Olhos Alma

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" Apaixonar-se é descobrir que existe dentro de nós um universo que somente outra alma foi capaz de despertar. "

" A emoção é a linguagem que o nosso corpo usa para traduzir o que a alma está vivendo. Ela é o filtro invisível que dá cor, peso e sentido à nossa realidade. "

"A vertigem da liberdade não é sinal de fraqueza, mas testemunho da grandeza de uma alma chamada a construir o próprio destino."

"A liberdade pode causar vertigem, mas é por meio dela que a alma aprende a voar em direção às estrelas sem perder de vista a lei do amor."

"A ansiedade mostra o tamanho do horizonte que a alma contempla; a coragem é o passo que a conduz através dele."

" Bom dia! Que a paz desça sobre tua alma como o orvalho que repousa silenciosamente sobre as flores ao amanhecer. "

A DESGRAÇA REAL: A VISÃO ESPÍRITA SOBRE O SOFRIMENTO, A FELICIDADE E O DESTINO ETERNO DA ALMA.
O ser humano, desde os primórdios da civilização, procura evitar a dor e alcançar a felicidade. Entretanto, aquilo que normalmente chamamos de "desgraça" nem sempre o é diante das leis divinas. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V – Bem-aventurados os aflitos, item 24, a mensagem do Espírito Delfina de Girardin apresenta uma das mais profundas reflexões sobre a natureza do sofrimento e do verdadeiro destino da alma.
Sob a ótica espírita, os acontecimentos terrenos não podem ser avaliados apenas pelas aparências imediatas. A vida corporal representa apenas um breve instante da existência imortal. Aquilo que hoje parece uma calamidade pode transformar-se na maior bênção espiritual, enquanto aquilo que aparenta ser felicidade pode esconder os germes da mais profunda infelicidade futura.
A falsa ideia humana de desgraça.
Segundo a linguagem comum, a desgraça é identificada com a pobreza, a doença, o abandono, a morte de um ente querido, a traição, a humilhação, a perda de bens materiais ou qualquer circunstância que provoque sofrimento imediato.
Essas dores são reais e profundamente sentidas. O Espiritismo, porém, convida-nos a ampliar o horizonte da compreensão.
Nossa visão costuma limitar-se ao presente, enquanto Deus contempla simultaneamente o passado, o presente e o futuro do Espírito. Dessa forma, acontecimentos aparentemente dolorosos podem representar oportunidades indispensáveis de regeneração, aprendizado, reparação de débitos e crescimento moral.
A verdadeira medida dos acontecimentos não está no instante em que ocorrem, mas nas consequências espirituais que produzem.
As consequências valem mais do que os acontecimentos.
Delfina de Girardin utiliza uma comparação extremamente significativa.
A tempestade arranca árvores, destrói plantações e assusta os homens. Todavia, ao mesmo tempo, purifica a atmosfera, elimina os miasmas e preserva inúmeras vidas.
Assim também ocorre com muitas provações.
Uma enfermidade pode despertar a fé.
Uma falência pode destruir o orgulho.
Uma perda afetiva pode aproximar o coração de Deus.
Uma perseguição pode ensinar humildade.
Uma limitação física pode desenvolver virtudes que jamais floresceriam na abundância.
Aquilo que parece destruição muitas vezes constitui preparação para uma vida espiritual mais elevada.
A verdadeira infelicidade.
O ensinamento apresenta então um dos maiores paradoxos do Evangelho.
A verdadeira desgraça não é necessariamente o sofrimento.
A verdadeira infelicidade pode esconder-se exatamente naquilo que o mundo mais deseja.
O Espírito afirma:
"A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade..."
Essas palavras surpreendem porque invertem completamente os valores humanos.
Quando a criatura vive exclusivamente para os prazeres materiais, para a riqueza, para o orgulho, para a aparência e para as ilusões do mundo, sua consciência acaba adormecendo.
