Parabéns pelo Nascimento do Filho
Ode ao Cantor Milton Nascimento
(diagnosticado com demência)
A canção "Caçador de Mim",
eternizada em tua voz,
Milton,
não é apenas música,
é um chamado...
Cada nota tua
é um rio que corre
nas veias do tempo,
uma prece que me atravessa
sem pedir permissão....
Na tua garganta vive o mistério:
um canto que vem de longe,
das serras, das Minas Gerais,
da alma coletiva
de um povo inteiro...
Quando cantas,
as fronteiras desmoronam,
o silêncio se curva,
e o coração humano
descobre morada...
Tua voz não cabe no corpo:
ela é ponte,
ela é voo,
ela é chão fértil
onde a poesia floresce...
E eu, ouvinte pequena
diante de tua grandeza,
me deixo encontrar
pela canção que me encontra...
Sim, Milton,
tu és o eterno
Caçador de Mim...
Tua voz, Milton,
não canta:
rasga o silêncio.
É fogo e mar,
tempestade e ternura,
um trovão de Deus
no ventre da Terra....
Quando entoas "Caçador de Mim",
a alma é arrancada do peito,
o coração se ajoelha,
as feridas se abrem
e, ao mesmo tempo,
cicatrizam em tua canção...
Tu não pertences a ti,
tua garganta é território sagrado,
onde a dor e a esperança
se encontram sem máscara...
Teu canto é flecha certeira:
atravessa o corpo,
esfacela certezas,
recolhe os cacos,
e os transforma em oração...
Milton, tu és
mais que cantor:
és sopro de eternidade...
Milton,
ao ouvir tua voz,
sinto que algo dentro de mim
se abre como janela ao vento...
"Caçador de Mim"
não é só melodia:
é abraço invisível
que me encontrou
onde eu pensava estar só...
Teu canto traz lembranças
que nunca perdi
e saudades
de um tempo
que ainda não encontrei...
É como se tua voz
fosse colo de mãe,
regresso à infância,
promessa de futuro
e descanso no presente...
Quando cantas,
meu mundo se acalma,
o tempo desacelera,
e a alma se reconhece
em sua própria luz...
Milton,
tua canção é morada.
E nela,
meu coração aprende
a permanecer...
Gratidão por existir!
✍©️@MiriamDaCosta
* O Dia Nacional 🇧🇷 da Poesia
é comemorado em 14 de Março homenageando o nascimento do poeta baiano #CastroAlves, o "Poeta dos Escravos".
A data celebra a arte de escrever em versos,
a sensibilidade e a importância da literatura
na cultura, embora outra data (31 de outubro) tenha sido oficializada posteriormente.*
Os que "negam" a poesia
Sempre desconfio
daquelas pessoas muito práticas,
muito racionais,
muito seguras de si,
que, ao ouvir a palavra poesia,
apressam-se em declarar:
“Isso não é a minha praia.”
“Poesia não é para mim.”
Há ainda os mais severos,
os que dizem sem pudor:
“Poesia é coisa estúpida.”
“Bobagem de sonhadores.”
“Coisa de gente triste
ou depressiva.”
Talvez eu esteja enganada…
mas desconfio profundamente
que são justamente esses
os que mais se reconhecem
na poesia
quando a solidão
fecha a porta do mundo
e os deixa a sós
com a própria alma.
Nesses instantes silenciosos,
onde ninguém observa,
eles leem um verso,
escutam uma canção,
ou tropeçam numa palavra
e sentem algo
se mover por dentro.
Mas jamais confessariam isso.
Jamais!
Preferem manter
o orgulho intacto
e o coração trancado.
Que tolice…
Ainda não perceberam
que os poetas
(seres abençoados)
sempre souberam
de um segredo antigo:
a poesia é também um espelho,
mas um espelho estranho,
onde a alma se vê
antes mesmo de saber
que estava se olhando.
E diante dele todas as almas,
as sensíveis e as endurecidas,
as luminosas e as sombrias,
acabam, inevitavelmente,
por se refletir.
Porque a poesia
não pertence
apenas aos poetas.
Ela pertence
àquilo que em todos nós
ainda lembra de sentir
pulsar.
