O Valor do ser Humano Rubem Alves
Nunca fui o nome que habita teus sonhos,
nem o rosto a que você volta com saudade.
Carrego nas mãos as tentativas inúteis
de preencher um vazio que não era meu.
Se tentasse ser outro, seria mentira,
mas do jeito que sou, não é o bastante pra ficar.
A verdade é que
não sou eu quem você quer,
e nunca fui.
Primeiro você começa carregando uma bolsa masculina, e, então, quando vê, já está por aí de roupão e pantufas de coelhinho cor-de-rosa, perseguindo galinhas com um aparador de grama.
Não quero ajudá-lo a ir embora. Você não é meu amigo. Você é meu irmão. E você pertence a este lugar.
Apenas dois tipos continuam aqui: frouxos e cães de caça. Os frouxos vivem com medo, jogam a culpa nos outros e nunca se responsabilizam. Já os cães de caça farão de tudo para que a justiça prevaleça. Seguem o rastro do criminoso e não descansam até que ele tenha o que merece.
Nada me assusta mais do que quem não aprende, mesmo que à própria custa. É uma escuridão que jamais vou entender.
Se você deseja ajudar seu amigo, faça-o de maneira que não traga sobre si os fardos de seu amigo.
Se este mundo vai se tornar um mundo maravilhoso, ou um mundo horrível, vai depender apenas de você.
Assim como a Lua é o satélite da Terra, o ódio tem seus próprios satélites. Suas altas expectativas, sua fé, e seu carinho por uma determinada pessoa estão todos interligados. Mas quando algum desses elementos sai de órbita ou retrógrado, pode se transformar em ódio.
Eu estava me perguntando… Você pode me deixar passar o resto da minha vida com você?
Sem você, minha vida não tem sabor. Você é como meu sal e açúcar. Você é meu óleo de gergelim.
Vi a sabedoria dos céus contemplada na fala do analfabeto, onde a humildade permanece intacta, sem a soberba do conhecimento, sem o achismo dos que não experienciaram nada além de si mesmos.
