Olhos
OLHOS DE CRIANÇA
Eram olhos grandes…
Pareciam dois faróis na tempestade
A iluminar na mais pura claridade,
O escuro dum mundo ainda a descobrir.
Eram olhos na ânsia de muita esperança
Daquela que ao longe ainda está por vir...
Eram olhos mágicos a anunciar bonança.
Eram dois pesos fiéis de uma balança
Que um dia pesarão as coisas em fundo,
Na conta do peso e da medida
Da sua inocente e tão verde vida.
Deus te guie e salve, lindo infante
De teus pais vaidosos do semblante,
Desses cabelos aos caracóis, triunfante,
Esperança e bonança para o mundo.
Mesmo quando a vida pula e avança
Deus meu, por favor ilumina e conserva
Estes olhos de criança!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 19-01-2023)
OLHOS MORTOS
Quando te beijei naquela manhã,
Trazias nos olhos um regato de água,
Seco.
Estéril.
Forjado.
Senti em ti rios de desprezo
Subtis,
Hostis,
A correr sem destino,
Mal cheirosos,
Pelas margens do teu rosto,
Dos teus olhos covardes, mortos,
Por não olharem os meus.
Na sede que eu tinha da tua água,
Nem reparei que a tua estudada mágoa
Se misturava com o PH da tua acidez,
Sempre que queres magoar quem te fez.
Minha querida estátua que já és
Para mim tão absorta e estarrecida,
Nas tuas gélidas palavras sem sortida,
Um ser que não conheço nem de frente
Nem já de revés,
Eu que fui o obreiro da tua própria vida.
Um pai, já dizem não valer de nada
Agora neste mundo podre, sem guarida,
Houvera tempo de vida atrás voltada
Que nunca eu te geraria, nem cerzida.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 31-07-2023)
CORRE MEU VELHO
Anda, poeta velho!
Escarcavelado!
Escaravelho!
Pingarelho desarmado
De olhos cerados,
Magoados,
Galga, meu velho!
Secaram-te as lágrimas,
Brotaram-te as águas
No leito do teu rio,
Tão vazio
E tão cheio de mágoas.
Não durmas mais a sesta.
Caminha,
Noutro caminho
E foge de mansinho
Da prisão desse lar
Em que te querem encerrar,
Sem te ouvir
Se queres ficar ou desistir
De pensares,
De sonhares...
Foge!
Foge!
Corre, meu velho!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 10-08-2023)
SE OS MEUS OLHOS
Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
As coisas sacras e profanas
Das procissões das vaidades
E cortejos de perversidades…
Nos convívios só de apelido,
De carneirinhos em sentido
À espera da ordem mestra
De chefes, gente que não presta,
Sem carácter nem humildade.
Era assim na mocidade
E hoje também não falha,
Nas feirinhas desta canalha
Velha, sem idoneidade.
Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
Outro galo então cantaria
Mesmo que mordaças houvessem.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-10-2023)
DOÇURAS
Beijar teus cabelos,
Encostar os teus olhos aos meus,
Quentes,
Roçar a tua boca
Sôfrega,
Nos meus lábios
Sequiosos,
Tanger os teus seios
Com os meus dedos
Nervosos,
Entrar no teu ventre
Ofegante,
Através do rosado
Da abertura
Arfante,
Onde perdemos os sentidos
Num instante,
Do prazer que é rei
Dos nossos fluidos,
Que eu sei.
OLHOS D'ÁGUA
Sempre que te olhava
No pranto
Quase como quebranto
Mais que feitiço
No teu olhar em derriço,
Nessa lágrima que brotava
Dos teus olhos d'água,
É que eu compreendi
De vez e a horas,
Que quando ris, choras,
Sempre que eu choro por ti.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-01-2024)
SEM RESPOSTA
Te salvo, princesa morena,
Aquela dos olhos tristes,
Diz-me, porque resistes
À minha triste novena?
Nove dias sem te ver...
Ou vens ter comigo
Aos quereres
Dos nossos apeteceres
Fatais,
Ou então já eu te digo:
Não acreditarei jamais
Nos infiéis juramentos
E no feitiço do teu olhar,
Nos cheiros de embriagar
Dos perfumes de enfeitiçar,
Que me trazem sofrimentos.
Não respondes?
Oh, não precisas de o fazer...
Basta-te só compreender
Que mais esse teu açoite
Não evita que o meu dia
Mesmo sem o teu querer,
Já começa à meia-noite,
Na luz que a lua irradia.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 17-02-2024)
"Para possuir todas as visões do mundo, não basta apenas ter os olhos da face bem abertos, mas os da mente e do coração também."
Desafios da vida
A vida não é fácil sobre os desafios que enfrentamos
Lutas batalhas aos olhos
De quem já sofreu muito
com as adversidades da vida
Todos já sofremos com todas
As barreiras do caminhos
Muitos de nós já pensamos
Em desistir mas continuamos
Tentando ser melhor que ontem
O ontem que erramos nos machucamos
E continuarmos com o propósito de mudança
Para recomeçarmos novamente com um novo olhar
Criatura Felina
Com um andar que fascina
Olhos de gata
Com autoestima
Sou assim feminina
Olhar que penetra na alma
Que despe sem tocar
Sem tirar a calma
Mas consegue provocar
Mulher de sete vidas
Gata, leoa, onça, pantera
Mãe, filha, amante
Efêmera dominante
Que o futuro da espécie
Nos garante!
Fecho os olhos,
E puxo o gatilho da alma
Expulso pra fora sentimentos
E isso me acalma
Talvez seja minha sina
Escrever, esvaziar-se
Pois me alivia, como morfina
Quando você lê Minh’ alma
E suspira, ou sorri
O prazer é imenso,
Pois toquei sua alma
E sinto que meu alvo
Eu atingi!
Seu olhar
Seus olhos insanos
Penetram minha alma
Desvenda meus fetiches
Tira totalmente minha calma
Seu olhar me prende
Domina-me
Faz-me tua
Seu olhar
Entorpece-me
Falta-me o ar
A razão,
Deixa-me dopada
Pela emoção.
Olhemos sempre para frente. Se fosse para olhar para trás, teríamos olhos na nuca.
Porém, como o pescoço gira, então sempre que necessário podemos olhar para trás e para os lados como aprendizado e precaução, mas 99% do tempo é para frente!
Em seus olhos
Meus olhos buscam os seus,
e quando os encontra,
incendeiam mente e coração.
Entra em meus pensamentos
explora meu mundo,
desperta desejos.
E sem dizer uma palavra,
descobre todos os meus segredos.
Deixa-me avontade,
segura e domada.
Descubro que é em seus olhos,
que minha alma faz morada.
Adeus
Nos lábios um sorriso,
nos olhos uma lágrima,
Sorrindo ao recordar,
chorando por nos distanciar,
sem ao menos saber,
quando vou te encontrar.
Na sociedade, percebo-me como uma marionete, cujos fios são tecidos pelos olhos julgadores do mundo. Incansavelmente, busco lapidar as imperfeições e até mesmo as virtudes que me definem, desvelando assim uma realidade em que sou contidos pelos meus próprios pensamentos.
