Óbvio
Gente burra existe. E isso é óbvio!
A verdade não precisa de aplausos nem de multidões para existir; ela só precisa resistir à prova da razão. E é justamente isso que diferencia o crente do pensador: um busca consolo em sua necessidade de pertencimento ignorando evid cias e os fatos, o outro busca a coerência baseando-se nos fatos e nas evidências.
Sou um observador, e é óbvio que percebo as pessoas que vivem de aparências.
Procuro compreender o motivo pelo qual alguém cria uma realidade irreal — algo que chamo de pleonasmopsicótico (adjetivo criado por mim) —, pois o indivíduo passa a viver na ilusão de que seu modo de ser ou de viver trará benefícios reais para si.
E, nesse engano, acredita que todos ao redor são incapazes de perceber que aquela performance é falsa — uma simples ilusão que sustenta o próprio vazio.
Quando abrimos os olhos além do óbvio, percebemos que a vida sussurra milagres em cada detalhe.
A forma como escolhemos enxergar o mundo determina o brilho dos nossos dias.
Podemos viver na escassez do ceticismo ou na abundância do encantamento.
E, quando escolhemos o encantamento, tudo ao redor passa a ter um propósito mais profundo.
Onde o Óbvio Não Mora
Entre o que faço
e o que calo,
há sempre uma pergunta
que ninguém ousa fazer.
Desconfio do óbvio,
prefiro o intervalo,
o silêncio que antecede o toque,
a conversa que não pede pressa.
Coleciono instantes
em versos, em imagens,
na pele da estrada
e no vinho que demora na boca.
Se vier, venha curioso.
Algumas respostas
só se revelam
à beira do mar
ou no sussurro certo
em outra língua.
Silenciar, nem sempre é concordar. As vezes, é apenas uma maneira de evitar confrontar, quem o obvio não quer enxergar.
Mesmo sem asas podemos voar, fechar as cortinas do óbvio, e alçar as alturas, viajar por terras longínquas, desfrutar das surpresas de mundos desconhecidos, desbravando os mistérios das inúmeras letras, do preto no branco, nos abastecendo de novidades.
Ler é uma aventura fascinante.
"Desde pequena, ela aprendeu a enxergar a vida com olhos que vão além do óbvio.
Enquanto muitos passavam apressados, ela ficava observando pequenos detalhes..."
Amo a temática, a poesia retratada em pintura onde o óbvio não é objetivo, a metáfora como impressão digital por cerdas distintas, expressivas e profundas, que convidam a comunicação com a alma pelo cristal de nossos olhos
O homem solteiro de valor é pouco óbvio aos olhos do mundo atual, ser solteiro não é estar livre para qualquer uma, mas pronto para uma única mulher.
O Apito, a Matemática e o Óbvio
Em Natividade, vive-se um tempo curioso: discute-se muito, posta-se muito, argumenta-se muito — mas o trânsito continua falando a língua bruta da imprudência.
Em tempos de abusos no volante, não é o grito que organiza.
Não é a live que corrige.
Não é o discurso inflamado que reduz colisões.
As armas mais poderosas continuam sendo as mais simples:
o apito e a vigilância institucional.
O apito não é autoritarismo — é sinal.
A vigilância não é perseguição — é presença do Estado.
A matemática é elementar, quase primária:
Ausência de fiscalização + sensação de impunidade = abuso.
Presença constante + regra aplicada = redução do excesso.
Não requer hermenêutica. Não exige tese de doutorado. Não depende de narrativa ideológica.
É conta de soma.
Quando não há quem observe, alguns avançam o sinal.
Quando não há quem registre, alguns estacionam sobre a faixa.
Quando não há consequência, multiplica-se o descuido.
E a cidade paga em risco o preço da omissão.
Enquanto isso, ali perto, em Porciúncula, formam-se agentes, treinam-se procedimentos, aguarda-se homologação. Pode parecer burocrático. Mas é método. E método é a base da ordem.
Em Natividade, o debate muitas vezes se perde entre versões e justificativas. Porém, a rua não entende versões — entende presença. A rua não interpreta intenções — reage a ações.
O apito não é barulho.
É lembrança de limite.
A vigilância institucional não é espetáculo.
É aviso silencioso de que alguém está cuidando.
E quando o poder público hesita em assumir esse papel, a equação se resolve sozinha — e nunca a favor da coletividade.
No fim, a matemática do trânsito é cruelmente simples:
Onde o Estado não ocupa, o abuso ocupa.
Onde a regra não se impõe, o improviso reina.
Não é questão de opinião.
É questão de soma.
E talvez seja esse o segredo: não conquistar a complexidade, mas reaprender a escutar o óbvio, a habitar o claro, a deixar-se tocar pelo simples. Pois é aí, no chão limpo da simplicidade, que repousa a grandeza que tanto buscamos.
A maioria das pessoas não faz ideia do que é amar realmente. É óbvio que o amor dói, afinal, se não doesse, não poderia curar. Hoje as relações são pura conveniência. Até diria que o amor respira por aparelhos na Era moderna, e logo deixará de existir. As pessoas são carentes, não querem aquela pessoa que amam, mas sim qualquer pessoa, e quando essa pessoa não é mais conveniente, simplesmente trocam como se o outro fosse uma peça de desmanche de automóveis.
O "amor gourmet" nunca foi e nunca será amor. Se você pode esquecer alguém em questão de dias, semanas ou meses, se pode descartar e seguir em frente com uma noite de choro pelo apego, nunca foi amor. Viver assim pode até ser mais seguro, afinal, por um lado, jamais terá seu coração quebrado, mas por outro, nunca vai conhecer o oposto de ter um coração partido, e nunca vai crescer ou saber o que é amar alguém tanto quanto a si mesmo. Nunca terá tido a coragem mais perigosa do mundo.
- Marcela Lobato
O óbvio precisa ser dito as vezes né? Frequentemente quando se trata de religiosos e desinteligentes da extrema direita.
Mulheres trans SÃO MULHERES! Elas REPRESENTAM AS MULHERES, SÃO UMA DE NÓS TANTO QUANTO QUALQUER MULHER CIS!
E muitas geralmente fazem mais por nós, mulheres cis e trans, do que muitas cis que estão ao lado dos nossos opressores roubando nossos direitos e prejudicando nossas vidas, além de impedindo que as coisas melhorem.
Sou uma mulher cis e a Erika Hilton me representa!
- Marcela Lobato
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