Pegadas
Todas as pessoas que passam em nossa vida deixam marcas. Algumas deixam pegadas de luz e outras de fogo.
Caminhamos por estradas que milhões de pessoas já percorreram. O chão guarda pegadas esquecidas, as árvores guardam memórias silenciosas, e o tempo segue costurando histórias entre aqueles que vieram antes de nós e os que ainda virão.
"Pegadas no coração...
Importante não é o que uma pessoa fala de você para os outros, mas o que você deixou registrado no coração dela. Que ao ouvir uma canção, ela irá lembrar de você... dos momentos que foram marcados e registrados para sempre.
-Van Escher "
“A areia da praia guarda pegadas que o mar ainda hesita em apagar — memórias de passos que o tempo não ousa levar.”
Oh, Itaipu!
eu me desfolho em cada alvorada
no sal do ar, nas pegadas deixadas
na areia que me conhece por dentro,
e sabe do silêncio que carrego no centro.
Tuas águas são espelhos do que fui
e do que ainda serei...
quando me recolho às margens da tarde
e o céu se tinge de tons que só tu sabes dar.
Oh, Itaipu!
tu és poema que me atravessa em ondas
e em cada revoada de gaivotas que ronda
eu me reencontro inteira,
feito concha que escuta a si mesma.
✍©️ @MiriamDaCosta
Satisfatório é ter a certeza que suas sementes e pegadas um dia servirão de sombra e trilha para aqueles que ainda nem nasceram.
As Pegadas Que Deixaremos
Que mundo poderemos esperar em um futuro muito próximo?
Às vezes, durante minhas caminhadas, faço perguntas que o silêncio não responde imediatamente. Pergunto a mim mesmo que mundo estamos construindo e, principalmente, que mundo estamos deixando para nossos filhos e netos.
Se o assunto é educação, vejo crianças que já não têm o mesmo contato com o lápis, a caneta, a caligrafia e as brincadeiras que despertavam a memória e a curiosidade. Vejo professores enfrentando dificuldades para ensinar e jovens que, muitas vezes, chegam à vida adulta sem descobrir o verdadeiro prazer de aprender.
Se o assunto é religião, vejo jovens que pouco conhecem sua própria fé e adultos que se lembram de Deus principalmente quando a dificuldade bate à porta. Talvez precisemos reaprender que a fé não deve estar presente apenas na hora da dor, mas também na hora do agradecimento, da solidariedade e do amor ao próximo.
Se o assunto é trabalho, muitos jovens chegam à idade adulta sem uma profissão e começam a trabalhar cada vez mais tarde. Enquanto isso, o desejo de consumir parece crescer mais rapidamente do que o desejo de construir. Esquecemos, às vezes, que o trabalho também ensina responsabilidade, independência e dignidade.
Se o assunto é política, preocupa-me ver jovens que repetem ideias sem procurar compreendê-las. Um país precisa de pessoas que pensem, questionem, participem e conheçam o papel de seus representantes. Democracia não é apenas escolher alguém nas urnas; é também acompanhar, cobrar e contribuir com ideias para melhorar a sociedade.
Se o assunto é convivência, até os cumprimentos estão mudando. O "bom dia", a “boa tarde”, o aperto de mão, o abraço e tantas demonstrações simples de carinho parecem perder espaço. A linguagem muda, é verdade, mas não podemos permitir que a mudança das palavras leve embora também a delicadeza dos gestos e a capacidade de olhar alguém nos olhos.
Se o assunto é ciclo da vida, não sei exatamente que futuro nos espera. Temos menos filhos, famílias menores, mais animais de estimação, idosos enfrentando dificuldades e sonhos que parecem cada vez mais distantes. Talvez o problema não esteja apenas no que estamos deixando de possuir, mas no tempo que estamos deixando de viver juntos.
E quando penso em felicidade, prefiro perguntar ao silêncio das minhas caminhadas. Ele me lembra que felicidade pode estar nas coisas mais simples: uma conversa, um abraço, uma oração, uma paisagem, ou simplesmente a oportunidade de continuar caminhando.
Mas quando penso em esperança, ainda acredito.
Acredito que o futuro não está pronto. Ele está sendo construído agora, pelas nossas escolhas, pelas nossas palavras e, principalmente, pelos nossos exemplos.
Como peregrino, aprendi que ninguém chega ao destino de uma só vez. São necessários milhares de passos.
Talvez com o mundo seja igual.
Se queremos um futuro melhor, precisamos começar a caminhar em sua direção hoje.