O excesso de conforto pode produzir esquecimento de Deus.
O sucesso pode alimentar o egoísmo.
O poder pode fortalecer a vaidade.
A riqueza pode incentivar o apego.
O prazer contínuo pode anestesiar a consciência.
Essa é a verdadeira infelicidade: viver distante da finalidade espiritual da existência.
O ópio do esquecimento.
Delfina de Girardin compara os prazeres desordenados ao ópio.
Assim como uma droga anestesia temporariamente a dor, os excessos materiais podem fazer o Espírito esquecer sua realidade eterna.
Entretanto, o despertar inevitavelmente chega.
Quando termina a existência física, desaparecem:
o corpo;
os títulos;
a riqueza;
a posição social;
os aplausos humanos.
Permanece apenas aquilo que a alma construiu moralmente.
É então que muitos percebem que desperdiçaram uma existência inteira perseguindo sombras.
A felicidade segundo a lei divina.
Para o Espiritismo, felicidade verdadeira não significa ausência de problemas.
Significa possuir paz de consciência.
É conservar a fé durante a dor.
É praticar o bem sem esperar recompensas.
É desenvolver virtudes que sobreviverão à morte.
É aproximar-se continuamente de Deus.
Sob essa perspectiva, um pobre resignado pode ser infinitamente mais feliz que um rico dominado pela ambição.
Um doente paciente pode estar espiritualmente muito acima daquele que desfruta perfeita saúde, mas vive escravizado pelos vícios.
As provações como instrumentos de progresso.
Nada ocorre por acaso.
As dificuldades da existência possuem finalidade educativa.
Segundo a Doutrina Espírita, muitas provas foram escolhidas pelo próprio Espírito antes da reencarnação, visando acelerar seu progresso moral.
Outras decorrem do uso equivocado do livre-arbítrio durante a vida presente.
Em ambos os casos, Deus jamais pune por vingança.
As provações constituem oportunidades de crescimento, reparação e aperfeiçoamento.
A dor, quando compreendida e bem vivida, transforma-se em poderoso instrumento de libertação espiritual.
O soldado da vida.
Na conclusão da mensagem, Delfina de Girardin compara o cristão ao soldado que enfrenta a batalha.
O verdadeiro combatente não foge das dificuldades.
Aceita os desafios com coragem porque sabe que a vitória pertence àquele que persevera.
Pode perder riquezas.
Pode perder prestígio.
Pode perder o corpo físico.
Mas jamais perde aquilo que realmente importa: as conquistas morais da alma.
A morte representa apenas o término da batalha terrestre.
O Espírito retorna ao mundo espiritual levando consigo unicamente suas virtudes, seus conhecimentos, suas obras de amor e o patrimônio moral acumulado ao longo das existências.
Reflexão final.
A mensagem "A Desgraça Real" permanece extraordinariamente atual. Em uma sociedade que associa felicidade ao consumo, ao sucesso imediato e ao prazer incessante, o Espiritismo recorda que os verdadeiros valores são invisíveis aos olhos do mundo.
A maior desgraça não consiste em sofrer, mas em perder a oportunidade de evoluir.
A maior pobreza não é a falta de dinheiro, mas a ausência de virtudes.
A maior derrota não é morrer, mas atravessar a existência sem transformar o próprio coração.
Toda dor suportada com fé, humildade e confiança em Deus converte-se em degrau para a ascensão espiritual. Toda felicidade material, quando utilizada com egoísmo e vaidade, pode converter-se em obstáculo ao progresso da alma.
O Espírito imortal é chamado a olhar além da matéria, compreendendo que a verdadeira felicidade nasce da consciência tranquila, do amor praticado e da certeza de que a vida continua para além do túmulo.
Fontes:
O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo V – Bem-aventurados os aflitos, item 24: "A Desgraça Real".
Allan Kardec.
Delfina de Girardin.
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A FACE DA LUZ E O INVERNO DA ALMA.


