Pe Fabio de Melo os que te Amam
Vida e morte se dão num mesmo movimento. Morro enquanto vivo, vivo enquanto morro.
Saber perder requer grandeza de alma. Requer colocar o orgulho sob guarda, esse inimigo oculto que nos corrói lentamente (...). É preciso não permitir a autocomiseração, reconhecendo o que foi realmente perdido. Sem idealizações. E sepultar, definir as exatas proporções do que perdemos. Nem menos nem mais.
Não faz sentido exigir que alguém sofra só porque você sofre. É cruel. Não é justo impor aos outros o que não suportamos em nós.
O entendimento não nos chega quando queremos, mas quando dele precisamos, ou quando para ele estamos preparados.
Não se corrige o passado. O único tempo que se submete ao nosso comando é o presente. O agora é o único campo possível para a nossa atuação.
O que ainda espero da vida? (...) Quero o despojamento espiritual, o desprendimento emocional que me permitirá olhar nos olhos dela e dizer: "Vida, minha vida, está tudo certo. A senhora não me deve nada".
O amor que nos é oferecido quando não merecemos nunca pode ser esquecido.
Imaginar seria atribuir categorias humanas que são pequenas demais para se referirem à eternidade. Eu prefiro crer. E crer é esperar. E esperar deixa de ser um verbo sem conexão com a realidade quando decidimos construir os detalhes do que esperamos.
Volto à leitura. A arte me entorpece. O êxtase que ela provoca é um abraço que me envolve com a generosidade do esquecimento. É uma redenção poder esquecer do que em mim é insuficiente, ainda que temporariamente.
Nunca sabemos qual é o tempo exato para cada coisa. Ultimamente tenho sido muito seletiva. Escolho o que ver, o que sentir, o que pensar, ouvir e dizer.
Deixar de desejar, ou melhor, desejar sem as cadeias dos determinismos impostos pela vontade, é um sinal de evolução espiritual. Despir-se de expectativas, desacelerar o movimento dos desejos, acolher o que da vida vier, e só.
De tempos em tempos, o extraordinário se faz necessário.
Foi o que eu precisava. Ocupar a mente e o coração com a arte, elevar o espírito, ampliar a consciência com os recursos da beleza.
A água que mata a sede do chão também o inunda. O fogo que aquece a casa também a extermina. O que separa a solução do problema é a medida.
A sexta-feira é santa, clama pelo respeito, pela recusa dos excessos, pela oportunidade de quarar os sofrimentos do mundo.
É impressionante a facilidade com que nos tornamos especialistas em "vida de outros". Falamos por eles, dizemos como se conhecêssemos as razões de seus erros, sentimentos, opções. Desmerecemos suas vitórias, ridicularizamos suas fragilidades, julgamos suas condutas. Tudo para encobrir o desapontamento de ainda não sermos especialistas em nós mesmos.
