Orfaos do Amor
Se partires, não me abraces — a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minha veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces —
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém — longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.
O violino é um dos poucos instrumentos que permite que o som seja fabricado quase que completamente. Portanto, não existe o som do violino, existe o som do violinista. Ao ouvi-lo, vc está ouvindo a tradução de sua essência em notas e música.
Eu estou lhe oferecendo uma saída daqui. Uma chance de ver lugares sobre os quais você só leu nos livros.
Há lugares lá fora que você não consegue encontrar em nenhum mapa. Eles não se foram. Estão apenas perdidos.
Não tenho medo de perder a guerra, pois no fim da guerra todos perdem.
Em momentos assim, é fácil se afundar em perguntas. Mas eu sei muito bem que resposta nenhuma trará alívio. O passado não trará paz.
A sociedade brasileira nasceu sob o signo do racismo e continua racista até agora.
Autobiografia
EITO que ressoa no meu sangue
sangue do meu bisavô pinga de tua foice
foice da tua violação
ainda corta o grito de minha avó
LEITO de sangue negro
emudecido no espanto
clamor de tragédia não esquecida
crime não punido nem perdoado
queimam minhas entranhas
PEITO pesado ao peso da madrugada de chumbo
orvalho de fel amargo
orvalhando os passos de minha mãe
na oferta compulsória do seu peito
PLEITO perdido
nos desvãos de um mundo estrangeiro
libra… escudo… dólar… mil-réis
Franca adormecida às serenatas de meu pai
sob cujo céu minha esperança teceu
minha adolescência feneceu
e minha revolta cresceu
CONCEITO amadurecido e assumido
emancipado coração ao vento
não é o mesmo crescer lento
que ascende das raízes
ao fruto violento
PRECONCEITO esmagado no feito
destruído no conceito
eito ardente desfeito
ao leite do amor perfeito
sem pleito
eleito ao peito
da teimosa esperança
em que me deito
Ela representava tudo o que ele ansiava e temia ao mesmo tempo: a promessa de paixão ardente e a ameaça de sofrimento inevitável. Cada olhar trocado era um convite para um mundo desconhecido, uma jornada tumultuada através dos labirintos do desejo e da vulnerabilidade.