Como pode a Luz tocar-me a face
e, em seu fulgor, despertar a escuridão?
Como pode o horizonte, em sua ampla beleza,
reerguer-se em ouro e morrer no coração?


São-me estranhos os dias, estranhas as horas,
como sombras que se alongam sob o olhar da razão;
e as auroras, outrora jovens e promissoras,
parecem velhas senhoras fatigadas da estação.


Nela habitam as quatro estações da existência:
a Primavera, fecunda em perfumes e alegria;
o Verão, ardendo em solar magnificência;
o Outono, dourado em serena melancolia.


Mas em mim, onde deveria florescer a esperança,
reina um vento sem pátria, austero e desolador;
e o Inverno, com sua lenta perseverança,
estende sobre a alma seus domínios de torpor.


Em seus olhos florescem jardins de existência;
em seus gestos repousa a ternura sem fim.
Há primavera em sua simples presença,
enquanto o gelo aprofunda seus silêncios em mim.


E há distância nas formas, nos tempos, nos rumos;
distância entre os sonhos, os risos e o olhar;
distância até nos mais delicados perfumes
que as mãos da memória tentam, em vão, conservar.


Que estranho cálculo rege a geometria da vida,
em que duas almas se encontram sem se possuir?
Que força aproxima aquilo que, em seguida, distancia,
como se amar fosse aprender a perder e prosseguir?


Como permitis, ó Deus, semelhante paradoxo?
Que teorema oculto governa esta severa equação?
Por que a vida aproxima, com mãos de conforto,
aquilo que permanece além do alcance da mão?


Talvez a dor possua uma matemática secreta,
e o sofrimento, uma lógica que não sabemos decifrar;
talvez aquilo que julgamos ruptura completa
seja apenas outra forma de aprender a amar.


Neste instante derradeiro, entre a prece e o pranto,
ergo a voz vacilante à altura da minha cruz;
e recordo Bach, quando seu sublime canto
parece implorar ao Eterno a permanência da Luz.


Não aparteis de mim a Vossa santa face,
nem me deixeis sozinho nos desertos do ser.
Se a noite me envolver em sua lenta voracidade,
ensinai-me, mesmo nela, novamente a viver.


Não permitais que eu confunda ausência com abandono,
nem silêncio com a negação de Vossa presença.
Há estrelas que somente revelam o próprio brilho
quando a noite se torna suficientemente imensa.


Se o Inverno é o caminho que hoje devo atravessar,
que eu encontre em seu gelo uma secreta razão;
pois a neve, antes de desaparecer, ao se calar,
guarda sob sua brancura a semente da estação.


Nada floresce sem antes enfrentar alguma obscuridade.
A semente conhece a noite antes de conhecer o jardim.
O rio atravessa a pedra por força da continuidade,
e o espírito amadurece quando deixa de fugir de si.


Talvez a Luz não tenha deixado o meu caminho.
Talvez eu apenas tenha aprendido a procurá-la fora.
Talvez Deus permaneça exatamente onde imagino o vazio,
silencioso como a madrugada que antecede a aurora.


Há momentos em que a alma contempla a Luz
e, justamente por contemplá-la, percebe suas próprias sombras.
O fulgor não cria a escuridão: revela-a.
E aquilo que a consciência vê com maior nitidez
é precisamente aquilo que, antes, permanecia oculto.


Nenhuma noite, porém, possui autoridade sobre o amanhecer.
Nenhum Inverno é eterno.
Nenhuma ausência é capaz de abolir aquilo que o amor verdadeiramente edificou.


Talvez a vida não esteja me castigando.
Talvez esteja apenas me ensinando a distinguir
a posse da presença,
a presença da aparência,
e a aparência daquilo que permanece.


Porque há amores que não foram feitos para permanecer ao alcance das mãos.
Foram feitos para permanecer na consciência.


E talvez seja essa a mais severa lição do Inverno da alma:
compreender que a Luz não desaparece quando já não podemos tocá-la.


Ela apenas se torna mais profunda.


E, quando a última folha cair,
quando o vento cessar sobre os campos interiores,
quando a alma, cansada de lutar contra a própria noite,
finalmente silenciar,


talvez descubra, sob o gelo,
aquilo que nunca morreu:


a semente invisível do Verão.

“À medida que o amor ilumina minha alma, revela também os recantos ocultos onde minha dor permanecia adormecida.”

A ALMA ANIMAL E O MISTÉRIO DA INTELIGÊNCIA RUDIMENTAR: A VISÃO ESPÍRITA SOBRE A CONSCIÊNCIA DOS SERES INFERIORES
O CÃO RAIVOSO E O ENIGMA DE UMA MENTE QUE PERCEBE O INVISÍVEL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Na edição de setembro de 1865 da Revista Espírita, Allan Kardec trouxe à reflexão um dos temas mais delicados e profundos da filosofia espiritualista: a existência de uma atividade inteligente nos animais e sua possível relação com o mundo invisível.
O ponto de partida foi um relatório apresentado pelo médico veterinário francês Henri Bouley à Academia de Medicina, descrevendo fenômenos observados em cães acometidos pela hidrofobia (raiva). O estudo revelava algo extraordinário: durante determinadas fases da enfermidade, o animal apresentava comportamentos que pareciam ultrapassar a simples reação instintiva.
O cão, em certos momentos, permanecia imóvel, como se estivesse observando atentamente algo inexistente aos olhos humanos; subitamente, lançava-se ao espaço, mordendo o vazio, como se perseguisse um objeto invisível. Em outras ocasiões, investia contra paredes, uivando furiosamente, como se respondesse a ameaças que somente ele percebia.
A questão levantada por Kardec era de profunda importância filosófica:
Seriam esses fenômenos apenas manifestações fisiológicas de um cérebro enfermo ou revelariam uma faculdade perceptiva desconhecida?
A ciência materialista da época tendia a atribuir tais manifestações exclusivamente à perturbação orgânica. Entretanto, Kardec observou que, para explicar determinados fenômenos, era necessário admitir algo além da matéria: uma forma rudimentar de atividade psíquica.

