Para Falar de Si Mesmo
Cuidar da mente é cuidar de si. Ouvir, acolher e compreender também são formas de transformar vidas.
A verdadeira paz começa quando você encontra dentro de si um estado de equilíbrio que não depende de tudo estar perfeito ao seu redor.
O mundo externo não precisa determinar o seu mundo interno.
você pode perder muitas coisas na vida,
mas nunca deve perder a si mesma.
Se escolha sempre.
Você também merece ser prioridade.
Helaine Machado
O homem é um ser político, e questionador por si só, não
podemos fechar os olhos para
política, e deixar-nos ser levados
como gado, que com os olhos
vendados é levado ao matadouro...
Não é pelo bem em si, é pelo tempo, é pelo sossêgo, é pela paz, é pela sanidade, é pela honra, é pela identidade, é pelo meu nome, é pela liberdade, é pela raiva do anseio do medo, é pelo abandono do ser, é pela vontade de viver, é pela luz que se foi. Você não me tirou apenas trocados, você me desgovernou dos trilhos e assim vou passar por cima com tudo antes que eu passe por cima de mim.
Não esqueça: a noite também vagueia quando um coração está ferido. Num coração ferido, um simples boato é capaz de derrubar um império.
Dói aceitar que o nosso 'para sempre' virou um 'era uma vez', e que agora só nos encontramos no silêncio das minhas lembranças.
Mãe
Ela não comprava pra si,
comprava para as filhas.
Não comia primeiro,
servia primeiro as filhas.
Deixava o seu sonho de lado,
para viver o sonho delas.
Escola particular sem poder,
trabalhando dia após dia.
com ajuda da vovó
mas com o amor todo dela.
Ela fez faculdade paga,
mesmo sem poder pagar,
porque mãe dedicada
acha que amor é dar.
E um dia escuta
que nunca incentivou...
Dói. Dói fundo na alma.
Parece que tudo que fez,
se apagou.
Mas não se apagou, mãe.
Nenhum prato que você deixou de comer,
nenhuma roupa que deixou de comprar,
nenhuma noite sem dormir,
se apaga com uma frase.
Você foi e é dedicada.
Você fez o seu melhor.
E o seu melhor foi muito.
Foi tudo.
Fica em paz, mãe.
Quem planta com amor,
um dia a colheita vem.
Mesmo que hoje a ingratidão doa,
o seu valor ninguém tira de você.
Você foi gigante. E ainda é.
A verdadeira libertação está em vencer a si próprio, a suplantação dos desejos primitivos é o gesto supremo de liberdade.
Há quem veja nas tuas escolhas motivo para julgamento, mas não encontra em si a capacidade de amar o teu ser. (Furucuto, 2025)
Quem pratica o mal carrega em si o medo daquilo que pode limitar o seu poder de destruição. Pois, todo o mal sabe, ainda que silenciosamente, que existe algo capaz de o conter. Reconhecer esse limite é, por vezes, o único caminho para desarmar os desígnios da maldade. Furucuto, 2026
Cada luta, cada lágrima derramada no altar do sofrimento, carrega em si a sagrada oportunidade de transmutação. O coração, quando partido, abre-se para uma compaixão mais profunda; o espírito, quando abalado, encontra resiliência que desconhecia. Aceite esses mestres silenciosos, pois eles não vêm para punir, mas para polir. A dor é a oficina divina onde o caráter é forjado e a sabedoria, lapidada. Confie. Respire fundo no meio do caos. Você não está sendo destruído, está sendo remodelado para uma versão mais forte, mais sábia e infinitamente mais bela. A luz que você busca nasce justamente da escuridão que hoje o envolve.
"Recomeço" é uma chance que dás a si próprio, "mudança" é uma oportunidade pra não viver a rotina dos erros.
PRESENÇA ADVAITA
A travessia do ser que deixa de lutar contra si
A cidade ainda não dormiu.
O ar tem cheiro de chuva e café esquecido.
Há buzinas, passos apressados, vozes cansadas atravessando a noite.
Aqui dentro, a casa fecha as pálpebras e o corpo desaperta os ombros.
A respiração desacelera, como se o tempo, por um instante, perdesse a pressa.
Não é iluminação, é pausa.
Não é milagre, é o cansaço que aprende a sentar.
No intervalo entre o que se esgota e o que começa, algo desperta.
É mais sopro que ideia, mais pele que palavra.
Viver é sentir.
Sentir é o único gesto que não mente.
É quando você acontece.
Não chega, se revela.
Nada em você exige lugar, mas tudo muda à sua volta.
