Padre Fabio de Melo Coragem
Algumas rosas são vermelhas porque sangram, porém nem toda hemorragia é externa,nem toda fratura é exposta e nem toda dor deixa marcas, quem aprecia rosas,deve aceitar os espinhos,rosa no jarro morre,mas no canteiro é um alívio para as almas desbotadas,tem dias que sou rosa, outros sou espinhos,depende de quem rega...
Deus é fiel e tem poder de me dar tudo o que me foi tirado, inclusive o tempo,a saúde e a juventude,de fato, nem mesmo a morte é mais forte que Jeová.Se Jeová faz o ipê amarelo florescer, também pode transformar um galho quebrado como eu,numa sequoia maravilhosa...tudo é vaidade,hoje somos úteis, amanhã podemos ser uma eira, que não produz nem sequer um grão...de significado.ah a alma sem anáguas! sem mortalhas!sem o forro negrume de dúbias narrativas! A pele não cabe na pauta,nem na ata ou na palavra! A pele é uma musseline translúcida,por onde nos transpassa o reflexo desalinhado da dúvida! Nada para Jeová é impossível,como um Gazar de seda fino ou um cetim devore ,somos maleáveis e frágeis, estampados com abstrações inúteis ,o filósofo é vislumbrado,ele se questiona de onde vem,mas não sabe para onde vai! Jeová vê além das tramas,das nuancias,da textura e da gramatura,o problema nunca é o sujeito mas sim os verbos no imperativo.ah se entendesse os motivos dos meus caminhos ,talvez não perderia o seu tempo me vendendo mapas!
Preso na úvula,
no glote,
entre a traqueia e a aorta,
um nó feito de dó incomoda,
e a "ré" de toda dor,
não é "mi" ,nem"fá",nem "sol",nem "lá",
é um lacrimejar,
e fiz do pesar o nanquim,
e do lamento o grafite,
porque a pele é sulfite,
do que não se pode pronunciar...
e a memória insiste em exumar lembranças inglórias!
ora essa, que infortúnio não ter incógnitas,
porque certezas são como extremos,facas de dois gumes,
o ego não pode pesar mais que o argumento,
é preciso ser leve como lírios ao vento,
procurando o acolher de uma brisa...de inspiração!
Eu posso ver sem as imagens,
mas e você?
posso sentir mil caracteres num tom de voz,
e nenhum caráter no teu silêncio,
não estou presa as figuras,
mas você por dentro é desfigurada,
presa ao que você rotula,
presa ao que discrimina,
presa ao que não entende...
Que cordas invisíveis,
dedilham n'álma dizeres tão ilegíveis?
se emotivos,
desprendem-se da escala da materialidade!
se ébrios,
se decompõem no prisma do lúdico!
e por isso o sentir lhe parece confuso,
tenta classifica-los em gráficos, em formas,
mas teus olhos o deformam,
o sentir nem sempre é homogêneo e estável,
ou tem centímetros cúbicos,
porque baseia-se no súbito,
como um feixe de luz oblíquo,
onde tua insensatez transita,
dispersa no cerebelo,no córtex neural ,
onde há um jogo de espelhos,
e o seu ego soberbo,
não sabe distinguir a si mesmo.
Foge do seu campo de visão,
a percepção do outro,
porque não vê o outro como ele é,
vê o outro como o que sóis,
a sua opinião é um ópio,
te consome vorazmente,
reflete o sujeito oculto atrás do espelho,
por trás das cortinas dos cílios postiços,do pó e do rímel,
tudo em você é artificial e vazio?
o bojo é falso,o corretivo é falso,o discurso é falso,
parece boneca inflável...deplorável!
tirando tudo isso nem sabe interpretar um texto,
ou criar um verso que seja ...verdadeiro.
por isso não se lê o indivíduo com olhos iníquos,
por isso o tato não é disléxico,
porque não vê o mero estético,
ou os arquétipos,
de padrões forjados da ignorância.
Mas não basta tocar só com polegares,
para tirar a impressão de alguém,
é preciso sentir o não impresso,
a fotografia pode até ser uma invenção maravilhosa,
mas quisera eu que inventassem óculos invertidos,
e você pudesse corrigir ,
o que a maquiagem e o photoshop não pode.
