Olhos Alma
Continuar
Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.
A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.
O problema nunca foi morrer.
O problema sempre foi continuar.
Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.
É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.
Há quem chame isso de esperança.
Eu não.
Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.
Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.
Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.
No fim, a coragem raramente grita.
Ela apenas respira.
E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.
A Misteriosa Mulher Hispano-Libanesa
Ela tinha olhos de fronteira,
fala baixa, fumaça ligeira.
Entrava nos lugares sem pedir licença,
misturando perigo com elegância densa.
Perfume amadeirado,
silêncio calculado.
Daquelas mulheres
que fazem o caos parecer organizado.
Metade Beirute, metade Tijuana,
fria de dia, de noite insana.
Andava como quem sabe demais,
como quem já viu impérios caindo em jornais.
Ria pouco.
Observava muito.
E quando falava espanhol
parecia oração e delito.
Usava ouro discreto no dedo,
vestido escuro, cigarro aceso.
Tinha algo de santa cansada
e contrabandista sofisticada.
Os homens olhavam demais.
Ela nunca devolvia igual.
Porque certas mulheres aprendem cedo
que mistério também é poder emocional.
Ela carregava um ar melancólico e fino,
vinho barato, hotéis, cassino.
Parecia saída de algum bolero antigo
onde todo amor termina em perigo.
Não prometia futuro.
Nem paz.
Só aquela sensação estranha
de querer ficar
mesmo sabendo
que ela sempre vai embora antes.
E talvez fosse isso
o mais bonito nela:
a forma seca, elegante e cruel
com que transformava ausência
em vício silencioso.
seus olhos.
Antes mesmo de entender o que estava acontecendo, eu já tinha encontrado alguma coisa nos olhos dela que não sabia explicar. Eu falava dos olhos porque era a maneira mais fácil de falar do que acontecia comigo quando olhava para ela. Pareciam ter profundidade suficiente para esconder tudo aquilo que eu não conseguia dizer. E talvez fosse exatamente por isso que eu gostasse tanto de mergulhar neles.
Porque havia dias em que o mundo parecia fundo demais.
As coisas lá fora tinham aquele peso que a gente tenta fingir que não sente. A vida seguia, as pessoas continuavam falando, os dias continuavam passando, mas existiam momentos em que tudo parecia difícil de levar. E então eu encontrava aqueles olhos.
Era como cair no mar sem ter medo de afundar.
Eu não precisava saber nadar. Não precisava saber para onde estava indo. Bastava entrar.
Talvez seja isso que algumas pessoas fazem com a gente. Elas não resolvem necessariamente aquilo que está quebrado, não apagam os problemas, não tornam o mundo mais fácil. Elas apenas conseguem fazer com que, por alguns instantes, a gente não precise lutar contra ele.
Ela era esse intervalo.
Eu podia passar horas tentando organizar dentro de mim aquilo que não tinha nome e, ainda assim, bastava olhar para ela para alguma coisa se aquietar. Havia um tipo de silêncio naqueles olhos que não era vazio. Era abrigo. Um lugar onde eu podia deixar todas as coisas que carregava sem precisar explicar por que elas pesavam tanto.
E talvez eu tenha amado também essa sensação.
A de ser recebido por alguém sem precisar chegar inteiro.
Eu acreditava que amar era isso: oferecer alguma coisa de si e perceber que, de alguma forma, aquilo também fazia o outro respirar melhor. Cada gesto pequeno parecia carregar uma energia que não precisava ser anunciada. Um cuidado aqui, uma presença ali, uma tentativa de estar perto quando o mundo ficava difícil. Como se amar fosse construir, aos poucos, um lugar onde dois poderiam descansar.
E eu queria ser esse lugar para ela também.
Talvez por isso a distância sempre tenha parecido tão cruel. Porque quando alguém se transforma em refúgio, a ausência deixa de ser simplesmente ausência. Ela começa a parecer uma porta fechada para um lugar onde você costumava conseguir respirar.
E ainda havia a saudade.
Aquela espécie de presença que continua existindo mesmo quando a pessoa não está. As lembranças permanecem vibrantes, ocupando espaços inesperados, aparecendo no meio de uma música, de uma noite, de um pensamento qualquer. Você percebe que algumas pessoas conseguem permanecer dentro da gente mesmo quando já não estão ao nosso lado.
Foi assim que ela ficou em mim.
Não como uma foto parada no passado, mas como uma paisagem que ainda aparece quando fecho os olhos.
E talvez seja por isso que aquela imagem do mar sempre tenha feito tanto sentido.
Porque eu não mergulhava apenas nos olhos dela.
Eu mergulhava naquilo que sentia quando estava ali.
