquilo que é observado” começa a se dissolver, revelando uma consciência que não precisa de posição, esforço ou identidade para existir.
gentileza não é fraqueza, é controle. É você sentir tudo, perceber a dureza do mundo… e ainda assim não deixar isso te transformar em alguém que você não respeita.
Falar do que a gente vive é fácil. Difícil é ter sensibilidade pra perceber que nem sempre estamos bem.
Toda vez que apontamos o erro do outro, sem perceber, abrimos uma janela para que o mundo veja o que ainda está desarrumado dentro de nós.
É essencial desenvolver sensibilidade para perceber o que não está sendo dito.
Nem todo silêncio é paz. Às vezes, ele é um pedido não ouvido.
Sentir saudade é perceber que o amor, de alguma forma, ainda vive... mesmo quando a presença já não está perto.
Tem uma liberdade quase escandalosa em perceber que eu não preciso ter mais nada pra finalmente ser alguma coisa. É estranho no começo, confesso. Porque a gente cresce acreditando que a vida é uma espécie de checklist infinito: quando eu tiver isso, eu viro aquilo. Quando eu conquistar aquilo outro, aí sim eu me torno alguém. E assim a gente vai adiando a própria existência, como se fosse uma estreia que nunca chega.
Eu já vivi muito tempo assim. Era sempre o próximo passo, o próximo objetivo, o próximo reconhecimento. Como se eu fosse uma obra eternamente em reforma, cercada de tapumes emocionais, esperando o dia em que alguém finalmente diria: pronto, agora sim, você está pronta pra ser você. Spoiler da vida real: ninguém vem com esse carimbo.
E um belo dia, sem fogos de artifício, sem trilha sonora épica, eu percebi uma coisa quase desconcertante: eu já sou. Do jeito que está. Com as minhas contradições, com as minhas partes meio bagunçadas, com as minhas versões que nem sempre conversam entre si. Eu já sou suficiente pra mim.
Isso não significa que eu parei de querer crescer. Eu ainda quero. Ainda tenho sonhos, metas, vontades que me puxam pra frente. Mas agora é diferente. Eu não quero ter para ser. Eu quero ter porque já sou. E isso muda tudo. Porque deixa de ser uma corrida desesperada por validação e vira um movimento mais leve, mais consciente, quase um gesto de expansão, não de compensação.
Antes, cada conquista vinha com um peso estranho, como se eu estivesse tentando provar alguma coisa pra alguém, ou pior, pra mim mesma. Agora não. Agora, se vem, é bem-vindo. Se não vem, eu continuo inteira. Olha que conceito revolucionário: eu não me desfaço na ausência.
E tem algo profundamente elegante nisso. Porque quando eu paro de me medir pelo que eu tenho, eu começo a me reconhecer pelo que eu sou. E isso ninguém tira, ninguém compra, ninguém invalida. Não depende de aplauso, de número, de status, de comparação silenciosa com a vida dos outros. É um tipo de riqueza que não aparece, mas sustenta.
O mundo vai continuar tentando vender a ideia de que falta alguma coisa. Sempre falta, segundo ele. Sempre tem um degrau a mais, uma versão melhor, uma meta mais alta. Mas eu aprendi a desconfiar dessa urgência toda. Porque, no fundo, muita gente está correndo não porque quer chegar, mas porque tem medo de parar e se encarar.
E eu parei. E me encarei. E, surpreendentemente, eu gostei do que vi.
Hoje, eu não quero acumular pra preencher. Eu não quero conquistar pra existir. Eu não quero provar pra validar. Eu só quero ser… e a partir daí, viver tudo que vier como um extra, não como uma necessidade.
"E sem perceber, eu estava tão mal Pisicologicamente, que bastou um problema tão pequeno pra minhas lágrimas caírem do meu olho"
0295 "São situações tão diferentes que só a Desfaçatez não deixa perceber... 'Escolher-se' e Ser Escolhido são tão distintas quanto o dia e a noite"
Looping
Tudo é velho. O mundo é uma repetição imutável, não se pode perceber o movimento. Falta-nos a ausência. A voz diz que não há vida. O guia nos abandonou. A noite caiu. A dor é perene, a luz está distante, não se pode recuperar o que o dano finalizou. Os meus músculos estão tensos, o coração apertado, as mãos trêmulas. A liberdade me levou a isso, as infinitas possibilidades. Mas ainda ne resta força para quebrar o encanto: posso ver um dos níveis superiores e me agarro nele. A paciência é amiga. O ar volta a soprar. A tranquilidade nunca foi perdida realmente. Tudo isso é o que acontece no momento.
Um bom dia pra gente se perceber 🌼
Não tem nada mais reconfortante, sereno e tranquilo
do que se perceber em meio ao caos …
A paz de se pertencer,
o calor quentinho de estar aqui.
Confortavelmente inteira,
com olhos de vida.
Ana Caroline Marinato
Sempre sorria. A vida é uma maravilha. Às vezes, o que torna a vida tão amarga é não perceber o quão bela ela é.