O ar fica mais leve, as sombras perdem pressa.
O silêncio ao seu lado tem temperatura.
Parece uma mesa posta no meio da alma.
Você toca o lugar em mim que sempre esperou,
e algo, enfim, consente.
Ainda com medo, eu consinto.
Não há urgência, há respeito.
A ternura não anuncia sua entrada,
ela simplesmente chega e fica.
O medo, visto de perto, se torna pequeno.
A dúvida, cansada, adormece na varanda do peito.
O que antes era abismo agora é chão molhado,
com marcas de quem passou e ficou.
O ser é o campo onde o medo e o amor se escutam.
Ali, o humano e o eterno se olham sem querer vencer.
Quando há escuta, o silêncio deixa de ser muro e vira ponte.
Antes da calma houve deserto.
Antes da ternura, ferida.
Já temi o que mais amava,
já fugi do que me curaria.
Até que o orgulho se desfez,
e a suavidade entrou pela fresta da noite.
Nem tudo em mim é paz.
Ainda há grito guardado,
e o eco às vezes volta sem aviso.
Mas ele já não fere, apenas me devolve à carne.
O amor que prende é medo disfarçado de zelo.
O amor que acolhe tem mãos abertas e chão firme.
Nele, dois seres se olham sem truques.
Ambos feridos, ambos atentos.
Sabem que o outro teme, e ainda assim permanecem.
Eu tropeço.
Duvido.
Às vezes quero trancar a porta e esquecer o mundo.
Mas é a dúvida que me devolve à fé,
essa fé pequena, feita de respiração e paciência.
Só quem sente profundamente aceita não entender tudo.
Com você, o tempo não desaparece, ele respira.
A casa continua casa, o mundo continua áspero.
Há contas, filas, injustiças e gente que carrega o dia nas costas.
Mesmo assim, algo em nós encontra um ritmo bom,
um espaço simples onde a ternura sobrevive.
Não busco eternidade, busco verdade.
Prefiro o instante vivido à promessa que não cumpre calor.
O que é real não morre, apenas muda de rosto.
A presença é o milagre discreto que sustenta o mundo enquanto ninguém vê.
Não há promessa, há encontro.
Não há destino, há travessia.
Você não chega, acontece,
como chuva breve em tarde quente,
lavando o pó do que restou.
A plenitude não está em domar os sentimentos,
mas em atravessá-los inteiros.
Quando compreendo o medo, o amor deixa de ser fuga
e vira casa com portas que abrem por dentro.
Nem tudo que acalma cura.
O silêncio também corta,
mas é corte que limpa,
como mar depois da tempestade.
Às vezes a luz arde antes de iluminar.
Às vezes o amor desmonta o que eu usava para me proteger.
Se o tempo nos afastar, a presença não parte.
O sentir muda de tom, como maré que recua
só para lembrar que voltará.
Você é travessia,
o agora entre duas incertezas,
a prova de que o amor pode existir sem fazer barulho.
Se o silêncio for tudo o que restar,
ainda assim haverá amor.
O que é verdadeiro não precisa ser dito.
O toque fica mesmo quando a mão já se foi.
A lembrança não pede voz,
a pele ainda sabe o caminho.
Ser forte não é erguer muralhas,
é continuar sensível quando o mundo pede dureza.
É olhar o outro e ver o mesmo espanto,
a mesma fome de não ferir.
Escolho te sentir.
Não para possuir, mas para reconhecer.
Não para vencer, mas para ser verdadeiro.
Se o sentir trouxer dúvida, que venha.
Que confunda e console.
Que assuste e cure.
Que desfaça o chão só para mostrar o céu que sempre esteve ali.
Entre nós talvez não haja nome,
e tudo bem.
O real prefere ser vivido a ser explicado.
O amor que nasce quieto é o que mais permanece.
Ele não disputa palco, respira.
É o som do ser se reconhecendo no outro.
Quando o ser se torna simples, o medo aprende a ouvir.
Nada precisa ser vencido quando é compreendido.
A sabedoria não nasce da força,
mas da entrega.
Do instante em que o ser para de fugir de si
e percebe que nunca houve vazio,
apenas verdade esperando espaço.
A cidade enfim silencia.
Uma janela apaga, outra acende.
O ar cheira a terra molhada.
E no reflexo do vidro, eu me reconheço.
O silêncio me olha,
e nele eu ainda vejo.
Nos meus sonhos mais reais, eu imaginei ter você nele, e dentro dele eu pude sentir o verdadeiro significado de não querer acordar.