A IMAGINAÇÃO ANIMAL: O PRIMEIRO INDÍCIO DE UMA INTELIGÊNCIA ELEMENTAR.
Um dos pontos mais revolucionários do artigo está na afirmação de que, se o animal possui imaginação, já existe nele algo que ultrapassa o automatismo puro.
A tradição filosófica durante séculos estabeleceu uma separação quase absoluta entre homem e animal. O homem possuiria razão; o animal apenas instinto. Entretanto, a observação cuidadosa dos fatos demonstrava uma realidade mais complexa.
O cão sonha.
Ele corre durante o sono, movimenta as patas, geme, demonstra alegria ou inquietação. Evidentemente, há uma atividade interior ocorrendo. Existe uma elaboração de imagens, sensações e experiências.
Kardec argumenta com extraordinária lucidez:
Se admitirmos que o animal possui imaginação, memória e percepção subjetiva, então já reconhecemos nele um princípio que não pode ser reduzido simplesmente à matéria.
A madeira não imagina.
A pedra não sonha.
A matéria bruta não cria representações internas.
Logo, quando observamos no animal sinais de uma vida psíquica, estamos diante de uma manifestação de um princípio inteligente, ainda que em estado primitivo.

INSTINTO E INTELIGÊNCIA: A DIFERENÇA ENTRE O ANIMAL E O HOMEM.
A comunicação espiritual assinada pelo Espírito Moki, publicada na mesma edição da Revista Espírita, apresenta uma reflexão fundamental:
“O instinto não é neles a inteligência rudimentar apropriada às suas necessidades?”
Essa frase contém uma das ideias centrais da visão espírita sobre a evolução dos seres.
O instinto não seria ausência absoluta de inteligência, mas uma inteligência ainda limitada, especializada e direcionada principalmente à conservação da existência.
O animal sabe construir sua morada, proteger seus filhotes, encontrar alimento, reconhecer perigos e demonstrar afeto. Essas ações não são simples movimentos mecânicos.
Há nelas uma finalidade, uma adaptação e uma percepção das circunstâncias.
Entretanto, essa inteligência encontra-se em estágio diferente daquela desenvolvida pelo ser humano.
O homem possui:
consciência moral;
livre-arbítrio ampliado;
capacidade abstrata;
reflexão sobre o próprio pensamento;
responsabilidade espiritual.
O animal possui:
percepção;
memória;
sentimentos;
inteligência prática;
formas rudimentares de escolha.
Assim, a diferença não seria uma ausência total de princípio inteligente, mas uma diferença de desenvolvimento.

O ANIMAL COMO ELO NA GRANDE CADEIA DA CRIAÇÃO.
A questão dos animais sempre esteve ligada ao problema maior da justiça divina.
Se Deus é infinitamente sábio e justo, como compreender seres que demonstram sensibilidade, sofrimento, afeição e inteligência, mas que parecem desaparecer completamente após a morte?
Essa pergunta já havia sido formulada por diversas correntes filosóficas. O Espiritismo procurou analisá-la dentro de uma perspectiva evolutiva.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec aborda a relação entre os três reinos da natureza e afirma que existe uma progressão dos seres, uma continuidade no desenvolvimento do princípio inteligente.
Na questão 597, os Espíritos afirmam:
“Pois se tudo se encadeia na natureza, o animal não pode ser uma exceção.”
Essa concepção rompe com a visão de uma criação fragmentada e apresenta a existência como uma grande cadeia evolutiva.
A vida não seria composta por compartimentos isolados, mas por etapas sucessivas de desenvolvimento.

