Para Falar de Si Mesmo
Temo mais a mim mesmo do que os perigos desse mundo caído e das potestades do mundo tenebroso; por isso ó Deus, rogo-Te que me livre de mim mesmo.
“Ninguém poderá te defender de você mesmo, porque os maiores tribunais da vida funcionam dentro da própria consciência. E é diante dela que todos nós, cedo ou tarde, precisamos prestar contas.”
“O maior medo do homem é o encontro consigo mesmo; porque nesse encontro morre o personagem, desmorona o ego e nasce a única pergunta que a mente sempre tentou silenciar: quem sou eu quando deixo de fingir que sou quem nunca fui?”
“Todos estamos condenados ao mesmo destino: a morte. Mas alguns cumprem a sentença apenas sobrevivendo; outros a transformam em legado. A diferença entre existir e viver está no que fazemos enquanto o tempo nos executa.”
Vamos repensar?
Heráclito — “Ninguém entra no mesmo rio duas vezes.”
“Não entramos no mesmo rio duas vezes porque nem o rio nem nós permanecemos iguais. Porém, muitos passam pela vida mudando externamente enquanto permanecem presos internamente às mesmas águas.”
Carlos Eduardo Balcarse
A Pedagogia do Gosto
Ou: por que gostamos do que gostamos antes mesmo de sabermos quem somos?
Você já parou para pensar por que gosta das coisas e das pessoas de que afirma gostar?
Não estou perguntando do que você gosta.
Estou perguntando quem decidiu aquilo que você chama de gosto.
Existe uma diferença abissal entre possuir um gosto e ser possuído por ele.
Talvez a maior ilusão da liberdade seja acreditar que escolhemos aquilo que apenas herdamos.
Antes de escolhermos nossos gostos, eles já nos haviam escolhido.
Eis a tragédia.
A humanidade aprendeu a perguntar “do que você gosta?”, mas esqueceu a única pergunta capaz de desmontar a própria consciência:
“Quem ensinou você a gostar disso?”
Talvez o gosto seja o comportamento mais subestimado da história da humanidade.
Porque ninguém desconfia dele.
Desconfiamos da política.
Da propaganda.
Da religião.
Da mídia.
Da ideologia.
Mas raramente desconfiamos do próprio desejo.
E justamente por isso ele se torna o mecanismo de manipulação mais eficiente já criado.
Afinal…
Quem domina seus desejos nunca precisará dominar você.
Bastará esperar que você caminhe voluntariamente na direção que ele planejou.
É por isso que o senso comum comumente mente.
Ele não mente apenas porque diz coisas falsas.
Ele mente porque faz parecer espontâneo aquilo que foi cuidadosamente aprendido.
Chamamos isso de opinião.
Quando, muitas vezes, é apenas repetição com boa dicção.
Chamamos isso de personalidade.
Quando talvez seja apenas memória social.
Chamamos isso de autenticidade.
Quando frequentemente é apenas imitação bem ensaiada.
Talvez você nunca tenha gostado de muitas das coisas de que diz gostar.
Talvez você apenas tenha aprendido que gostar delas aumentaria suas chances de pertencimento.
O pertencimento tornou-se mais importante que a verdade.
E quando pertencer vale mais do que pensar, pensar torna-se um risco social.
O ser humano não teme apenas ser rejeitado.
Teme descobrir que nunca pertenceu a si mesmo.
Observe uma criança.
Ela pergunta.
Experimenta.
Recusa.
Insiste.
Questiona.
Agora observe um adulto.
Ele confirma.
Repete.
Compartilha.
Defende.
Ataca.
Mas raramente investiga.
A infância possui curiosidade.
A maturidade moderna possui algoritmo.
O algoritmo não cria gostos.
Ele apenas organiza, acelera e recompensa aquilo que você nunca teve coragem de examinar.
Ele transforma tendências em identidade.
Preferências em personalidade.
Consumo em caráter.
E você chama isso de livre-arbítrio.
Talvez nunca tenhamos consumido produtos.
Talvez tenhamos consumido identidades.
Compramos roupas para vestir pertencimento.
Compramos livros para vestir inteligência.
Compramos opiniões para vestir consciência.
Compramos discursos para vestir virtude.
Compramos estilos de vida para esconder a ausência de uma vida própria.
O mercado percebeu aquilo que muitos filósofos ignoraram:
As pessoas compram aquilo que desejam parecer.
Muito antes de comprarem aquilo de que realmente precisam.
Porque o ser humano não consome apenas objetos.
Consome versões imaginárias de si mesmo.
Por isso seguimos pessoas.
Não necessariamente porque admiramos quem elas são.
Mas porque desejamos experimentar quem acreditamos que nos tornaríamos ao imitá-las.
A admiração, muitas vezes, é apenas inveja social sofisticada.
E a inveja, por sua vez, é a confissão silenciosa de uma identidade mal resolvida.
Quem não sabe quem é transforma qualquer referência em destino.
