Paixão
Necessito estar exausta, para ser pobremente útil
Ferida para ser finalmente forte
Estar apaixonada, para não me sentir desamparada
Ser autodestrutiva, para conhecer um tanto da bondade em meu coração
Jejuar, para perceber o quão meu corpo pode ser belo
Me sinto tão vazia que preciso do meu próprio veneno para ser a boa parte que habita em mim.
Texto autoral
Apaixonada pela arte, encontro-me na moda uma forma de expressar minha elegância, enquanto a escrita se transforma em meu papel para capturar a beleza e a essência de cada momento.
Em cada verso um suspiro, em cada linha paixão, ser poeta é transforma a vida em poesia e fazer o simples ser emocionante.
Desastre eminente
paixão proibida
E teve o que quis
Desejou e realizou
Mas o medo era maior que a satisfação
sucumbi e aceitou qualquer migalha
Era o que tinha e foi tudo que teve
Se decidiu em segundos
Não esperava nada além
E foi tudo de uma vez
E foi de mais, não houve trégua
Não ousou intervalos
Não pensou muito no perigo
Só sentiu, sentiu sentir
Sem trégua para decidir
Sem ar para respirar
Sem segunda chance
Tudo de uma vez
E um pouco de tudo
Sem permissão
Tomou o que quis
e não aguentou
Não teve força para desistir
Misericórdia dessa alma
Que lutou contra e a favor
Que desejou não desejar
mas desejou sonhar
pelo desejo clandestino
E quis não querer, mas quis de todo coração ter
E depois se arrependeu
No mesmo instante que acabou
Desejava não mais ter
Mas já tinha amostra para sempre
Era inevitável sentir
Como sentimento explodido
Foi libertado e estava liberado
Para morrer por dentro
Para nunca ser exposto
Foi tudo que tinha e foi à toa
Não valeu de nada e nunca valerá
Deve voltar para o casulo
Mas o fluído foi liberado
A lagarta virou borboleta
Não volta a ser o que era
Foi corrompida para sempre
Um sentimento além do tempo
Que não era sentimento, era falha
Era o próprio casulo
Que agora não mais imaculado
É corrompido e atingido
Como uma flecha que passa pela carne
Passageiro do tempo, desembarcou
Sentiu de mais a flor da pele
Queria mais, e era tudo que queria
Não teve escolha
Uma vida encubada e liberada em segundos
O pavor da perda foi maior que a frustração conhecida
Se tornou só memórias avassaladoras
De uma sentimento sem meio só fim
Onde por anos não conseguiu se livrar
E ficou adormecido como vulcão
E no momento da erupção se apagou
Não sobrou nada
Totalmente dês corrompido
Como se não houvesse depois
Como se não houvesse futuro
O sentimento passou como água sobre a ponte
A tempestade foi acalmada
E só deixou rastro de dor crescente
Dor da perda absoluta
Dor da causa injusta
Dor do amor se transformando em poema
Completamente e absolutamente desejado
Previsto e decidido para sempre
Agora só sente vazio
que para sempre existirá
Mas que fazia parte do processo
Era aceitável até esse ponto
Mas corrompeu até os ossos
Não restou um minuto do antes
E foi agudo
Genuíno
Insaciável
Estava feito
Consumado
Resolvido
Desmaculado
Des rescentido
Des desejado
Foi tudo por ego
Foi tudo em vão
E a alma chorou
E a água não lavou
E o joelho se dobrou
E a carne descansou
E o sentimento adormeceu
Mesmo querendo acordar
Não sobreviveu ao desejo de mais
Que nunca teria e sabia
Amostra única e intensa
De um futuro inexistente
De um pecado carnal
Cometendo a falha da criação
Do esboço da perfeição à negação da mesma
Em segundos se tornou tormenta
Imperfeição da sociedade
Punição do conhecimento
Não cabia mais nada além do que sentiu
E deixou de sentir até se esquecer
Depois desapaixonou
Assim como começou terminou
E não queria assim
Queria completo e completamente
Mas por culpa da prisão
Se acorrentou no próprio ego em vão
No dia seguinte questionou
Pra que tanto e porque menos
E se só tinha aquele momento
Porque não aproveitou totalmente
Precisou passar para perceber
Que o segundos voaram
Como águia faminta
E o desejo se acalmou
Mas deixou saudade do primeiro contato
Do primeiro toque genuíno
Do primeiro rastro de arrepio
E a tempestade de tremedeira
Da adrenalina produzida na veia
Veio a tona
E foi de mais
Não suportou
Se culpou
Se arrependeu
Se tocou da realidade
Da intimidade
Da vontade
Do adeus inevitável
Do pra sempre do medo
Do fim descomplicado
Do começo antepassado pelo agora
Do tempo administrado
Da penumbra do sonho ao lembrar
Do pesadelo do sentimento ressentido
E no mesmo segundo que acabou
Queria relembrar
Como ler seu livro favorito pela primeira vez
Mas só descobrir que é o favorito quando ler
Queria esquecer para sentir de novo o novo
E não mais ter
E não mais conseguir coragem
E querer esquecer a verdade trágica do querer
Do medo entre o coração e a realidade
E ela sentiu novamente a todo tempo
Em seus devaneiros
Desde o primeiro toque até o final
Se lembra do gosto, do gole a seco
Do paladar de adrenalina quente
Da saliva sugada
Do paladar desconhecido e agradável