Que além do óptico e do humor vítreo,
além das abóbodas oculares,
e das espirais da íris,
além do espectro lírico,
encontre eu, nos teus olhos magníficos,
a somatização do imaginário!
Ó meu anjo rítmico,
adornado de lauréis e azevinhos,
folhas de louro enfeitam teus cabelos arredios,
e como grãos de areia fina,
escorregam pelas frestas...adágios.
sabe que amo-te além dos freios do físico,
além das rédeas do maciço,
e as minhas metáforas são lágrimas da abstração,
nada alcança a mácula dos olhos,
sem transpassar o cognitivo .
o verdadeiro amor te liberta de títulos...
Ó meu anjo negrume , nenhum poema te excede,
nem a psicografia descreve-te,
nem a psicofonia transcreve-te,
e nem mesmo a pictografia,
pode desenhar a etérea figura,
que está subtendida em tua voz telúrica!
Eis o rabisco do desfigurado!
o poema é um esboço das rasuras e das ranhuras,
do frêmito árdego das fissuras,
no atrito contínuo do impulso,
pois te amo além dos pulsos!
e a lâmina do verso,
corta-me o silêncio.
Quer saber o peso das palavras?
pronuncie elas em frente ao espelho,
se o seu reflexo não vituperar o sentido,
então sabes pesar o irrefletido!
e quanta distorção há no emotivo!
porque o externo não me cabe,
e o interno me transborda,
e além da esferográfica,
preciso das réguas figurativas da lógica!
toda pronúncia é um anagrama de conotações,
fragmentadas em letras,difundidas em fonemas,
as palavras tem teoremas,
que só o refletir pode medir o peso,
das consequências...
Examinar detalhes,
é projetar na imagem,
a assimetria da sua percepção!
e qualquer diferença em mim,
você transforma em aberração!
Discordo de John Locke,
não nascemos quadros em branco,
pois herdamos características inatas,
a qual chamo de pontilhados(falhas ),
somos todos um quadro branco com pontilhados ao nascermos,
e esses pontinhos são o que é congênito,
e é como ligamos estes pontos que faz o desenho...do que somos.
e todos nós temos pontinhos em comum,
e se olhar dentro de você,
lá estaria os meus pontinhos causando um ponto de interrogação!
por vezes vociferam em vão,
outras fazem rabiscos improdutivos,
não regam,nem movem moinhos,
parecem chuviscos fininhos,
o prelúdio do que não pode ser dito,
calou-se o verbo incompreendido,
porque só conheces o outro,
quando examinas as semelhanças!
Contemplas o sólido,
e ignoras o invólucro,
que recobre a tua visão desfocada,
de coesão!
sai mariposa da crisálida!
cria asas!
a mente é câmera fotográfica,
o álbum é o coração,
lá as imagem formam ideias,
que interferem na interpretação,
por isso o ver é paralítico,
sem a compreensão. Ó anjo menestrel !
ó figura homogênea e translúcida!
ó hábil oleiro do imaterial,
o infinito não é régua dos tolos!
porque nem centímetros,jardas ou côvados,
podem medir o ímpar dos teus olhos castanhos!
a matéria é só a maquete distorcida,
do conhecimento superficial,
de verdades profundas...
o corpo só é a sinopse,
do sintomático,
ardil falho,
achar que o outro cabe nas minhas verdades!
Mas o anímico não é estático,
acaso o tato é mudo?
acaso os olhos são coxos?
acaso não posso transcrever em fonética,
as nervuras lânguidas do tátil?
equalizar em figuras o vocálico?
psicografar em cores os olores?
transmutar em rimas o ritmo cardíaco?
por isso escreve no meu epitáfio:"Na terra,uma poeira fina,
no universo,nada se dissipa,
sem deixar na brisa,
um rastro de emoção!"
quando as cortinas negras das pálpebras se fecharem,
nos libertaremos da necessidade,
de somatizar ilusões...
Diz-se tão cético,
que chegas a crer,
na descrença!