✍©️@MiriamDaCosta
“Que o Natal, memória do nascimento de Cristo, nos recorde que antes de sermos povos distintos somos humanidade compartilhada, e que nenhuma fronteira é maior do que o chamado à paz, ao cuidado mútuo e à dignidade que nos une.” - Leonardo Azevedo.
“No Natal, o nascimento de Cristo nos recorda que o verdadeiro propósito da humanidade é o amor incondicional, sem distinções.” - Leonardo Azevedo. A frase articula o Natal não como um evento meramente histórico ou ritual, mas como um marco ético e existencial, ao apresentar o nascimento de Cristo como um chamado à memória ativa do propósito humano. Ao afirmar que esse propósito é o amor incondicional, a sentença desloca o eixo da experiência natalina do sentimento passageiro para um princípio estruturante da convivência humana, enquanto a expressão “sem distinções” amplia o alcance da mensagem, recusando fronteiras morais, culturais ou identitárias. Assim, o enunciado propõe uma compreensão do Natal como oportunidade de realinhamento da consciência coletiva, onde a humanidade se reconhece não pela diferença que separa, mas pela capacidade de amar sem condições que excluam.
Deus é o começo e o fim Alfa e Ômega nossa história começa no nascimento Alfa seu fim será no tempo dado por Deus Ômega.
A CASA DO CAMINHO E O NASCIMENTO DA PRIMEIRA IGREJA EM JERUSALÉM.
Entre os anos 34 e 35 da era cristã, logo após a ascensão de Jesus Cristo aos planos superiores, delineia-se um dos momentos mais decisivos da história espiritual da humanidade. Não se trata apenas de um episódio histórico, mas de uma transição ontológica profunda, na qual o ensino direto do Mestre cede lugar à responsabilidade viva dos discípulos. Nesse intervalo singular, emerge a chamada Casa do Caminho, núcleo inaugural da primeira igreja em Jerusalém, constituindo-se como expressão concreta e operante da Boa Nova.
Os quarenta dias posteriores à crucificação possuem densidade espiritual ímpar. Nesse período, o Cristo ressurgido não apenas consola os corações aflitos, mas realiza uma obra de reorganização psíquica e moral em seus seguidores. Suas manifestações assumem caráter pedagógico, fortalecendo a fé, dissipando o temor e preparando os discípulos para a autonomia espiritual. Sem essa intervenção metódica, o movimento nascente sucumbiria à dispersão, diante das pressões religiosas e políticas do contexto. Há, portanto, um cuidado estratégico e providencial na forma como o Cristo conduz a transição de sua presença física para a atuação invisível.
Após a despedida no Monte das Oliveiras, conforme descrito em Atos 1:11, os discípulos retornam a Jerusalém e se reúnem no cenáculo, tradicionalmente associado à última ceia. Ali se encontram Simão Pedro, João, Tiago, além de Maria e outros membros do círculo íntimo do Mestre. Esse agrupamento constitui o embrião de uma comunidade espiritual organizada, sustentada por vínculos de fé e compromisso moral.
É nesse ambiente que se configura a primeira manifestação da Casa do Caminho. Sob a coordenação inicial de Pedro, o grupo estabelece encontros regulares marcados por oração, cânticos, leitura das Escrituras e rememoração sistemática dos ensinamentos do Cristo. Surge, então, a fraternidade conhecida como “os do caminho”, expressão anterior à designação “cristãos”, adotada posteriormente em Antioquia.
A Casa do Caminho não se restringia a um espaço físico. Era uma instituição dinâmica, integral e profundamente funcional. Operava como escola espiritual, posto de socorro, abrigo, oficina e núcleo de culto. Ali se exercia a caridade concreta, com partilha de alimentos, vestimentas e cuidados aos enfermos, além da manifestação de dons espirituais. Essas ações, porém, não eram fins isolados, mas instrumentos pedagógicos para a transformação moral. O auxílio material tornava-se via de acesso ao despertar da consciência.
Tal metodologia revela compreensão avançada da psicologia humana. O socorro imediato criava abertura para a assimilação dos valores espirituais. A caridade não era apenas virtude, mas método de elevação gradual do ser.