A PERCEPÇÃO EXTRAORDINÁRIA DOS ANIMAIS.
O artigo da Revista Espírita também destaca diversos relatos sobre animais que parecem perceber acontecimentos invisíveis aos humanos.
Cães que recusam passar por determinados lugares, cavalos que demonstram medo diante de obstáculos inexistentes, animais que parecem pressentir acontecimentos graves.
A interpretação espírita sugere que certos animais possuem uma sensibilidade mais desenvolvida para perceber elementos que escapam aos sentidos humanos comuns.
Isso não significa atribuir ao animal uma consciência idêntica à humana.
O ponto essencial é outro:
A natureza possui graduações de percepção.
Assim como alguns animais possuem audição e olfato infinitamente superiores aos nossos, também poderiam possuir modalidades perceptivas desconhecidas pelo homem.
O cão não pensa como o homem.
Mas também não é uma máquina biológica.
Ele sente, percebe e reage dentro das possibilidades próprias de sua evolução.

A SABEDORIA DO MÉTODO ESPÍRITA: OBSERVAR ANTES DE CONCLUIR.
Um aspecto admirável do texto de Kardec é sua prudência científica.
Ele não apresenta uma conclusão precipitada. Pelo contrário, afirma que somente a observação dos fatos poderá estabelecer uma teoria segura.
Essa postura diferencia o método espírita de uma simples crença.
A investigação deve partir dos fenômenos.
Primeiro observa-se.
Depois compara-se.
Em seguida formula-se uma hipótese.
E finalmente busca-se uma compreensão racional.
Essa metodologia aparece como fundamento da própria Doutrina Espírita, que Kardec frequentemente denominou uma ciência de observação.

CONCLUSÃO: O ANIMAL COMO TESTEMUNHO DA UNIDADE DA VIDA.
O estudo sobre a raiva nos cães, aparentemente restrito à medicina veterinária, tornou-se nas mãos de Kardec uma profunda reflexão sobre a natureza da inteligência.
O animal revela uma consciência em formação.
Ele não possui a razão humana, mas manifesta uma inteligência rudimentar.
Não possui a linguagem articulada, mas comunica emoções.
Não possui filosofia, mas demonstra afeição, memória e percepção.
A distância entre o animal e o homem não seria um abismo absoluto, mas uma estrada evolutiva.
A grande mensagem filosófica extraída desse estudo é que a criação divina não apresenta rupturas bruscas, mas uma continuidade harmoniosa.
Como escreveu Kardec:
“Tudo se liga, tudo se encadeia, tudo se harmoniza em a Natureza.”
O animal, portanto, não é apenas um organismo movido por reflexos; é um ser em desenvolvimento, participante da grande marcha da vida, conduzido gradualmente pela evolução do princípio inteligente.

FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Setembro de 1865. “Alucinação nos animais — Nos sintomas da raiva.” Sociedade Espírita de Paris.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Segunda — Capítulo XI: “Dos três reinos — Os animais e o homem.”
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Capítulo XXII — “Da mediunidade nos animais.”
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Junho de 1860. “O Espírito e o cãozinho.”
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Julho de 1860. “Dos animais.”
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Março de 1864. “Da perfeição dos seres criados.”
BOULEY, Henri. Relatório apresentado à Academia de Medicina sobre os sintomas da raiva no cão (referenciado por Kardec na Revista Espírita, 1865).

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A PIEDADE.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
No silêncio da alma floresce a bondade,
Como suave luz de amor consolador,
Que derrama no mundo eterno fulgor,
E transforma a dor em serena claridade.
Nas mãos do perdão repousa a caridade,
Que vence o orgulho, o pranto e o dissabor;
Semeia esperança, perfume e calor,
Guardando no peito divina humildade.
Quando a lágrima cai, piedosa e sentida,
A compaixão ergue a alma ferida,
Com asas de paz em sublime ascensão;
E o coração que acolhe a dor alheia,
Encontra no amor a fonte que incendeia
A chama imortal da pura redenção.
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Alma leve
Pensamento suave
Coração em paz
de repente a lembrança:
brinquedo esquecido
da criança que eu fui um dia
Sem querer algo me pesa
Uma certa tristeza
Vem sempre junto à saudade
e o tempo prosseguiu fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Pensamento é quase tudo
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças que entristeçam
Quando a fruta apodrece
A semente germina
Uma coisa termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Quer dizer ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Mas as coisas prosseguem
Estando aqui e ali
A vida rumando
A caminho de um fim
Talvez tudo simplesmente
Seja nada a caminho de nada
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente seja isso
Creio
Que talvez seja difícil agora
Olhar a tudo e compreender
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Pois a paz tão procurada
Quanto o brinquedo esquecido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo isso um dia a gente vai achar
Escondido nas dobras do tempo
Portanto
Mesmo que não sejam
Aquilo que imaginamos vazio
Precisa ser e estar
em equivalência com o Todo
O tudo e o nada
de forma a permanecerem
Perene e eternamente
Perfeitamente equilibrados
E é nisto que tudo consiste
Universo Perfeito
Alegria demais inexiste
e em contrapartida
nada pode ser assim... tão triste