é um contrassenso!
pois não existe descrença,
mesmo uma ideologia política,
precisa de fé...na natureza humana,
e por quê devo crer eu, em algo tão volúvel e sinuoso,
como as veredas de um ser humano,
que facilmente se corrompe pelo irracional?
sim! é mais difícil ter fé no homem,
do que em Deus!
ser imaginário?
e todo maquinário mercantil,
com o qual o homem vil,
fez de seu semelhante servil serviçal de sua imaginação?
todo seu excesso,
é falta de nexo,
é falta de algo,
que não se preenche no tato,
é fato,
uma vida de exagero,é no fundo um desespero!
ó homem vazio,
permaneces faminto,
escravo de impulsos primitivos!
Quando os sentidos são úteis?
quando os usamos,
e não somos usados por eles,
você usa a marca ou a marca te usa?
você usa a farda ou a farda te usa?
você é consumidor ou só a mercadoria,
de uma sociedade "privada" e mercantilista?
agora não me diga que não tem fé em Deus,
e sim me diga qual é o seu Deus?
pois Deus é tudo aquilo que colocas no pedestal e veneras,
se a sua fome ou o seu desejo é o seu Deus,
e obedeces a ele,
o que é mais imaginário,
o meu Deus ou a sua necessidade de um?
Dane-se a morfologia!
só a metamorfose da poesia,
transforma verso em melodia,
e a figura do "eu",
em "você"...
Projeto na escrita,
fraseologias íntimas,
que nem sempre rimam com a fisiologia,
da fisionomia!
Sou o retrato imaterial,
da sua interpretação pessoal,
por vezes é desigual,
o nosso sentir ,
e ainda assim é belo,
o existir,
porque não existimos só para si,
existimos no outro,
por isso,quando olhares pra mim,
reconheça em ti mesmo,
o que sóis,
e veja que nós,
nunca somos nada,
além do que vemos...
E meus olhos foram a tua janela...
observas-te que o horizonte nasce na retina?
é lá que nasce o pôr-do-sol ou o entardecer,
por isso você não vai se esquecer,
do mundo que viste através dos meus olhos!
E quão inglórios,
são os olhos,
da ingratidão!
Lembre-se da fatídica lógica da emoção,
uma ideia mal concebida,
cai na mortalidade de um breve imaginar!
Venha para o poema,
lá a dor é trema,
caí obsoleta,
no limbo ortográfico,
de ideias vencidas!
Ambíguo não sou eu,
e sim o jeito que você me vê!
o eixo do ângulo,
não faz a figura,
só prefigura,
o prumo,
de uma concepção!
Não retiro sua razão,
cada qual tem um formato,
que cabe perfeitamente,
no retrato,
do singular!
mas se havemos de viver em plural,
que tal,
remover molduras pejorativas?
o adorno mais lindo da dialética,
é não atacar o sujeito,
e sim entender o verbo...
Sim,eu creio na simplicidade,
de mãos que alinhavam bondade,
como flores enfeitando planícies hostis!
Sim,já colhi interrogações!
mas aprendo um pouco mais a cada vírgula,
e se tem algo que a poesia não descrimina,
são linhas que fogem à margem...da compreensão!
nada afirmo,
nada rejeito,
apenas aprendo a interpretar um meio,
de não dividir pessoas e sim compartilhar emoções!
Leia-me os tons embaçados,
há máculas que transpassam o vítreo,
o lido,
o sentido...oblíquo!
discrepância?
só há em edições editadas,
e cópias plagiadas,
de pessoas em branco!
dai-me tinta e sulfite,
e transcrevo os matizes,
do incomum!
Poupe-me de dedos analfabetos!
decifra-me os contrastes,os arabescos,
decifra-me os graves,os adereços,
e a frequência subjetiva,
de algoritmos subliminares!
quem pode conter a alma em colchetes?
em borrões de grafite,
argila ou nanquim,
há bem mais oralidades,
que em belas molduras vazias,
por isso não julgue pelo periférico!
o amor é atópico,
e o poema não o alcança com perfeição!
Anjo disforme,
"desloca-se como a chuva e retém o fogo nos punhos"
a alma não usa uniformes,
não vive de formalidades,
precisa libertar-se de geometrias e do tópico,
o despir-se é despedir-se do tátil!
todos buscam um amor,
que não caiba na palma da mão!