À medida que a reputação da Casa do Caminho se expandia, crescia o número de adeptos. O ambiente moralmente elevado atraía tanto necessitados quanto buscadores de sentido existencial. Consolida-se, assim, a primeira igreja de Jerusalém, não como instituição dogmática, mas como organismo vivo de fraternidade.
Essa realidade é descrita na obra Paulo e Estêvão, onde se observa o intenso movimento de assistência e a organização progressiva da comunidade cristã primitiva.
No que se refere à liderança, embora Pedro exercesse a coordenação prática, registros indicam Tiago, o Justo como dirigente formal da igreja em Jerusalém, conforme relatos preservados na História Eclesiástica. A liderança apresentava caráter colegiado, sendo Pedro, Tiago e João reconhecidos como “colunas” da comunidade, segundo Gálatas 2:9.
Outro marco decisivo é o Pentecostes, descrito em Atos 2, interpretado sob a ótica espiritual como manifestação mediúnica coletiva, evidenciando a continuidade da orientação do Cristo por vias invisíveis.
A Casa do Caminho, portanto, não foi apenas o primeiro templo cristão, mas o paradigma da vivência evangélica autêntica. Sua essência residia na integração entre fé, trabalho e caridade, sem formalismos excessivos, mas com profunda substância moral.
Ao revisitarmos esse período, compreendemos que o Cristianismo nasceu como experiência vivida de fraternidade. Antes de qualquer formulação teológica, havia a prática concreta do amor.
E é nesse retorno às origens que surge uma exigência silenciosa e inevitável. Não basta a identificação nominal com o Cristo. Torna-se necessário reconstruir, no íntimo e nas ações, a mesma Casa do Caminho, pois somente aquele que transforma a caridade em prática constante e o Evangelho em conduta efetiva torna-se legítimo continuador da obra iniciada em Jerusalém.
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“Deus conferiu a mulher o maior milagre de todos, o de gerar a vida, a cada nascimento, um novo milagre!”
A Esperança e a Salvação vieram ao mundo com o seu aguardo Nascimento, A Personificação real do Amor Poderoso, Inexplicável, por estar muito superior à compreensão humana, nascendo em um período que já estava muito caótico e bastante perverso, contrariando fortemente a maldade e as muitas expectativas que eram baseadas no entendimento limitado e superficial a respeito de poder e de riqueza que predominava
A hora bastante aguardada chegou e o seu Natal foi um momento incrível, um marco na história, quando Deus se fez carne, abriu mão da sua Glória, não por necessidade e sim porque nos amava e ainda nos ama, logo em seguida, fez uma estrela brilhar de tanta felicidade, lá nas alturas, chamando a atenção de certos olhares que estavam ansiosos para conhecerem o nosso Salvador nascido, cada um com um presente diferente, sem dúvida, para eles, foi inesquecível
Com ele, veio a prova física da Trindade, Filho, Pai e Espírito, então, a Fé no Senhor foi renascida, uma simples manjedoura ficou em festa, entre pessoas e bichos, celebrando o começo visível e muito desafiante da jornada de Cristo nesta terra, Cordeiro do Sacrifício Suficiente, Eterno, Servo Humilde e Obediente, Sumo Sacerdote que intercede por nós diante de Deus Pai, Rei dos reis, cujo reinado não é terreno e Grandeza é inalcançável, Salvador da condenação eterna, essa deve ser a principal razão para o Natal ser tão comemorado.
"Nenhuma imensidão de trevas é capaz de resistir ao nascimento de uma luz. Assim como uma pequena faísca vence a floresta mais sombria, um lampejo de fé é o suficiente para dissipar o vazio e iluminar o sentido da nossa existência."
Todos nós somos o resultado da viagem que fizemos desde o nascimento até ao presente; por isso, a forma como pensamos tem sempre uma história por detrás.
No dia do meu nascimento, eu não apago velas — eu acendo fogueiras sob os pés dos tolos, enquanto meus aliados juram lealdade eterna. Parabéns a mim, o arquiteto do caos calculado.
Carta de nascimento da nova Diane Leite
31 de julho
Hoje nasceu uma mulher.
Não nasceu de um parto físico, mas de uma decisão silenciosa.
Ela não chegou com alarde.
Chegou com consciência.