Na tranquilidade que encontrava. Na versão de mim que aparecia quando não precisava me defender de nada. Na sensação de que, por alguns minutos, eu estava exatamente onde deveria estar.
Ao lado dela.
E talvez algumas pessoas sejam mesmo obra de alguma força que a gente não entende. Não necessariamente porque foram feitas para ficar para sempre, mas porque, em algum momento da nossa história, precisavam existir.
Ela existiu.
E me ensinou que existem olhos capazes de ser oceano.
Que existem abraços que parecem margem depois de muito tempo à deriva.
Que existe amor que não chega fazendo barulho, mas vai preenchendo os espaços vazios até a gente perceber que já não sabe exatamente onde termina a nossa solidão e começa a presença do outro.
Hoje, talvez eu entenda que mergulhar nos olhos dela nunca foi apenas sobre olhar.
Era sobre confiar.
Sobre fechar os olhos para o mundo por alguns segundos e acreditar que, se eu afundasse, alguém me encontraria.
E talvez seja essa a coisa mais bonita e mais dolorosa sobre amar alguém profundamente: às vezes, a pessoa se torna o mar onde você aprendeu a respirar.
E quando ela vai embora, você passa um tempo tentando descobrir como voltar a superfície.
Mas algumas profundidades não desaparecem.
A gente apenas aprende a carregá-las.
E eu ainda carrego aqueles olhos comigo.
Como quem um dia caiu no mar e, em vez de ter medo da profundidade, descobriu nela um lar.
Uma noite, uma mulher me chamou de extraordinário.
Olhou dentro dos meus olhos como se tivesse encontrado alguma espécie rara de animal.
Sorri.
Não por vaidade.
Por pena.
Ela não fazia ideia de que dizia a mesma frase para meia dúzia de homens toda semana.
As pessoas distribuem palavras como garçons distribuem guardanapos.
Sem perceber.
Sem importância.
Mas sempre existe um idiota disposto a guardar aquele pedaço de papel como se fosse uma carta de amor.
“A minha maior obra não está nos cofres, mas no brilho nos olhos de cada pessoa que percebeu através das minhas palavras que o futuro não se espera — ele se conquista agora.”
"Não sigo tendências; eu crio a gravidade que atrai os olhos, as mentes e as grandes oportunidades de uma nova geração."
"Refém do Invisível"
Sento no chão, olhos no nada,
o mundo em preto e branco,
e eu… desbotado.
Culpa que não é minha,
peso que não é meu,
mas me jogam, me culpam,
como se ser mais novo
me fizesse de ferro,
me fizesse imortal.
Amei até doer,
me humilhei pra ter migalhas,
e hoje sou refém
de um amor que me acorrenta,
de uma vida que me arrebenta.
Queria sumir, desaparecer,
não pra fugir...
mas pra saber se alguém sentiria minha falta.
Se alguém olharia pro vazio e pensaria:
“Ali existia alguém... alguém que só queria ser amado.”
O que eu fiz de errado?
Por que sempre eu?
Por que meu grito ecoa no nada
e ninguém ouve, ninguém vê, ninguém sente?
Talvez... talvez me atirar no silêncio
seja mais fácil do que continuar implorando
pra existir, pra ser visto, pra ser ouvido.
Mas… entre o abismo e o chão,
talvez exista uma mão.
Talvez exista um recomeço,
talvez, só talvez...
exista vida além do peso,
exista cor além do cinza,
e eu aindanãoenxerguei.
Antes de me definir, lembre-se: suas conclusões são apenas o reflexo dos seus próprios olhos. Você não me vê como eu sou, Você me vê como você é.
O teu sorriso traz contigo
Todo encanto que sempre recusei ver,
E nos teus olhos acho o abrigo
Que meu peito custou a entender.
Os teus cabelos longos escondem
Os mistérios que eu custava a decifrar,
São fios de vento que respondem
Onde a alma deseja pousar.
Se antes eu cego passava,
Pelo que a vida oferece de bom,
O teu passo mudou minha estrada,
E o meu silêncio encontrou o teu tom.
Os olhos fingem aurora,
mas por dentro é sempre outono.
Há folhas caindo em silêncio,
lembranças que o tempo não consola.
Olhos da Ingratidão
Há olhares que veem o mundo, mas não reconhecem o valor do que recebem. Os olhos da ingratidão são aqueles que atravessam gestos de bondade sem perceber sua profundidade. Eles observam, mas não compreendem; recebem, mas não recordam.
A ingratidão nasce quando a memória do benefício se enfraquece diante do orgulho ou da indiferença. Quem olha com esses olhos passa pela vida como se tudo fosse lhe devido, como se a generosidade alheia fosse apenas parte natural do caminho.
