Olhos Alma
Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força desse destino
O tango argentino me vai bem melhor que o blues
Onde a verdade e onde a mentira dos sentimentos? Seria a bela Capitu, com seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada, uma adúltera? Teria fundamento o ciúme que corrói a alma de Bentinho?
Você mentiu olhando nos meus olhos e sorrindo! Achou mesmo que um dia eu voltaria a acreditar em algo que envolvesse você?
Sempre acreditei que havia um certo mistério em teus olhos castanhos. Parece que planetas colidem entre si produzindo uma explosão de luzes fazendo cada parte de mim contrair-se maravilhada. Quando olho para os teus olhos viajo por galáxias distantes e flutuo docemente sob as mais belas estrelas, e meu corpo ansiosamente clama para mergulhar na imensidão dos olhos teus. Esse universo, distante e misterioso, é capaz de dominar-me os sentidos levando-me à teus braços e desesperadamente a tua doce boca, e ali pertenço a ti loucamente. Quando os teus braços me envolvem sinto como se cada parte de mim transbordasse fazendo meu ser querer-te mais perto a cada milésimo de segundo. Milhões de sensações explodem dentro de mim quando encontro teu belo par de olhos castanhos a olhar-me com ternura. Estou certa de que você é a minha galáxia favorita.
Pensando nos momentos bons que tivemos juntos,
Lágrimas escorreram dos meu olhos
E eu apertava você em pensamento.
Eu ainda me lembro do mundo pelos olhos de uma criança. Lentamente esses sentimentos foram encobertos pelo que sei agora.
Onde foi parar meu coração? Uma troca injusta pelo mundo real.
Eu quero voltar a acreditar em tudo e a saber de nada.
Aos olhos, a pele do lobo é tão óbvia quanto a pele do cordeiro;
O que difere, é o olhar do lobo, que não encara um olhar verdadeiro.
Quem é movido pela avareza não tem olhos nem coração para sentir o sofrimento dos outros, porque estes lhe são apenas um valor econômico. A avareza tira a capacidade de compaixão. E, com isso, nossa condição de seres humanos.
só há uma forma de se estar perto
quando se está muito longe:
se fecha os olhos, bem forte,
e pensa e deseja muito, muito, muito
estar juntinho de quem ama.
Porque no amor tem dessas coisas
...a gente só não pode abrir os olhos
...a gente só não pode deixar de acreditar
(Cáh Morandi)
Infinitos em Mim
Fecho os olhos e sinto,
dentro de mim, infinitos.
Há uma canção não cantada,
um soneto nunca escrito,
versos que se constroem no silêncio,
frases soltas que bailam no vento.
Uma coreografia à espera da melodia,
uma dança que aguarda nossos passos.
Nem tudo o que carrego em mim me pertence,
não posso guardar—preciso encontrar destinos.
Em mim, carrego também muitas faltas,
daquilo que precisa urgentemente me achar.
Não há possibilidade de ser feliz sem me permitir,
sem me deixar ser—em mim, me encontro.
Respiro fundo, tão fundo,
que me perco na imensidão.
Não compreendo—sou tão pequena, mortal.
Como não transbordar?
Quantos infinitos cabem em mim?
Lembro-me: não sou deste mundo,
apenas passo,
uma estação, um instante.
Mas tenho urgências—
meu tempo escorre entre os dedos,
e cada instante é um reflexo de mim.
E no vazio, cheia de infinitos, sou.
Buscando me permitir ser.
Impressões do Tempo
Há momentos que escapam aos olhos, não porque são rápidos, mas porque carregam o peso de tudo o que já foi e tudo o que poderia ter sido. Eles se encolhem no peito, se tornam memória antes mesmo de se tornarem reais, como se o tempo já os estivesse preservando. Não são os dias que permanecem, mas os sentimentos que se escondem entre suas frestas.
Eu não busco registrar a mim mesma, mas o que escapa de mim—o que não posso segurar, mas que se derrama de forma silenciosa nas coisas que toco. Um olhar que atravessa a janela, o suspiro de uma folha que se entrega ao vento, o silêncio que respira entre as palavras não ditas. É nisso que estou. Não na imagem que a câmera captura, mas no que ela não pode revelar: o que pulsa além da pele, além do instante.
As memórias não são fotografias. Elas são ecos. São risos que ainda ressoam nas paredes de uma casa vazia. São promessas sussurradas entre o amanhecer e a noite, palavras que se tornam raízes na alma, mesmo quando não temos consciência delas. E é nelas que fico. Não na forma como o mundo me vê, mas na forma como o mundo me sente.
Quando alguém olha para uma foto e sente um arrepio sem saber o porquê, é porque aquela memória, aquela emoção, encontrou um espelho no coração dele. Não somos feitos de imagens. Somos feitos de vivências, de ressonâncias que, mesmo distantes no tempo, ainda têm poder de tocar, de mover, de transformar.
E no fim, é isso que me torna eterna. Não as fotos, não as palavras, mas a sensação de que algo em mim permanece, sem precisar ser guardado.
Muito bom olhar nos olhos da ilusão, da para sentir a futura decepção. Sorriso doce, olhar da perdição. Voz tentadora que arranca o coração, me dispa com seus olhos, me sinta com seu ar. Não deixarei você entrar em mim!
