Padre Fabio de Melo Cultivo
Entre as montanhas da Serra do Espinhaço, Brejaúba repousa em um vale onde o frio e a brisa se encontram ao aconchego da névoa.
Talvez ninguém te falou, mas eu irei te falar: ninguém pensa exatamente igual a você, e está tudo bem. Cada pessoa carrega uma história diferente, criações diferentes, dores diferentes, e por isso enxerga o mundo através de lentes únicas.
A diversidade de pensamento não é ameaça, é riqueza. Duas pessoas podem olhar para o mesmo problema e chegar a conclusões opostas, sem que nenhuma delas esteja completamente errada. O erro está em achar que só existe um jeito certo de enxergar a vida.
O mesmo vale para a fé. Existem pessoas que rezam olhando para o céu, outras que meditam em silêncio, outras que acendem velas, outras que simplesmente não acreditam em nada além do que os olhos veem. Nenhuma dessas formas de existir merece deboche ou julgamento.
Respeitar todas as religiões não significa concordar com todas elas, significa reconhecer que cada ser humano tem o direito de buscar sentido do jeito que faz mais paz para si mesmo.
No fim, o mundo não precisa de pessoas pensando exatamente igual, precisa de pessoas capazes de conviver mesmo pensando completamente diferente. Talvez ninguém tenha te ensinado isso na escola, mas fica aqui o convite: aprenda a respeitar o que você não entende.
"NADA É PARA SEMPRE. O QUE É BOM HOJE, PODE NÃO SER AMANHÃ, POR ISSO: ORAI E VIGIAI" Ademar de Borba
Existem produtos impróprios para o consumo e pessoas impróprias para o convívio. Leia os rótulos antes de consumir e os olhos antes de conviver.
Os problemas do Brasil ocorrem devido à ação eficaz de uma justiça corrupta, imprensa venal, políticos ladrões, padres e pastores estelionatários.
A soberba nasce da necessidade de provar. A soberania nasce da capacidade de ser. Quem é soberbo fala para ser admirado. Quem é soberano escuta sem se sentir diminuído. Um precisa vencer disputas invisíveis, o outro já fez as pazes consigo mesmo. A soberba procura aplausos. A soberania procura coerência. Uma depende do olhar dos outros, a outra repousa em si mesma. Talvez por isso a soberba faça tanto barulho e a verdadeira grandeza quase sempre chegue em silêncio. Quem precisa parecer maior do que todos ainda não encontrou o próprio tamanho.
Agimos como gostaríamos de ser porque, quando há tempo para pensar, escolhemos a versão de nós que queremos apresentar ao mundo. A ação comporta cálculo, linguagem, educação, desejo de reconhecimento.
Mas a reação acontece antes da diplomacia do pensamento. Ela atravessa nossas defesas e revela aquilo que ainda não conseguimos elaborar: nossas feridas, medos, ressentimentos, necessidades e modos aprendidos de nos proteger.
Por isso, não somos necessariamente aquilo que fazemos quando estamos no controle. Há algo de nós que aparece quando o controle falha.
É justamente aí que a frase se torna incômoda: nossas reações talvez não revelem quem somos por inteiro, mas revelam quem ainda somos quando não conseguimos escolher quem ser.
E talvez seja nesse intervalo, entre o impulso que nos atravessa e a resposta que aprendemos a construir, que começa o trabalho de transformar-nos.
Às vezes, passamos a vida procurando um lugar para pertencer, sem perceber que o verdadeiro endereço sempre foi interno. Há casas enormes onde a alma permanece sem abrigo, e espaços pequenos capazes de acolher uma existência inteira. No fim, lar não é o lugar onde repousa o corpo, mas onde o coração não precisa se defender.
Passamos tempo demais tentando salvar versões de nós que já cumpriram seu papel. Continuamos repetindo gestos, sustentando personagens e defendendo identidades que um dia nos protegeram, mas que hoje apenas nos apertam por dentro.
Existe um luto que quase ninguém nomeia: o de deixar de ser quem aprendemos a ser para abrir espaço para quem já estamos nos tornando.
Nem toda mudança começa quando a vida muda. Às vezes, ela começa quando finalmente paramos de insistir em caber onde a nossa verdade já não respira.
Algumas dores não pedem mais resistência. Pedem tradução. Às vezes, um processo terapêutico não muda a vida inteira. Mas pode tornar-se o lugar em que a sua dor deixa de falar sozinha.
As pessoas pessoas vão de depreciar e desmerecer, procure sempre se valorizar e entender, que poucas realmente vão amar você.
