O Valor do ser Humano Rubem Alves
O amor não dói por ser intenso, dói porque revela o quanto somos dependentes do reconhecimento do outro.
O discurso “não existe verdade absoluta” costuma ser só um perfume filosófico para justificar a força quando o argumento acaba.
O paraíso deve ser um lugar insuportável. Imagine passar a eternidade cercado por pessoas que passaram a vida inteira sendo chatas o suficiente para merecerem entrar lá.
Se o diabo existe, ele deve ser o contador das igrejas, gerenciando fortunas em nome de um deus pobre.
Eu mudo de rota a cada dez anos porque me recuso a ser o museu de mim mesmo. Se eu não me trair de vez em quando, acabo virando estátua, e estátua só serve para os pombos da mediocridade cagarem em cima.
Se você ama o psicopata por ser seu "próximo", você se torna o cúmplice silencioso e assim ajuda a causar mais vítimas.
Eu não posso ser julgado pelo deus "cristão". Moralmente, estou acima dele. Nunca afogaria a humanidade inteira num acesso de fúria, nunca testaria a fé de alguém exigindo o assassinato do próprio filho, nunca precisaria de sangue inocente para “perdoar” pecados. Se isso é divindade, então ser humano já é um avanço ético. Portanto, não: não aceito ser julgado por um ser que age como psicopata e ainda exige aplausos por isso. Não sou perfeito, mas uma coisa eu garanto: sou melhor que o deus cristão!
Talvez o problema seja o conceito de "amor": para o religioso médio, amar parece ser o ato de odiar fervorosamente qualquer um que não se curve ao seu delírio coletivo.
Um ser imortal não pode se sacrificar de verdade: quem pode morrer infinitas vezes nunca perde a vida, logo, Jesus nunca se sacrificou pela humanidade!
Defendo a pena de morte apenas para os niilistas, os suicidas, os negadores da vida devem ser jogados de volta ao nada!