Quem não construiu um interior passa a morar na aprovação alheia.
E quem mora na aprovação dos outros vive despejado de si mesmo.
Talvez seja exatamente por isso que a maioria das pessoas nunca pensa no que pensa.
Porque pensar sobre o pensamento é colocar em julgamento o próprio juiz.
É permitir que a consciência investigue a consciência.
É aceitar que o observador também precise ser observado.
Poucos suportam essa audiência.
Porque ela não acontece diante da sociedade.
Acontece diante da própria verdade.
É muito mais confortável defender uma ideia do que investigar por que precisamos tanto dela.
É muito mais fácil amar um símbolo do que descobrir por que necessitamos desesperadamente dele.
O problema nunca foi gostar.
O problema é nunca ter interrogado o gosto.
Todo gosto não investigado torna-se uma crença disfarçada.
Toda crença não investigada transforma-se em identidade.
Toda identidade não investigada converte-se em prisão.
E a pior prisão é aquela cuja chave carregamos no bolso sem jamais suspeitar de sua existência.
Talvez seja por isso que existam pessoas que mudam de opinião com facilidade.
E outras que defendem opiniões como quem defende a própria sobrevivência.
Porque, para elas, abandonar uma ideia significaria perder quem acreditam ser.
Mas quem depende de uma ideia para existir nunca encontrou a própria identidade.
Encontrou apenas um abrigo psicológico.
Existe uma pergunta que considero mais importante do que todas as outras.
Não é:
“Do que você gosta?”
Nem:
“Quem você ama?”
Muito menos:
“No que você acredita?”
A pergunta é outra.
“Quem seria você se nunca tivesse sido ensinado a gostar do que gosta, admirar quem admira e acreditar no que acredita?”
Se essa pergunta lhe causa desconforto, talvez ela esteja mais próxima da verdade do que todas as respostas que você colecionou até hoje.
Porque a consciência não nasce quando encontramos respostas.
Ela nasce quando finalmente aprendemos a desconfiar das perguntas que nunca fizemos.
E talvez a maior evidência de maturidade não seja pensar diferente da maioria.
Seja pensar diferente de si mesmo, sempre que a verdade exigir.
Meu lema é este:
Quem não pensa no que pensa jamais saberá por que gosta do que gosta; e quem não descobre a origem do próprio gosto dificilmente descobrirá a origem de si mesmo.
Porque o gosto molda escolhas.
As escolhas moldam hábitos.
Os hábitos moldam o caráter.
O caráter molda o destino.
E tudo isso pode ter começado com uma única pergunta que você nunca fez:
“Isso realmente nasceu em mim… ou apenas encontrou em mim um lugar para morar?”
Uma alma entrelaçada à minha.
Há momentos em que nem mesmo o dinheiro — e muito menos o status — consegue nos fazer bem.
Às vezes, tudo o que precisamos é estar ao lado de quem amamos, compartilhando um vinho bom e barato, relembrando histórias da infância e rindo dos micos que cometemos — por erro ou por escolha.
São risos borbulhantes, daqueles que explodem e, depois, parecem se transformar em borboletas coloridas de felicidade, levando consigo pensamentos leves e desejos de um bem maior.
E, então, a vida se torna colorida. Os sorrisos se intensificam e se transformam em gargalhadas abundantes. Porque existem momentos simples que valem mais do que qualquer dinheiro ou status.
Você sempre foi — e sempre será — uma alma entrelaçada à minha.
Te amo, minha irmã.
Te amo, Ni.
Mesmo que a minha razão diga que é impossível, eu vou crer; pois Deus não é apenas Soberano, Ele é Muito Bom, e mais ainda, Ele é Amor.
Crê até o fim, mesmo que todos os homens tenham se desviado e tenhas ficado fiel sozinho.
Os irmãos Karamázov
Arminianismo Brasil
Deus já sabia pelo Seu pré-conhecimento que Faraó resistiria a Sua voz (Êxodo 3.19), mas mesmo assim deu oportunidade para Faraó libertar o povo, porém ele "escolheu" desobedecer à ordem que foi enviada através de Moisés (Êxodo 5.2)! Deus não interfere em nosso livre-arbítrio, mas age de acordo com Seu pré-conhecimento, pois o fato dEle saber o que vai acontecer em qualquer contingência humana mesmo antes de nascermos (Jeremias 1:5), não significa que Ele passa por cima da escolha humana ou que fomos predestinados para tal fim; vemos isso claramente em Gênesis 3.
SEM RESPOSTA
Queria mesmo ter uma resposta pra tudo,
porém, percebi que não vale a pena.
Pois, nem sempre seria a resposta que eu mesmo queria.
Imagine, se agradaria a outros.
O capitalismo e o socialismo cortam o mesmo pão para se alimentarem, com a sutil diferença de que apenas o segundo utiliza suas mãos para recolher as migalhas deixadas pela ambição do primeiro.
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