Ó meu alaúde ,sou tua sílfide!
o corpo é cítara,
mas o coração é lápide!
onde as palavras morrem,
sepulcral sonata do inconjugável!
lajotas poeirentas,jazigo de poemas,
coração é o asilo das letras,
que não formam sílabas!
Metafísica?
só o putrefato é fato,
o que se exala em vida,
é só a teoria do falho,
e cacofonias oníricas!
túmulo de sonoridades...
Túmulos vocálicos não calam adjetivos!
Ó sinuosa escrita!
senda oblíqua,
de arritmias linguísticas!
Anjo regente,
sou cítara em seu opus!
sou alaúde em seu odes!
sou escrita cuneiforme em seu códice!
sou a personificação mais vívida,
do que imaginas!
Olhos mádidos,
filetes orvalhando o súbito,
eis o néctar do impulso:o abrupto!
Não sou asceta,tenho arestas!
não sou perfeita,tenho fendas!
Não tenho mitra,tenho estigmas,
e sou compelida por etimologias!
o que para você soa como filosofia,
para mim é só fisiologia,
não é anomalia,
pensar por si mesma!
Tenho medo do anatômico!
tudo que cabe na palma da mão é ilusório,
por isso contorno o imensurável!
dedos são cegos,
por isso não aponte eles para mim!
Gosto quando subestimam minha percepção,
assim posso surpreende-los com a minha sensatez,
porque é melhor engolir sapo,
que vomitar um boi!
guardo no íntimo,
uma força invisível,
que me liberta dos seus rótulos mesquinhos...
Você não suporta o diferente,
porque isso, destaca a sua mesmice,
e a sua falta de compreensão!
não confunda discordar com discórdia,
nem primário com primitivo,
tampouco use adjetivos,
sem conhecer o substantivo!
é melhor ser ingênuo do quê leviano,
antes a pequenez da dúvida,
que a arrogância maiúscula da presunção!
O teu andar está atrelado ao passado,
precisa desengatar o fardo,
da decepção...
não deixe a dor ser a locomotiva,
não somos vagões,
nós somos uma trilha desconhecida,
longe da rodovia,
querendo ir onde a pupila conduzir!
a emoção existe para lembrá-lo que viver,
é ter atalhos para seguir,
é ter a habilidade de subtrair,
o que não levar a lugar nenhum!
Ó anjo da estrada,
mesmo uma aspa,
pode ser uma farpa,
na fraseologia do coração!
Nem tudo é óbvio,
nem mesmo o tópico!
nem tudo é dito no ditado,
pare de sublinhar o que narro!
de mim só conheces o prefácio,
e fora de contexto,
o texto é falho!
o grifo é seu!
A pedra filosofal,
é uma lápide figurativa,
onde morre o literal!
Ó anjo abrevia-me as símiles!
transmuta-me em simples!
dispersa-me em síntese!
A química é um processo que coexiste,
com o imaterial!
o atrito do epitelial,
com o intelecto,
é a combustão do etéreo,
no subcutâneo!
mesmo o intáctil,
é a fricção do imaginário,
no volátil!
os projéteis dos olhos,
são figuras disformes,
que deformam o horizonte,
se queres encontrar a pedra filosofal,
precisa sepultar o foco no tátil,
porque o toque é a cegueira dos sentidos,
e sempre te aprisionam a instabilidade,
do anatômico!
nem todas as palavras cabem no corpo,
por isso escrevo!
Tudo que exalo,
e tudo que aspiro,
é síntese do reflexo e do irrefletido,
sumário,glossário e ao pé da página,
que nunca me calem as falhas literárias,
a poesia é diálise,
espelho e psicanálise,
divã do extra-sensorial e do imperceptível!
ó meu anjo escarlatino!
meu silvo lírico,
fresta do oblíquo,
avesso de mim...
não leia-me ao pé da letra!
o fonema nada representa,
se não houver formas que se encaixem,
na essência das intenções!
Ó fenda metafísica,
o sentir elucida,
o ignoto!
com olhinhos apreensivos,
tocamos o subtendido,
como o reluzir do cosmos
na lápide da interrogação!