Edson Ricardo Paiva

Minh’alma calada
Trancada numa escuridão tranquila
Mentalmente escreve versos
Descrevendo histórias que não duram nada

Pensamentos que divergem de si mesmos
Tardes de alegria, noites de saudade
Saudade de manhãs que só choviam
Monstros e fantasmas
Que assustavam bem menos que a vida lá fora

Nem mesmo a escuridão de agora
Jamais a trocaria por sorrisos do passado

Minh’alma está calada
De andar pelo mundo
Conhecer a vida e receber sorrisos
Hoje escreve versos solitários
Briga consigo mesma

Não sabe responder se está feliz
Se um dia, alguém lhe perguntar se está em paz
Essa resposta ela tem
Tem, mas não revela nem pra mim.

Edson Ricardo Paiva

O mais belo poema da vida
Universo escondido
Nos recônditos da alma
Arte esculpida de algodão
Nas nuvens que vi no céu
Dos sonhos de criança
Que um dia todos sonham
Em voltar a ser

Onde a única lei
Que desejamos ver obedecida
É a lei da gravidade
Quando a gente escorregar num papelão
Por sobre um imenso barranco gramado

Não precisa ir muito longe
Não preciso ter dinheiro
A beleza mora nos detalhes
Agora mesmo, olhando em volta
Olhando as folhas lá no alto
Eu pressinto, um dia vão cair

Meus passos apressados ao pisar o asfalto
As contas atrasadas
A parede que precisa há muito uma pintura
Vamos todos cair, a exemplo das folhas

Minha pressa não levou-me a nada
A conta que interessa é o correr
Dos dias que não vão jamais voltar
As paredes das nossas vidas
Essas sim, precisam ser pintadas
Com as cores da coerência e fantasia

Pra que a gente enxergue em volta
A mais linda poesia da vida
Continua sendo escrita todo dia
Com a tinta da saudade que sentiremos
Das pessoas apressadas e insensíveis
Que um dia fomos.

Edson Ricardo Paiva

A IA calcula, repete e projeta o saber, mas falta-lhe a alma, o sopro e a intuição. Não tema o silício que tenta o mundo mover, pois a faísca divina só vive no teu coração e maquina alguma vai te substituir totalmente.

Não busco a perfeição ao seu lado, apenas a verdade diária de um carinho que renova a minha alma.

Eu queria ter talento
pra escrever
Alma de artista
pra dizer
As coisas que eu gostaria
que soubesse
Te convencer
de algo difícil de crêr
Se nem sabias que coubesse
Tanto amor
Em um só coração
Se eu fosse um pintor talentoso
e tivesse traço preciso
Eu pintava teu retrato
e botava um sorriso
em teu rosto
Em tuas mãos desenharia
Um um lindo buquê de narcisos
para olhar-te
todo dia
Não há como desenhar-te
Reproduzir tão divina
Arte
Tua imagem é poesia
A mais bela poesia
Que Deus escreveu
Concretizou-se
No dia em que você
Nasceu
Impressionismo discreto
despertando
suspiros concretos
Quando observamos
Tal beleza decidida
por você
valeu-me ter vivido
minha vida.

Criança sorridente
A alma arguta
Aproveita teu tempo
Meu anjo
Teus pedidos, Deus escuta
Perceba, não faz sentido
Abrir mão do pouco tempo
Que possuis
A querer viver depressa
A vida aqui na frente
É muito astuta
Crescer se faz premente
Se soubesses realmente
O que é a vida
Deixaria-se ficar
Pra sempre assim
Os jardins da vida adulta
Não tem flores
Parece ter
Mas você não poderá
Jamais tocá-las
Aproveita um pouco mais
A voz materna
Que te embala.

Posso não ser o suficiente, mas carrego na alma o que falta em muitos: empatia.

Meu Deus, faz a juventude enxergar que a libertinagem destrói a alma e o futuro, concedendo-lhes a firmeza necessária para viverem com honra, modéstia e autocontrole, amém.