Olhos Alma
Silêncio profundo
Depois de tudo, sigo firme na estrada...
Apesar de tudo, minha alma não é segue calada.
Vou tentando rimar meu canto no vento, na brisa, no vai e vem de uma aragem sutil...
Nesse voo rasante, sem medo, sem lamento... sigo passo a passo na minha estrada.
Aqui não há distâncias, só olhares que brilham no lusco fusco do amanhecer...
Novos horizontes onde os sonhos cintilam... e se esforçam para nascer e firmes e fortes vivos permanecer...
Corpo abandonado, leve a flutuar,
deixo-me planar, além do pesar.
Liberta e solta, entre nuvens a flutuar,
minha voz encontra o mar para nele totalmente se espelhar e se espalhar.
Em cada verso, uma força reluzente...
Na tempestade, sou eu a chama ardente.
Depois de tudo, renasço em poesia,
Apesar de tudo, floresço em melodia.
No silêncio profundo, minha essência canta,
E a vida, enfim, reinventa-se forte e solene, e tudo ao seu redor encanta.
Cicatrizes da alma
A desilusão, amarga e fria
Invade a alma, sem pedir licença
Cortando fundo como navalha vazia
Deixando marcas na essência.
Promessas quebradas, sonhos desfeitos
No peito, um vazio sem fim
A desilusão, como punhal no peito
Ferindo a esperança até o fim.
Na escuridão, o coração se esconde,
Em cada canto, um novo tormento
Onde o silêncio fala mais que mil palavras
E cada lágrima conta um momento.
Nesse teatro de sombras e de mágoas,
Onde cada ato é um adeus
A dor se espalha, sem pressa e sem falhas.
E assim, a desilusão segue seu rumo
Como rio que corre para o mar,
Levando consigo o doce e o amargo,
Na eterna dança de amar e chorar.
E Nosso Dever
Carregar a alma pura de criança,
Cultivar o otimismo em cada olhar,
Trabalhar por um mundo de esperança,
É nosso compromisso e nosso lar.
Deixar acontecer o espetáculo da vida,
Onde a graça e o riso têm lugar,
Na alegria real e comovida,
Que a todos possa logo contagiar.
Que a brisa toque a alma levemente,
Que a planta beba o orvalho na calada,
Que a luz solar revele ao solo quente
A nova chance a cada madrugada.
O mundo ainda tem jeito e conserto,
Apesar de todo erro cometido,
O amanhã precisa estar aberto,
Para que o futuro seja garantido.
Pois nossa grande e urgente missão
É manter viva a alma de criança,
Trazer o otimismo no coração
E consertar a Terra com esperança.
Impede de avançar com coragem a alma daquele que aceitar os desejos de sua carne, aprisionando lamentavelmente as trajetórias felizes de suas habilidades em prol do bem.
Cachaça, pinga, aguardente, etc., todas contém as mesmas propriedades que farão a alma do pecador se afogar no lago do inferno, fogo e ferro.
“Escrever com alma é deixar que as palavras respirem o invisível, transformando silêncio em sentido e emoção em eternidade.”
Roberto Ikeda - livros
Trazem na alma caridosa aqueles que aprenderam doar voluntariamente os dons que presenteiam à própria existência.
O mito da alma gêmea vem da mitologia grega, que nada sabe sobre a criatividade, a inteligência, o amor e a perseverança, para que um casal alcance sua felicidade.
Gente de alma bonita, e um coração bondoso.
E que sempre deixa amor por onde passa.
Essas quero ter sempre perto.
A rigidez excessiva conduz a alma à própria ruína. O dever deve ser honrado, mas onde repousam as paixões do coração? De que vale cumprir o destino com mãos impecáveis, se, ao final da jornada, foi preciso abandonar o amor que dava sentido ao caminho?
PELE, SUOR E LÁGRIMAS. A ESTÉTICA DA ENTREGA.