Cada estrela é uma nota airada,
que infla-nos a alma,
e na efusão do emotivo,
o planger das órbitas,
transbordam as abóbodas,
de incógnitas!
E aquele olhar melancólico,
é uma estrela caída,
que prefere a lousa do esquecimento,
que a lembrança do que se apagou...
Efêmera chama,
é a ótica,
pois depende da superfície rasa e perecível,
enquanto que só no íntimo,
há a síntese,
de todos os sentidos!
Papilas gustativas,
dedos apelativos e o olfativo,
só assimilam frações minúsculas,
do indivíduo!
queres conhecer alguém?
não dependa de mãos e dedos...
Ele tecia no banjo,
um nó ou uma dó?
toda nota que não vibra na aorta,
é uma arritmia sonora,
é preciso vibrar não só a úvula,
mas também a tablatura,
do coração...
Há nas figuras,
timbres e sonoridades!
cada protuberância,
tem dissonância,assonância ou harmonia,
depende da relativa,
da retina!
A visão é o vapor da projeção,
e o som é o gráfico da conotação!
nada é insólito demais para o coração!
Se a rima é o contorno da figura,
o figurado é a concordância mútua,
entre silvo e substância!
Os olhos são esculpidos por espectros de consciência ,
por isso nada vês além do quê acreditas!
Os ouvidos entalham a circunferência,
do inconsciente,
por isso as palavras soam diferentes,
ditas por outros lábios...
O diálogo é engraçado!
mesmas frases,
em tons de vozes diferentes,
parecem idiomas desconhecidos!
por isso não me culpe pelo erro de semântica,
precisão só existe na quântica,
a palavra é dinâmica...
Ó alma selênica,
teus versos são veias,
líricas hemorragias,
sangrias íntimas,
de aórticas rimas,
do coração anêmico,
faminto por melodias...
Transpassa-me o fulgor do etéreo!
como se transmuta o revérbero,
no vertebrado?
através do solfejo articulado,
do figurado!
fojo abismal é o abstrato!
onde o sentir é o arauto,
do introspectivo.
ó meu anjo ascendente!
eleva-me o consciente,
até o infinito!
Alva e translúcida,
a verdade é uma busca,
pela desmaterialização!
É na decomposição dos olhos,
que manifesta-se o sólido,
por isso fechas os olhos ,
e vês o teu avesso,
e hirto no travesseiro,
materializas o letárgico desejo,
de projetar-se fora de si...
A névoa espessa,
esconde pinheiros e cordilheiras,
assim é a certeza,
uma fina bruma de soberba,
que não deixa que veja,
além da cerviz!
pupila é aprendiz,
mentor é a diretriz ,
do invisível...
O que há de mais assimétrico no universo,
que a matéria que contesta o imaterial?
altercas com o vento?
ó forma abstrata é o entendimento!
ás vezes deforma a essência do que é fisiológico,
pela conveniência do filosófico,
o psicológico é um artesão hábil,
em moldar a dimensão do fato,
e o julgamento é frágil jarro,
que se espatifa no vácuo,
da subversão!
Eu caminhei sem pavimentação,
em clareiras,
áridas veredas,
onde palavras sedentas,
rastejavam à sarjeta,
como mendigos por coerência!
mas na dualidade encontrei o sentido,
porque humanos não querem argumentos,
e sim motivos!
teus olhos são narcisos,
tem estames e estigmas,
desde o estilete até a haste,
transmutam a ficção,
do anatômico!
Chora o mármore frio!
o estro sepulcral do notívago!
ó lousa púrpura!
a lamúria é túnica,
que reveste a rima,
como a aragem úmida!
No alvorecer matutino,
o florescer do emotivo,
é um lótus vítreo,
que prefigura a transição,
do tátil para o sorvo...do subjetivo!
Exclamam os címbalos,
o grunhido aferrado,
o balbucio enclausurado,
do sorumbático!
sangrei adágios,
arpejos hemorrágicos,
acordes latejavam,
enquanto me esvaía em linhas!
