Obrigada pela noite
A Escolha de Não Escolher
No limiar da noite, onde o eco se cala,
deixo cair as mãos, entrego-me ao nada.
Escolher é um peso, um fardo sem fim,
um labirinto onde o começo é o fim.
Não sigo o vento, nem luto com o tempo,
meu passo vacila, desiste, se aquieta.
A escolha é um grito que não mais sustento,
prefiro o silêncio à promessa incompleta.
Desistir não é fuga, é um pacto com o vazio,
um abrigo na sombra, um descanso tardio.
As estrelas me olham, mas nada revelam,
sou mais uma pedra que as ondas encobrem.
Não há vitória, nem derrota, nem glória,
apenas o cansaço de um peso invisível.
No limiar da vida, onde o verbo tropeça,
abandono o querer, e o silêncio me leva.
A Mariposa e a Luz
A mariposa dança no abismo da noite,
cativa de um sol que não nasce.
Seus olhos são fome de lume,
seu corpo, um verso prestes a queimar.
Ela não pergunta ao fogo quem é seu dono
nem teme o abraço da lâmina ardente.
É desejo sem fronteira,
um grão de poeira sonhando ser tudo.
O tempo não pesa em suas asas,
pois tudo o que vive já nasce em ruína.
A vida é uma ânsia de brilho,
um voo cego rumo ao cerne do nada.
E, quando, por fim, toca o imponderável,
não há grito, nem sombra, nem fuga.
A luz a devora num sopro sem nome,
a sede de eternidade, em silêncio, a consome.
VEJO A VIDA PASSAR PELA JANELA
Todo dia, sobretudo à noite, tenho a impressão de que a vida escorre pela janela. Não como um acontecimento brusco, mas como um escoamento sutil — uma espécie de adeus cotidiano que ninguém percebe, exceto quem aprendeu a olhar.
É pela janela do meu quarto que observo a lua — testemunha antiga dos meus poemas, cúmplice dos versos que escrevi para minha amada, esposa, musa. Foi ali que derramei palavras como quem tenta deter o tempo. Foi ali também que vi meu gato desafiar o espaço, se equilibrando entre o vidro e a rede de proteção, como se pressentisse que a vida, afinal, é esse jogo instável entre o risco e o repouso.
Às vezes me pego contando os dias. Não com a ansiedade de quem espera, mas com a lucidez de quem sabe que tudo se esvai. Como quem vira páginas em um calendário invisível, um calendário metafísico onde cada dia é uma página escrita com o que não vivi plenamente.
E então me pergunto: será que me resignei diante da finitude? Ou apenas me acostumei a contemplar, a escrever, a esperar? Me tornei íntimo da lua, confidente das madrugadas, contador de silêncios. Talvez tenha aceitado que a vida não se segura — apenas se observa. Como quem sabe que o tempo não espera por ninguém, mas pode ser tocado, por um instante, no gesto de olhar com atenção.
A cada noite, sinto que estou escrevendo — com meu corpo, com minha espera, com meus olhos voltados à lua — uma lenta despedida.
na sombra da vida
onde tudo se faz,
a noite, um açoite,
engano voraz.
o homem se perde
em plano desfeito,
sem fé, sem direito
de tentar outra vez.
a vida é só uma,
sem chance de volta.
só há revolta
e um lutar no vão.
no palco do medo,
só culpa e segredo —
sussurro de morte
e retorno ao chão.
Declara sutilmente nesta noite o seu lado romântico que tanto preza o amor por estar linda, esbanjando simplicidade, usando um azul belo e delicado, cor que expressa vida, cuja tranquilidade está num céu ensolarado e na imensidão de um mar repleto de vida.
Um azul como aquele usado pela Cinderela com sua jovialidade confiante e destemida, ou do vestido da Alice, inocente, com sede de sair da normalidade ou ainda o da sua preferida, Bela, que era inteligente, que amava muito os livros, tendo uma essência esperta e aventureira.
Talvez ela seja também uma personagem simples e amável de contos de fadas, trazida felizmente pra esta realidade, então, merece ser fortemente amada por ser feita de muitas verdades que inspiram, conquistando amores e olhares.
É preciso ter uma certa sensibilidade, uma visão poética para enxergá-la nesta noite agradável como se ela fosse uma bela poesia na sua versão física sob uma cor sóbria, romanticamente, expressiva, que denota uma arte que com muita maestria vivifica.
Momento temporário, profusamente, aprazível, o romantismo simples na sua essencialidade, fragmentos lindos, um salto do lúdico para a realidade que pode ser eternizado na mente, se for gentilmente percebido, contemplado, veementemente sentido.
