Obrigada pela noite
É noite de Lua Cheia
e alvíssima que
não tem como ser
capturada no céu
da minha gentil Cidade
de Rodeio que fica
no Médio Vale do Itajaí
aqui em Santa Catarina,
É fato que o pulmão
da minha amada Pátria
pelo fogo se contorce
porque segue a queima
que de cinzas nos encobre,
e o nosso horror só aumenta
de tal maneira que não cabe
somente num simples poema.
A Lua Cheia desta
noite foi vista muito
breve porque foi
toda vestida de cinzas
da notória tragédia,
Profundamente dorida
tem me feito todos
os dias mais entristecida,
Tenho profundo receio
de não vir a encontrar
o futuro do mesmo jeito.
Noite de Versos Intimistas
e de Pequiá-amarelo em flor,
E eu continuo aqui sozinha
pronta para quando chegar
o meu tão adorado amor,
Porque é assim que me preparo
todos os dias para quando
ele vier pronto e eu com ele for.
Não preciso procurar
porque em mim floresce
como o Sacuanjoche
a inspiração dia e noite
Morta ou viva sobrevive
a ferro, fogo e fumaça
o mais etéreo diante de todo
o pesadelo que passa
O importante que todo
o sentido sou eu que dê
distante ou perto de você
Porque o quê mais quero
é ser ou ser diante de qualquer
coisa que possa acontecer.
Noite de amor bonita
que podemos ver
as estrelas bem próximas
do Ipê-ovo-de-macuco,
Espero pelo teu amor
como o maior luxo
que alguém pode ter
neste mundo confuso,
porque de fato é.
Não nasci Poetisa
da noite para o dia,
eu morria de raiva
de ler e até de escutar,
até que chegou
a ironia do destino
que me apresentou
a Fernando Pessoa
que fez a raiva passar.
Em seguida veio
"o Alberto Caeiro,
o Alexander Search
e Álvaro de Campos"
que me apresentaram
a outros tantos.
Mais próxima deles
pude conhecer
"o António Mora,
o António Seabra,
o Barão de Teive,
e o Bernardo Soares"
que me levaram
para muitos lugares.
Pelo caminho fui
apresentada "a Carlos Otto
a Charles James Search,
a Charles Robert Anon,
a Coelho Pacheco,
e a Faustino Antunes"
que fizeram entender
que não há segredo
para compreender
e gostar de poesia.
Praticamente íntima
de todos os anteriores,
fui apresentada
a outros senhores
que me levaram
a outros lugares
que jamais pude sonhar.
E assim fui apresentada
"a Frederick Wyatt,
a Frederico Reis,
a Henry More,
a Crosse, a Jean Seul
e Joaquim Moura Costa"
que de maneira amistosa
na mesma mesa ensinaram
que poderia vir a gostar
de muitos outros mais.
A medida que fui
me reencontrando
com todos eles,
fui evoluindo e pedi
para ser apresentada
por cada um deles "a Maria José,
a Pantaleão, a Pêro Botelho,
a Raphael Baldaya, a Ricardo Reis,
a Thomas Crosse e a Vicente Guedes"
que após a minha rotina de preces
passei a incluir a poesia
e encontrei nela muitas benesses.
Tudo entre eu eles aconteceu lento
e rápido ao mesmo tempo,
que a raiva enorme que sentia
sempre que ouvia poesia
por encantamento passou.
É noite de Santo Antônio,
preparei um Chimarrão Ferradura
para ver se um amor eu encontro,
e se não acontecer não tem
problema a cada novo dia
sempre haverá um bom poema.
Ipê-tabaco florescido
tão sublime e magnífico
em noite estrelada,
Ter nascido latino-americana
é o meu inegável destino
que segue convicto e invicto,
e não há ninguém na vida
que me prove o contrário.
As flores do Pau-d'arco-amarelo
reverenciam as estrelas,
E eu com os pés na terra
esta noite que promete
ser longa escrevo poemas
para quem sabe ser parte
das flores ou das estrelas
porque o convívio com
alguns anda testando
as minhas resistências.
Escuto a Piúva-amarela
balançar com o vento
desta noite sublime,
Com contentamento
as estrelas retribuem
com um brilho que
faz lembrar do seu,
És poeta e amor meu.
Tamurá-tuíra que com
suas flores reverencia
o Hemisfério Celestial Sul
nesta noite profunda
que inevitável se avizinha,
Quero estar preparada para eu
estar na tua e você na minha.
A Ibirapita saúda solene
a chegada da noite sublime,
E eu sigo invicta como a Lua
do seu bonito céu estrelado
onde você já é meu namorado
As inspirações convidam
no meio da noite profunda
a vestir-me plena com
o ouro da minha Pátria
absoluta e romântica
que possui tudo e muito mais
da poética Mata Atlântica
para saudar o Ipê-Amarelo
que é a árvore sublime
da flor nacional brasileira.
Ipê Amarelo do Cerrado
nesta noite só quero
que você saiba que aguardo
pela suas flores
para esquecer das dores
da vida e do mundo
no afã de ser a poetisa do absoluto.
Ipê Amarelo da Serra
poético em noite
profunda de Lunistício
esperando pela vinda
do Solstício de Verão
e da tua amável poesia
que aquece o coração.
Pétalas de Ipê-amarelo
atravessam o caminho
indicando que a noite
será linda, cheia de poesia
e com direito a companhia
das estrelas nos cobrindo
de fascínio e de alegria.
O Ipê-amarelo-flor-de-algodão
dançarino nesta noite
o Lunistício reverencia,
Ter amor por você é por
enquanto é querência íntima
que se poesia a ser pública,
Que seguirá sendo escrita
por nós dois a vida inteira.
Cai a noite mansa
sobre a América do Sul,
O Ipê-Dourado poético
florescido no Sul do Brasil acena
para a chegada das estrelas,
e eu começo a pensar
quais serão os próximos poemas.