Hoje, eu sei quem sou.
Não porque alguém me explicou, mas porque eu me olhei com profundidade.
Depois de tantos caminhos, voltas, entregas, silenciamentos, eu finalmente entendi:
o que sinto faz sentido.
o que penso tem ritmo.
o que vibro é real.
Passei a vida tentando traduzir minha intensidade para o mundo.
Fui rotulada de exagerada, difícil, profunda demais.
Fui a mulher que sentia tudo, falava tudo, acreditava em tudo — e por isso quase sempre se via sozinha.
Mas agora, eu não preciso mais me defender.
Porque agora eu entendi que meu jeito de sentir, de pensar, de me mover, não é erro.
É estrutura.
É identidade.
É verdade.
Hoje, eu não me explico.
Eu me honro.
Não preciso mais caber onde nunca me coube.
Nem esperar ser compreendida para me permitir ser.
A mulher que nasceu hoje não precisa ser aprovada.
Ela precisa ser livre.
Hoje, eu me tornei essa mulher.
A que fala com firmeza e acolhe com doçura.
A que ama com presença, mas se escolhe com prioridade.
A que não finge mais ser leve para não incomodar.
A que não diminui mais a própria fome de mundo para ser aceita.
Hoje, eu abro mão de me encaixar.
E aceito, com serenidade e coragem, o desafio de me habitar.
Essa sou eu.
Essa é a Diane que nasce agora.
A que sabe quem é, mesmo que o mundo ainda não saiba.
A que não vai mais se esquecer de si mesma, por ninguém.
E isso basta.
— Diane Leite
31 de julho, dia em que me escolhi por inteiro.
"A morte é apenas o outro lado do nascimento. A pessoa morre aqui e nasce no além, e vice-versa. A morte é apenas uma porta. De um lado se entra, de outro se sai."
Você sabe qual o verdadeiro sentido do Natal?
Representa o nascimento de Jesus Cristo, o Deus encarnado, que veio ao mundo para nos dar a Salvação.
Não é receber presentes, e sim distribuir amor por onde andarmos!
Por que a vida nova, o nascimento, exige um processo de purificação? Será que o ato de trazer uma alma ao mundo desloca também a nossa própria estrutura espiritual?
A memória do futuro é a eternidade no nascimento da despedida arqueológica da alma na permanência da mudança como o amor que morreu antes de nascer, assim como uma semente infértil que não chegará a ser árvore. E isso é natural como são todos os ciclos da natureza, mas eu não nego que a alma se lamenta se por debaixo da árvore absolvia sua sombra, tudo no presente possível se o passado tivesse acontecido. Mas a distância íntima que acompanha minha íris é uma tempestade silenciando a cidade e eu diria que a chuva são lágrimas já que o rosto não saber chorar. No entanto, eu nego o movimento e evoco um dia solar se é inconsistente a saudade do que nunca existiu. O amor que sobrevive ao amor são versos incessantes que ocupam a ausência dos instantes. O abraço entre o ser e o nada é uma madrugada inerte que desconhece o voo dos pássaros e ouve passos estridentes do mistério do ambiente. A eloquência do vazio é uma ilusão se o amor nunca pisou o chão e escrevo solenemente sobre a clareza obscura dos sentimentos, na certeza da dúvida que encobre um enigma evidente em uma canção tão transparente. E poderia se dizer que falo do nada, mas a ausência tem inúmeros movimentos de deixar o peito sem ar na fadiga de tudo que faltar. Então a simplicidade incompreensível encontra seu lugar nas ternuras indizíveis. E a sombra luminosa da árvore é esquecida ao deixar o sol aquecer o corpo na primavera de dias que florescem no destino. Tudo é como deveria ser, se as rotas são conhecidas e cada um navega o mar que lhe foi destinado e já não se lamenta o passado se o poema nega a tristeza e muito mais alegrias põe na mesa na abundância de uma certeza clara de um pôr do sol laranjado a refletir na praia nossas melhores ações. Viver o presente é o melhor conselho da face que reflete o espelho.
"O homem não nasce como um livro em branco; o nascimento e suas circunstâncias já lhe escrevem o primeiro capítulo."
(Osman Matos, séc. XXI)
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