Do exagero de sabor humano
Do rastro de catástrofe deixado
Só em fechar o olho sente
E não quer abrir
Quer lembrar e esquecer a todo tempo
Só pede a Deus uma cura
Antes de morrer com o medo
Que a vida vala a pena depois
Que não seja desperdiçada nem trocada
Como poema rabiscado
Querendo ser reescrito após amassado
O desejo foi libertado e volta a sufocar
Bem pior que antes
Agora era questão de tempo
Para a memória invadir de tocaia
De cada palavra e suor voltarem ao lugar
Como se adiantasse
Na entropia humana
O sentimento misturou com medo
A desordem do caos foi absorvida
E veio a tona
Desejada
Polida
Catastroficamente planejada
E ao mesmo tempo a calmaria
Da perfeição humana em fazer sentir
E sentir muito
E não querer mais nada
Além do momento
E a pobre alma pede a Deus
Um minuto de paz após
Que seu coração rasgado
Estilhaçado
Se regenere
Como a pele queimada
Que a ferida aberta se feche
Não devia ter machucado
Porque não havia lança
Nem arma
Só a carne delirante
Carne com carne
Como paleolíticos ancestrais
Como lobos famintos
Sensíveis ao cheiro de sangue
Sensíveis a qualquer movimento da presa
Num único desejo de devorar se devorou
Se isso não for suficiente
Reza a todo momento
Que o fim eminente
Rasteje como anfíbio
Demore a chegar
Ou nunca chegue ao destino
Que cada moldura de visão
Seja deixada coberta para sempre
Assim como a neve sobre o Terra
Acalanta com a proteção
Completamente transparente
Mas com fervor de avalanche
Que ela seja feliz sem
Sem e sempre
Para dominar todo o seu ser
Só gastou uma piscada
Não foi nada mas foi tudo
E foi o bastante
Se sentiu arrebatada
Agora cabe ao coração esquecer
Tarefa mais difícil
No tortura do querer
Se desfez a ânsia do medo
E subiu a franqueza do querer
Ansia por mais e não ter
E jamais vai esquecer
Dos momentos que sentiu
Seu coração bater
Ainda mais naquela hora
Saltando pela boca
Abraçando suas veias
Como se sua vida dependesse totalmente
Do momento que viveu
E depois só restou o fim
Mas ainda que não reste nada
Que o sentimento adormeça finamente
Que no dia da morte
Tenha amostra do que viveu
E será totalmente livre
Para dizer em voz alta o que sentiu
Discrepando as palavras pelo ar
Faltando ar para viver
Não mais em sua realidade
O total se desfez
E ficou tudo bem
Fecho um ciclo, contemplo as lições. Entre risos e lágrimas, recrio paixões.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
opoetatardio.blogspot.com
O que sinto é tanta saudade...
Não de paixões, nem de amores
De amigos que fiz
de risadas que dei
de orgulhos que tive...
eu era eu, sem versão
sem nova versão
eu, essencialmente
verdadeiramente, pois sonhava
vivia com que tinha
e me satisfazia...
buscava por hoje, sem saber
que o que eu mais ansiava, eu estava vivendo
era bom, era doce, era suave
Ainda bem que vivi, e não fui longe para isso
Era logo ali, simples, mas o bastante para ser inesquecível
Hoje aqui, eu olho para traz, hoje aqui, eu não sonho mais
Sem tristeza, sem arrependimento, talvez alguns
Mas se um poder tivesse, voltaria para viver mais
O que vivi uma vez, por mais uma vez...
Viver por viver....
Ser feliz, por simplesmente ser...!
by Fabio Teodosio
Sobreviver...
Minha vida...
Sem paixão,
Sem cor,
Sem tempero.
Nada move meu coração,
Nada agita meus temores,
Nem esquece meus amores.
É o nada... do nada.
Apenas SOBREVIVER.
E assim,
a cabeça dói,
O coração palpita,
Não de amor,
mas de tremor.
Minha vida sem jeito,
Sem graça,
Sem sal,.
Meu dia a dia,
na solidão,
na ansiedade,
Na escuridão.
O Homem Magro
A paixão cessou,
mas o homem magro
continua sentado
ao pé da cama —
seco e puro,
como o ar
que respiro.
E chega aquela fase da paixão, que você não consegue nem mais dormir de tanto pensar na pessoa. Bizarro em bom sentido, o quanto o nosso corpo age, quando estamos apaixonados por alguém. Eram pra ser sentimentos secretos, mas aí quando percebemos, já virou uma bola de neve em movimento.
Uma pergunta tenho para você
o que seria o mundo se fossem
os livros? Pois sou apaixonado
por livros.
O sábio e o Idiota apaixonados
Juvenil Gonçalves
Dizem que o sábio é prudente,
e o idiota é sem noção,
mas bota um amor na frente
e se igualam na paixão!
É um tropeçando em sonho,
outro perdido em ilusão...
O sábio, que lia estrelas,
chora por causa de flor;
o idiota, que lia nada,
vira poeta do amor!
Ambos babando besteira,
sem medo, vergonha ou pudor.
O sábio, que em tese ensina
que o mundo é só ilusão,
liga de noite pra amada
chorando igual um bobão;
o idiota, que já chorava,
vira o rei da lamentação!
Amor, esse bicho danado,
não olha a nota nem a razão;
ele laça sábio e idiota
com a mesma corda na mão.
E faz dos dois um só tolo
brincando no mesmo chão!
Paixões Rasas
Amei pela perspectiva do êxtase
O êxtase momentâneo
Das ilusões, das mentiras
Das sensações inúteis
Foram instantes de consumo
Falas e promessas que não levam a lugar nenhum.