Anjo soturno,
a melancolia é um túmulo,
féretro jugo,
do obscuro!
o poético cria o paralelo,
entre o introspectivo e o manifesto,
descreve o reflexo invertido,
do sintomático,
porque o sentir não é estático,
está intimamente atrelado,
ao oblíquo...
o verso ás vezes é óbito,
e a dor ás vezes é o alinhavo,
que arremata-me a estrofe,
porque toda alma sofre,
o descoser...
A inteireza,
é irmã gêmea,
da miudeza!
Só percebe a beleza,
aquele que vê no minúsculo traço,
não um borrão sem formato,
mas sim o feto do magnífico!
por isso na tua íris vislumbro resquícios de galáxias,
e no fulgor do óptico,
vejo simplificado o cosmos,
do superlativo!
Quando os adjetivos falham,
e o substantivo é incomum,
é que o inefável não cabe no escrito,
não se prende aos grifos,as aspas ou ao exílio,
de uma afirmação!
o infinito não cabe na palma da mão,
mas com minhas mãos moldo as interpretações do coração!
O transmutar é transferir,
o inconsciente,
para a emoção!
E quem assimila o figurado,
tem um dom nato,
da conotação!
se a alma é tátil,
é só um pedaço,
de possessão!
Mas se a alma é vácuo,
é um sorvo fátuo
de inspiração!
A deformidade está no contexto,
da incompreensão...
Quando Hamlet disse:"Ser ou não ser..."
queria leva-lo a crer,
no indefinido!
O soma é a soma,
do fisiológico e do incógnito!
é um processo caótico,
o gnóstico!
entre o neural e aórtico,
entre o epitelial e psicossomático,
entre o cutâneo e o enigmático,
o somático é o quociente...do inconsciente!
Leia-me além do têxtil,
além do léxico,
e além do arquétipo,
do estético!
o que é o estético,
senão a leitura do supérfluo?
leia-me além do hermético!
do atlético e disforme,
tire o uniforme...da suposição!
todo sentir é paraplégico,
se baseado meramente na textura,
na crua figura,
do objeto...
toque-me com o figurado!
e não com o osmótico ou o palato,
nem mesmo o sublingual ou o vibrato,
são capazes de transmutar o gráfico,
do desencarnado!
Meu Júpiter,sou tua Juno!
dispenso juras,
que não fazem jus,
ao verdadeiro!
O outono vem!
mas continuo refém,
do primaveril!
Amo os contrastes,
que dilatam as vontades,
em realidades!
Amo os matizes,
que difundem diretrizes,
e ambiguidades!
Amo os tons ,
que suavizam os graves,
da gravidade!
Meu anjo melódico,
toda percussão é fruto da frequência,
do sintomático!
o sentir é instrumento de sopro ou de corda?
os dois!
as vezes é estro,
as vezes é destro,
e outras é plectro,
mas sempre é um verso,
vestido de letra e emoção!
Pupila é cítara!
ressoa a antífona!
ótica uníssona,
é a sintonia,
de almas intrínsecas!
Ó meu anjo maestrino,
o que a retina retém,
vai muito além,
do humor vítreo!
Noturnal idílio!
odes anímico!
eis quão aprazível é,
a sonata do teu cristalino!
auriverde e citrino,
refratando o metafórico hino,
do libido!
Quando duas almas se alinham,
como astros no infinito,
a íris é o acústico ,
do somático!
Minúsculas rasuras,
são maiúsculas conjecturas,
quando rompem as abreviaturas,
da dúvida!
Porque ser comedido,
se é descabido,
o suscetível?
porque ser moderado,
se é ávido,
o desenfreado?
porque hesitar amá-lo,
se é o revérbero,
o fulgor do involuntário?
o verso é veste!
a leitura me despe,
e os dedos repetem,
trechos horizontais!
ó bruma lânguida,
ó incisiva lâmina,
o amor é túnica escarlate,
mortuário traje,
do consciente!
Quando fitou-me a íris,
regou-me como a amarílis!
Quando aspergiu-me orvalho,
borrifou-me os brotos e galhos!
Quando irrigou-me o riso,
despejou-me motivos...para florescer contigo!
se eu por ventura,
desvanecer entre os lírios,
não se prenda aos meus espinhos,
só se agarre as pétalas rosas que deixei pelo caminho,
pegadas das boas lembranças,
que cultivei no solo do seu coração,
jardim da minha emoção...