Filosoficamente, a ingratidão revela uma falha na consciência do vínculo humano. Toda ajuda cria uma pequena ponte entre duas existências. Quando essa ponte não é reconhecida, não é apenas a gratidão que desaparece — também se perde a percepção de que ninguém caminha sozinho.
Assim, os olhos da ingratidão não são cegos para o mundo, mas são cegos para a dádiva. E quem não aprende a enxergar o bem que recebeu corre o risco de viver cercado de pessoas, mas distante do verdadeiro sentido da reciprocidade.
Seu beijo
Feche os olhos,
pense nisto:
nossa vida se cruzou por um átimo.
Se descruzou por outro átimo...
Seu nome na areia a água do mar apagou.
Seu perfume rapidamente no ar se evaporou...
Suas palavras um clique deletou.
Seu beijo minha boca nunca tocou.
O nosso amor nunca se concretizou.
Sua imagem à minha mente voltar se recusou...
Abra os olhos....
Diga-me quem pode impedir isto?
A dor que em mim ficou...
A saudade que bate à porta...
O futuro incerto à minha frente...
A alma triste que se acamou: está tão doente.
Em suas próprias artes se perdeu e, no escuro da dúvida permaneceu.
Os olhos antes fechados, agora abertos pela sabedoria do tempo, vislumbraram o colorido da luz da verdade ressurgida em seu peito.
Em busca de perdão, anseia sanar cada traço imperfeito, cada cicatriz mau curada, cada antiga aflição.
Cada mal decisão, é uma mancha imperfeita no quadro, narrando uma história desbotada, que pouco a pouco, ficou no passado.
No coração um amor profundo, no peito, um desejo a pulsar, o desejo de reconciliar-se.
Assim, ele compreendeu: o futuro é arte, uma tela em branco, esperando ser pintado, onde cada pincelada é uma escolha, uma oportunidade de renovar a esperança.
Onde antes as emoções eram escuro abstrato, agora se delineia e clarea com luz e cores vibrantes, o retrato da reconciliação com o seu próprio coração.
Seus olhos verdes são faróis em meio à névoa, capazes de enxergar além do que o mundo permite mostrar.
PRINCESINHA.
Você trouxe no seu sorriso, a alegria do meu amanhecer.
O brilho dos seus olhos, me dá a esperança de viver.
Sentir seu corpo junto ao meu é como se fossemos uma única só pessoa.
Você faz meu coração ficar acelerado ao te ver.
Meu sorriso já não é mais o mesmo, hoje me sinto bem ao seu lado.
Meus pensamentos estão todos voltados em você, minha princesinha, minha menina.
Te sinto junto, mesmo na ausência.
Quero você ao meu lado para sempre.
Minha menina, minha princesinha e minha mulher.
Princesinha, você faz parte da minha vida.
Calíope, existe algo em você que vai além da beleza que os olhos conseguem enxergar. É como se a sua presença trouxesse calma para pensamentos que sempre estiveram perdidos e desse palavras para sentimentos que eu nunca soube explicar. Você tem esse jeito raro de transformar momentos simples em algo que permanece, como uma lembrança boa que a gente não sabe de onde veio, mas sente que sempre esteve ali. Talvez algumas pessoas não entrem em nossa vida apenas para passar, mas para deixar uma marca silenciosa que o tempo, por mais cruel que seja, não consegue apagar.
Talvez Caliope, seja você !
Alguém que eu ainda não encontrei ... Ou um devaneio dos meus pensamentos.
Sorrisos de Vidro
Menina de cabelos cacheados,
carregava nos olhos
a luz que toda infância merece.
Mas quem deveria protegê-la
foi quem lhe roubou os dias,
transformando abraços em medo
e o silêncio em prisão.
Dos primeiros anos
até os doze,
ela aprendeu a sobreviver,
não a viver.
Cresceu.
Vestiu sorrisos,
escondeu cicatrizes
e fez do próprio coração
uma fortaleza sem janelas.
Agora seduz,
abandona
e parte corações,
como se cada homem ferido
pudesse pagar
pela dor de um único monstro.
Mas nenhuma lágrima alheia
devolve uma infância roubada.
E quando a noite cala o mundo,
ela encara o espelho
e encontra a mesma menina
de cabelos cacheados,
ainda esperando
que alguém a salve
do passado que nunca foi embora.
Seus sorrisos são de vidro:
brilham para quem olha,
mas por dentro
estão quebrados,
e cada pedaço
ainda sangra,
Sangra na sua
Própria Loucura.