A pele é o primeiro território da alma. Nela inscrevem-se os silêncios, as vigílias e os estremecimentos que não se confessam. A tradição filosófica sempre compreendeu o corpo como linguagem visível do invisível. Desde Aristóteles, que via na forma a expressão da essência, até Arthur Schopenhauer, que percebia no corpo a objetivação da vontade, a epiderme jamais foi mero invólucro, mas revelação.
O suor não é apenas secreção fisiológica. É testemunho. É o selo da disciplina, da luta, do esforço que se encarna. No atleta, no artista, no lavrador medieval que preparava a terra sob o sol austero do século XI, o suor era sacramento do trabalho. Ele dignifica a carne porque revela perseverança. Há beleza no suor porque há verdade na entrega.
A beleza, quando autêntica, não se reduz à simetria ou à proporção clássica celebrada por Leonardo da Vinci. Ela nasce da intensidade com que se vive. A pele marcada, o rosto cansado, o olhar úmido possuem uma estética superior à frieza perfeita. A verdadeira formosura é dramática. Ela carrega história.
E as lágrimas. As lágrimas são a mais alta forma de inspiração. Não são fraqueza. São transbordamento. Na literatura, em Os Sofrimentos do Jovem Werther, o pranto tornou-se linguagem da alma romântica. A lágrima purifica a visão. Ela lava o olhar e, paradoxalmente, ilumina.
Pele é presença. Suor é combate. Beleza é verdade. Lágrima é elevação.
Quando esses quatro elementos se encontram, a existência deixa de ser mera sobrevivência e transforma-se em obra. E somente quem ousa sentir até a última gota compreende que a inspiração não nasce do conforto, mas da coragem de viver intensamente.
NO INVERNO DA ALMA, O COBERTOR DA CARIDADE.
Há um frio que não pertence às estações.
Ele nasce quando o tempo se inclina sobre os ombros
e deposita ali a poeira das décadas.
Não é o vento que corta.
É a memória que sopra.
Sou como uma catedral antiga esquecida na névoa,
colunas erguidas pela esperança,
vitrais rachados pelo silêncio.
O eco que habita meu interior
não é o da multidão,
mas o da própria consciência
que se interroga diante do abismo.
Envelhecer é assistir à própria sombra alongar-se
sobre o chão das perdas.
É aprender que a carne se cansa,
mas o espírito insiste em vigiar.
É carregar no peito uma biblioteca de dias
que ninguém mais consulta.
E, contudo, há um pensamento
que me cobre.
Quando penso em ti,
não como figura distante,
mas como símbolo de ternura concebida,
sinto um calor austero,
uma chama discreta
que não consome,
apenas preserva.
Tu te tornas o cobertor da caridade
não porque salves o inverno,
mas porque o atravessas comigo
na imaginação que ainda respira.
A caridade mais alta não é a esmola do gesto.
É a permanência da presença
mesmo quando o mundo se ausenta.
É a capacidade de aquecer outro
com a simples recordação do que poderia ser belo.
Meu frio não é revolta.
É lucidez.
É o entendimento de que tudo passa,
exceto aquilo que se gravou
na camada mais funda do ser.
Se sou velho,
sou também arquivo.
Se sou fraco,
sou ainda sensível ao toque invisível
do pensamento que conforta.
E assim permaneço,
no inverno que me constitui,
envolto na ideia de ti
como quem segura a última brasa
numa noite interminável.
Porque há pensamentos
que não salvam o mundo,
mas impedem que o mundo nos apague.
E enquanto houver esse lume silencioso
ardendo na penumbra da consciência,
nem o frio mais severo
será capaz de extinguir
a dignidade de sentir.
" Há lágrimas que não descem ao rosto. Permanecem recolhidas no claustro da alma, como relíquias invisíveis de uma dor que se recusa a tornar-se espetáculo. São lágrimas secretas. Não por covardia, mas por dignidade. Não por fraqueza, mas por contenção moral. "