Põe-nos em ferros ou em linhas?
o raciocínio é ferrovia,
sinuosa trilha,
da transmutação!
"o que sabes de mim exceto o que deixo sobressair?
eu sublinho e dou alguns rabiscos,
o poeta é lousa,eu sou o giz!"
assim é a escrita!
tem régua,esquadro e fita!
e o compasso da poesia,
não vê gênero ou o grau,
só faz a circunferência do irreal!
o excelso é verso que se desprende do possível,
semeio metáforas,
porque para semear realidades,
é preciso os paralelos de vias duplas!
O inteligente usa a réplica,
o experiente usa a tréplica,
o sábio vê que é inútil a dialética,
de quem não tem modéstia!
Entre diáfano e soturno,
réquiem do insolúvel,
todo ser é dúbio!
Ambíguo e recurvo,
contraste perfeito e obscuro,
entre a diástole e a sístole!
do coração que insiste,
em caracterizar símiles!
De paradoxos não ortodoxos,
e óbvios alheios a parâmetros,
o civilizado está a um milímetro de diâmetro,
do surto...do cômodo!
pânico?
só tenho do irredutível!
O léxico queixa-se perplexo!
a fonética queixa-se afônica!
a quântica queixa-se da mecânica!
a poesia consiste na dinâmica,
de ideias antagônicas!
Escrita é espectro da autoria!
transmutação e psicografia!
Quem cria,
converte
mutilação em arte,
dor em crase,
lágrima em hífen,
e o amor em antítese!
Eu sangrei em todas as páginas,
porque nenhuma adaga é mais afiada,
que a consciência materializada,
nas aspas de minhas falas...
Anjo opalino,
sou tão suscetível ao teu cristalino!
onde transpassas o intransitivo!
com morfológicas transmutações!
amo-te até expirar o cosmos,
amo-te até fenecer o incógnito,
amo-te até se esmiuçar o inexplicável,
porque até que se prove o contrário,
o amor é focado no ilegível e não no tato,
por isso toca-me o intangível,
porque prova-me com os sentidos aguçados...do abstrato!
Ó alma efêmera!
tão ingênua,
vive o pesar e o apenas,
porque o infinito,
é permanecer vivo,
na memória de alguém...
Ó anjo imaterial!
o sólido é corruptível,
o verso é desencarnado!
a consistência do amor,
não é a textura da pele,
nenhuma substância converte,
anímico em animação!
é o opaco,
que de fato,
é concreto,
é muito além do métrico,
a estética do inverso,
do que me desfigura,
e só a ti prefigura,
esse meu insólito...tocar.
Eis o vibrato atroz dos artigos possessivos!
o ríspido silêncio é o artigo" indefinido"
da alma craseada,
crivada de vírgulas e grifos!
E os intervalos retinem o vício,
do inexpressivo!
o vício do intangível,
o intocado é a canção do alusivo,
na diatônica da escala figurativa,
o amor oscila,
como o intervalo harmônico de uma muda sinfonia!
cifras não decifram,
os desarrazoados borrões,
de paixões instáveis!
por mais voláteis,
ou inviáveis,
toda volúpia,
é volata abrupta,
da possessão!
e os agudos,
são aguilhoadas,
cravejam em disparada,
o desespero da nota,
que tenta percorrer a aorta,
do coração!
Se o vibrato do arco,
transpassa o adágio,
tanto mais a afonia,
dos caracteres inflados,
do vácuo,
do incorporado!
a clarividência se desprende da lógica,
o corpo é ilusão de ótica!
só segue a carótida,
da obstinação!
O artesão vê no gesso,
não o frio relevo,
mas o flexível sentimento,
que modela a sua visão!
A textura não é tradutora,
é a intermediadora,
entre tocar e sentir!
Escrita é fêmea,
tem estilete,florete e gineceu!
nos braços de Morfeu,
é ninfa carmim,
em anáguas de cetim,
parece sangrar em papel almaço,
todo o estigma de seu ouriçado...subtender,
ou será submeter?
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