Uma dádiva ver a vida de um amor poético refletida lindamente num realismo repleto de encantos que se alimentam fartamente do romantismo e ainda que seja algo visto por alguns instantes, continua sendo significativo por gerar uma sensação cativante de regozijo.
Imagino com detalhes ricos como se fosse uma lembrança de que estávamos juntos à noite numa ocasião rara, em um lugar belo e pacífico, sossegados sem nenhum incômodo, gratos usufrindo tudo a nossa volta, além da companhia um do outro.
Próximo a uma grande árvore frondosa, deitamos na grama, conversamos com palavras, olhares e afetos, saboreamos uma sensação diferenciada por ser sincera, muito acalorada por nossos vívidos sentimentos estarem de fato se entendendo.
O céu estava lindo, propício para ser admirado, provavelmente, um véu de nuvens havia sido rompido para que pudéssemos observar as constelações num espetáculo inesquecível, gerando em nós emoções amáveis, deixando assim, nossos corações aquecidos.
Em pouco tempo, ela ficou tão encantada que antes que eu fizesse mais algum comentário, pediu-me para deixar que seu olhar noturno despisse as estrelas, belas e reluzentes e então, atenciosamente vislumbrar um simples poema incomparável e resplandecente.
E já que não poderia ser diferente, felizmente lhe respondi "Claro, nem penso em impedir-te, quiçá, eu faça o mesmo pra que minha mente chegue a brilhar e a inspiração possa vir e que os nossos poemas possam se encontrar na reciprocidade do nosso despir.
É evidente que também fiquei encantado com aquele regalo celeste, mas parei por alguns instantes para observá-la e parecia muito o reflexo da alma em olhos vívidos na frente do espelho, um amor reflexivo que fará sempre sentido se o viver for verdadeiro.
Amada minha, serás nesta noite o céu que meus olhos contemplam, tua linda face será um luar emocionante, no teu olhar, terá o brilho entusiasmante das estrelas, teus lindos cabelos serão as nuvens e os meus pensamentos formarão a atmosfera que reúne estes aspectos.
Uso este prisma empolgante para representar em algumas palavras um pouco da importância da tua existência que tanto cativa, para que sejas pelo menos uma lembrança poética, assim, estarás sempre comigo de uma maneira simples e intensa.
Mínima compensação por tua ausência física, até que possa ter-te pessoalmente no alcance da minha vista, que eu sinta o teu cheiro, admire de perto o teu carisma, saborei os teus beijos entre outras carícias que façam valer nosso tempo numa satisfação recíproca.
Eu fui surpreendido em uma noite recente por uma benesse grandiosa ao abrir a janela do meu quarto, pois encontrei finalmente aquela nuvem que outrora tanto almejei, a qual levou-me de imediato até a lua, fiquei com as estrelas bem diante dos meus olhos, uma contemplação única, que não pode ser comparada, com toda certeza, memorável, nem me importei se estava sonhando ou desfrutando de alguma loucura, só quis observar atenciosamente aquelas tantas constelações dando um grande espetáculo e depois de um bom tempo, ela trouxe-me de volta, já estou sentindo muito a sua falta, portanto, não vejo a hora de um próximo encontro como um regalo para a alma.
Numa ocasião emocionante,
Saí para apreciar a noite,ela estava linda,
Meus olhos brilhando de tanta felicidade
Que o Céu decidiu afastaras nuvens
como curtinas
Para que as Estrelas brilhassem
comigo naquele instante
mais que preciso.
Queria estar contigo agora
sem nenhum empecilho,
com a noite sendo só nossa,
eu sentindo o teu cheiro
e tu sentindo a minha respiração
seguindo pra uma troca de beijos
com o pulsar acelerado
de nossos corações
acalorados pela a emoção
de estarmos a sós
com nossos corpos conjugados
a um êxtase de prazer e amor,
bem, após externar minha vontade,
tentarei dormir e sonhar
com o sonho onde
já se tornou verdade
este tão aguardado encontro.
Certa noite,
durante uma caminhada
pelo o bosque,
não muito distante,
encontrei um ser gracioso
de cabelos platinados,
pele delicada,beleza rara
que estava cantando ao luar
fiquei tão deslumbrado
que cheguei a perguntar-me
se estava ficando louco,
por meio do seu canto,
transmitia um amor,
uma simplicidade,
um prazer intenso,
um sentimento vivo
cheio de intensidade,
Mas depois,
foi se formandoum nevoeiro
ocultandoaquela presença,
hoje, aquele momento
é apenas uma preciosa lembrança
ou a mente que pregou-me uma peça.
Lua de Sangue,
a Dama da Noite
vestida de vermelho
pra um momento especial,
escolheu um traje perfeito
pra seu fascinante eclipse total.