Que possamos plantar agora as sementes de um mundo mais justo, para que nossos filhos e netos possam colher amanhã os frutos da paz, do amor, da educação, do trabalho, da fé, do respeito e da dignidade.
Peregrino Nino Carneiro
Em cada recomeço enxaguam-se as lágrimas que apagaram os caminhos que não mereciam as nossas pegadas.
As pegadas da alma não são rasto nem luz: são o instante em que o ser se desfaz do próprio peso e se torna apenas vibração.
“Não sei onde estou. Se alguém encontrar este diário, não siga minhas pegadas. Elas não estão me levando para casa.”
LIVRO: O Que Devora no Deserto — Contos de Terror de Lendas Esquecidas — Vol. 2
Marcos Elias Antunes
Quanto mais pegadas deixamos na areia do tempo, mais distante fica a primeira, não por perder seu valor, mas porque cada passo que damos amplia a distância entre aquilo que fomos e aquilo em que nos tornamos.
Tem gente que passa pela vida como quem pisa em areia molhada, achando que vai deixar pegadas eternas… e o mar vem, educado e cruel, e apaga tudo sem pedir licença. Aí a pessoa olha para o horizonte e pensa “preciso ser lembrada”, como se a memória dos outros fosse um cofre inviolável. Spoiler nada é.
Olha o caso de Franz Kafka. O homem escreveu como quem sangra em silêncio, pediu ainda por cima que queimassem tudo depois da morte, quase sabotou a própria eternidade. E o que aconteceu Virou um dos nomes mais estudados do planeta. Agora me diz, com toda sinceridade, de que adianta essa fama póstuma Ele não está aqui para ver alguém sublinhando suas frases num domingo chuvoso, tomando café e fingindo que entendeu tudo.
Mesma coisa com Emily Dickinson. Viveu reclusa, escreveu centenas de poemas, guardou tudo como quem esconde cartas de amor numa gaveta. Morreu sem saber que seria lida por gerações. Bonito para a história, meio sem graça para ela, convenhamos.
E aí a gente fica nessa obsessão estranha de querer ser eterno. Como se virar nome de rua ou tema de prova de escola fosse a grande vitória da existência. A verdade é que tem uma certa vaidade nisso, uma tentativa desesperada de negociar com o tempo, como se dissesse “olha, eu vou morrer, mas me deixa aqui pelo menos em forma de citação”.
Mas a vida não é citação de rodapé. A vida é agora, bagunçada, meio torta, com café derramado e pensamentos pela metade.
Tem gente que tenta se imortalizar nos filhos, como se eles fossem uma continuação garantida. Só que não são. São outras histórias, outros caminhos, outras versões do mundo. Um dia, inevitavelmente, alguém lá na frente vai olhar uma foto antiga e perguntar “quem era mesmo essa pessoa?” e pronto, acabou a eternidade familiar.
E não é triste. É só real.
Talvez o verdadeiro legado não esteja em ser lembrada para sempre, mas em ser sentida enquanto existe. É no que a gente constrói, no que ensina, no jeito que marca alguém sem perceber. É aquela conversa que muda um pensamento, aquele gesto simples que fica ecoando na memória de alguém por anos, mesmo sem virar livro, estátua ou documentário.
Porque no fim das contas, a eternidade é superestimada. O agora é que é subestimado.
E tem uma coisa que eu acho quase revolucionária escrever sobre si mesma. Guardar pedaços da própria vida em palavras, como quem cria um arquivo secreto de sentimentos. Não para o mundo, não para a posteridade, mas para aquela versão futura da gente, meio esquecida, meio cansada, que um dia vai abrir um caderno ou um arquivo e pensar “nossa, eu já fui assim”.
Isso sim tem graça. Isso sim tem vida.
Porque ser lembrada pelos outros é incerto. Mas se reencontrar dentro das próprias palavras… isso é um tipo de eternidade que acontece em vida.
Agora me diz, não é muito mais interessante ser protagonista da própria memória do que virar curiosidade histórica?
E já que você chegou até aqui, clica no link da descrição do meu perfil e vem conhecer meus e-books… vai que um deles vira aquele pedaço de você que o tempo não apaga.
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
Quase um diálogo silencioso com as ondas que vêm apagando minhas pegadas na areia, sem me deixar esquecer que, na vida, tudo é passageiro.
As pegadas que você deixou nos caminhos do meu coração, eu as catei, as recolhi e as guardei. E agora, só para que eu te veja feliz, com o meu desejo sincero posso fazer com elas um atalho, uma pequena trilha que seja, por onde outro amor, que não o meu, possa verdadeiramente te alcançar.
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