Pai Nao Entende nada

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A bússola gira e não aponta; o vento traz memórias que se despedem como barcos. No centro de um lago imaginário, a flor de lótus abre feridas de luz e guarda perguntas antigas. Um espelho quebrado espalha reflexos que insistem em voltar para casa, cada estilhaço um mapa de escolhas não feitas. Chove sobre o mar — água da chuva no mar — e as gotas se dissolvem numa conversa com o horizonte: lembranças que se perdem para se tornarem sal. Sete de copas dança nas mãos de um jogador sem rosto, oferecendo espelhos, sombras, promessas de estrada. A ampulheta de açúcar pinga lentamente, cada grão doce um minuto fugindo para a língua do tempo. Nada é coerente; e por isso tudo existe, coerente na sua falta de explicação. Aqui o sentido se esconde nas pequenas falhas: no estalo de um reflexo, no sabor de um minuto, no sopro que desloca a bússola. O acaso organiza-se em silêncio, e a flor fecha-se como se guardasse um segredo que só se conta quando ninguém mais acredita em mapas. Ainda assim, tudo tem o real sentido de ser.

O vento não sabe para onde sopra, e as nuvens, essas viajantes indecisas, vagueiam sobre montanhas que já nasceram velhas. Gigantes caminham por um mundo pequeno demais para seus passos, deixando marcas que se confundem com vales. Os moinhos giram, mas quem move a pedra? A ampulheta de areia farinha mede tempo que não existe, enquanto um girassol, tolo e fiel, dança para um sol que nem sempre comparece. Sobre tudo isso paira um corvo de asas coloridas, único espectador que entende a piada: vivemos presos a rodas que inventamos, a contadores que esvaziamos, a gigantescas ilusões de grandeza dentro de horizontes que cabem na palma da mão.

**"Lutar sem saber por quê: a alienação como projeto, não como acidente"**


Conta-se uma antiga história de um cavalo de circo que gira em torno de um poste a vida inteira, mesmo depois de removida a corda que um dia o prendeu. Ele continua girando porque aprendeu que aquilo era o mundo. Muitos de nós somos esse cavalo: lutamos, corremos, competimos, sem perguntar quem amarrou a corda primeiro.


A alienação não nasceu por acaso. Ela foi desenhada, testada, refinada ao longo de séculos, como um projeto de engenharia social. Ensinam-nos a competir pelo pão antes de nos ensinarem a perguntar por que o pão é escasso. Ensinam-nos a admirar o dono da fábrica antes de nos ensinarem a questionar quem construiu os muros dela.


É como uma peça de teatro em que decoramos o papel sem nunca ler o roteiro inteiro. Aplaudimos o enredo, choramos no final combinado, sem saber quem escreveu o script nem por que ele sempre termina do mesmo jeito.


Lutar sem saber por quê não é ingenuidade pura, é resultado direto de um sistema que lucra silenciosamente com nossa distração. Acordar, aqui, significa parar de girar em torno do poste e, enfim, perguntar com coragem quem prendia a corda desde o começo.

Já caminhei no escuro e senti o amargor do que não me pertencia. A venda caiu, a lição ficou e o meu acesso se tornou inalcançável.
​A ponta da língua guarda a memória daquele veneno antigo — o suficiente para eu reconhecê-lo de longe e recusar a repetição.
​Quem me vê hoje com esse ar sereno, não imagina a força inabalável do meu 'nunca mais'

"O burro não é quem não sabe, é quem ensina só pra mostrar que sabe. Ensina por vaidade, não por verdade."

Amor é quando você se torna um alvo, tranca todas as portas e ainda assim não está salvo.

Ser simples não é avistar a simplicidade vindo ao seu encontro, mudar de calçada.

Não procure no passado quem se vestiu de futuro, você não vai reconhecer.

Apenas acertar não tem graça, não existe evolução de aprendizado, os erros fazem parte do processo.

Quem vai embora nos deixando ausência e silêncio, nos ensina que nossa companhia não pode ser dada para qualquer pessoa.

Tem certas coisas que eu não sei dizer, mas sei escrever para quem ousa entender.

Eu me perco na rua de casa, quando você me olha com aquele olhar de quem não desejar nunca terminar de me esculpir.

Mesmo que o viajante perca o mapa do trajeto, se ele não perder a vontade de chegar, cedo ou tarde ele chega.

O pior disso tudo não são as mentiras, é que vou demorar acreditar nas verdades de outra pessoa.

Do fundo do poço ninguém passa, mas o declínio da queda livre sirva para aprender não despencar outras vezes.

Só desejo que as garrafas com as cartas de amor sejam encontradas, e o carteiro não devolva nenhuma ao remetente.

O sorriso é o efeito que mostra que a vida não está passando desperdiçada.

Quando sabemos que tem um sorriso nos esperando, não tem distância que impeça a caminhada.

Uma boa desculpa não salva a pior mentira, uma é cúmplice da outra no mesmo crime.

Sei que falta alguns pedaços em mim, mas os que sobraram que não puderam levar, eu guardei para quem souber cuidar.