Numa noite tranquila,
estava com ela no campo
conversando sobre a vida,
de repente, avistamos
uma forte luz
a poucos metros
de onde estávamos,
claro, chamou muito
a nossa atenção
e fomos até lá,
ao nos aproximarmos
sentimos uma veemente pressão
e assim, por ela, fomos puxados
pra o imenso espaço
entre as estrelase outros astros,
pra nossa surpresa,
podíamos respirar com facilidade
nem a força da gravidade era um problema,
ficamos até assustados
e, simultaneamente, encantados
que decidimos aproveitar
sem pensarmos nas consequências,
era uma oportunidade e tanto
por estarmos naquele lugar,
então, começamos a nossa aventura,
conhecemos algumas constelações,
passamos próximo de alguns planetas,
ficamos deslumbrados com as nebulosas,
uma mais bonita que a outra,
havia muitas belezas a nossa volta,
nem sentíamos o tempo passar,
até que uma linda estrela cadente passou bem na nossa frente
e uma intensa escuridão tomou conta,
neste ponto, uma pausa na nossa memória,
abrimos olhos e, no mesmo horário
e local, estávamos de volta,
se foi um lapso na realidade
ou um lapso temporal, difícil saber,
mas, certamente, foi uma experiência surreal ,
da qual nunca iremos esquecer.
Exposição de uma arte profusamente calorosa, que está exposta nesta noite, uma venustidade imponente que reúne a delicadeza sedutora de uma rosa e a intensidade evidente de um vinho encorpado, combinação de fato maravilhosa,
belas formas embelezadas naturalmente pelo amor e avivadas por um desejo incansável, cabelos majestosos, uma presença de muitos significados e um alto grau de importância, uma realidade charmosa que faz sonhar acordado
Elegância de muita simplicidade numa constância de fortes emoções, um tom amável de poeticidade em determinadas ocasiões, um reflexo da sua verdade, das suas intenções mais seletivas, do fulgor da sua jovialidade, da sua doçura atrevida.
No cenário lúdico durante à noite de uma linda pintura, debaixo de um intenso céu azul, vejo um diálogo profundo, peculiar, silencioso, sem o uso de palavras entre uma essencialidade noturna e a lua como se uma refletisse a alma da outra, o brilho dos olhos e a luz do luar se correspondendo, o que me faz imaginar que deve ser a mesma experiência que um lobo solitário tem ao olhar para cima na imensidão celeste na direção da lua, talvez, a única que o entende.
Elegância preciosa que torna esta noite marcante, atração poderosa de uma rosa vermelha, sedução calorosa, abundante, rica em simplicidade, a sutileza de pétalas em belas curvas, uma compleição intensa de uma naturalidade charmosa, amor grandioso, bênção que revigora, inspiração poética de um poder divino, venustidade do Senhor, encanto farto, estrutura de um espírito vívido, fervor demasiado, diferencial bastante significativo, tom amável, vermelho aprazível de uma flor naturalmente deleitável.
Horas avançadas, um avanço calmo que passa sem ser percebido, a noite quando se torna madrugada e logo abre a porta da mente para certos pensamentos que decidem acordar e ficam ativos, sentidos notórios ou implícitos, audaciosos, um querendo chamar mais atenção do que o outro como animais famintos de hábitos noturnos, selvagens misturados, querendo falar ao mesmo tempo, sem respeito pelo espaço do outro, mas, atipicamente, providos de um mínimo de racionalidade, disputando por território, alimento, destaque, vencendo o mais expressivo, usando argumentos, diálogos, frases simples, algumas envolvidas pela complexidade, originando deslumbramentos, assuntos tranquilos, problemáticos, inspirações de muitos detalhes com um espírito intenso, atrevido, realista, lúdico, motivado pelo romantismo, pela rotina, pela sinceridade, por instintos, desejos, sentimentos vivos, que consegue tirar desta realidade e levar até um mundo singular, em uma viagem aprazível ou desagradável, um desabafo mental criativo, inevitável, tempestivo, que deixa o sono recuado.
As luzes à noite de uma "selva de pedras" também têm o seu charme, a viveza apaixonante que se mistura aos diversos olhares e sorrisos confiantes que ainda podem brilhar apesar das suas rotinas caóticas e as tantas dificuldades, uma compensação noturna nas grandes cidades que muitos não desfrutam, mas provavelmente se alegram e se renovam quando o fazem.
Fogo incansável, desejo bastante atrevido, em cada cena, um distinto espetáculo de uma noite inesquecível.
Instantes intensamente desfrutados por atos e instintos, ambos empenhados em um entusiasmo recíproco.
Do toque físico ao forte contato com a alma, uma interação rara, aprazível, onde a emoção veemente se propaga.
Experiência acalorada, corações num ritmo intenso, corpos suados, um diálogo além das palavras, daqueles que pausam o tempo.
