O Valor do ser Humano Rubem Alves
Não, Friedrich.
Deus está vivo, ele nunca morreu. O 'Deus' é humano, o 'Deus' é a sociedade, o 'Deus' é o medo, o 'Deus' é a ciência, o 'Deus' são os pequenos detalhes que se infiltram e nos manipulam, o 'Deus' são as escolhas, o 'Deus' é a suposta liberdade, o 'Deus' é derivado do medo. Enquanto os humanos sentirem medo, Deus nunca morrerá. Deus é todos os humanos. Deus nunca morreu; ele se adapta e se reinventa. Ele é puramente humano.
"Entre algoritmos e inteligência artificial, o fator humano continua sendo o diferencial mais poderoso."
As sensações são o maior vício humano. Só não é escravo delas quem suporta o tédio e sabe encarar as frustrações.
A educação é um direito humano com imenso poder transformador. Os pilares da liberdade, democracia e desenvolvimento humano sustentável repousam sobre sua fundação.
É bem melhor visionar um mundo mais humano cheio de amor e paz, do que as barbáries existentes. Imaginar o amor nos pequenos detalhes, do que trazer para nós o som estridente das falácias e desacertos sociais. Se o nosso espírito está leve. Leve também será os nossos dias.
Eu costumava me achar inteligente
Hoje em dia eu sou tao pouco genio quanto humano
andando no pensamento de fernando pessoa:
Olho, e as coias existem
Penso e existo só eu
Claro que sinto e vejo apenas a mim.
sem mundo a ensinar, sem nao eu
como falar de um jeito poetico?
tem sequer um jeito certo hein?
epero que sim, mas nada de certo vem de dentro
o mundo exite e basta, e sinto e isso nao serve ao mundo
independente de mudança sobre tal belo mundo, sou fruto de mim mesmo, logo errado e
Hoje, no silêncio da Quarta-feira Santa, somos convidados a olhar para o coração humano com sinceridade. É o dia em que a liturgia nos recorda a figura de Judas Iscariotes, aquele que, mesmo caminhando com Jesus, escolheu traí-lo.
Essa lembrança nos toca profundamente. Quantas vezes também traímos Jesus em nossas atitudes, omissões e escolhas? Judas representa a tensão entre o amor de Deus e a liberdade humana. Mas diferente dele, somos sempre chamados à reconciliação, ao arrependimento e ao recomeço.
Que essa Quarta-feira Santa seja um convite à conversão. Que possamos silenciar o coração, reconhecer nossas fragilidades e, com humildade, voltar nosso olhar para o Cristo que caminha para a cruz por amor a nós.
“O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Ai daquele que o trair!” (Mt 26,24)
Que o amor vença a frieza, e que a fé nos conduza à luz da Ressurreição.
Se há um instante em que o humano transcende sua condição terrena e toca o sublime, é quando empreende o resgate de um ser além de sua própria espécie. Nesse gesto desinteressado,na essência divina que nos habita irrompe como centelha ética, desobrigada de liturgias ou panteões. O impulso salvador emana das profundezas do ser, brotando não como imperativo externo, mas como epifania interior que converte compaixão em ato concreto.
Aqui, a sacralidade não desce dos céus, mas ascende do âmago da consciência, ética autóctone, forjada na quietude da reflexão e cristalizada em movimento altruísta. Mais que mero afeto, é metafísica aplicada:
reconhecer no Outro (ainda que distinto em forma) um valor intrínseco que demanda tutela.
Nessa alquimia moral, o homem não obedece deuses, mas dialoga com o infinito que carrega em si. Cada ato de proteção animal torna-se, assim, liturgia silenciosa onde o divino não é adorado, mas encarna do testemunho de que a transcendência começa onde termina o egoísmo.
Desfrente do respeito humano, Verônica tocou uma toalha no Seu rosto, e como se para nos lembrar que a semelhança entre Cristo e nós é mais perfeita no sofrimento e na tristeza, o Divino Salvador deixou a impressão de Sua face Divinamente triste.
A solidão fortalece nossa capacidade de relacionamento humano pois é, contraditoriamente, uma base para nossa empatia profunda que nos possibilita ter encontros verdadeiros e sinceros com as pessoas, em nossas caminhadas!
Entre o Assassino e a Vítima
Quem sou eu?
Um humano imperfeito,
destroçado entre o espelho e a carne,
cometendo crimes contra mim mesmo,
atentados sutis que corrompem a alma
e rasgam a pele da consciência.
Sou vítima ou assassino
daquilo que me tornei?
Voluntário no ato de me ferir
ou involuntário na arte de desmoronar?
Sou necessidade que enlouquece,
psicose que se veste de razão,
ou um delírio lúcido que encena
a tragédia de ser quem sou?
Sou mesmo louco?
Ou a loucura é a máscara
que uso para não ver a verdade
do caos que me habita?
Sou mesmo eu?
Ou sou um espectro fragmentado,
uma nota dissonante
na sinfonia do que jamais fui?
Indizível.
Como nomear o vazio que preenche
os espaços entre meus gestos?
Como afirmar com certeza
que sou algo além do que falha
ao tentar existir por completo?
Se a dúvida me define,
sou tanto a ferida quanto a lâmina,
a mão que acolhe e que esmaga,
o vulto que se esconde atrás de um rosto
que mal reconhece sua própria sombra.
E se o espelho estilhaçado
reflete múltiplos eus
que coexistem na fissura do real?
Serei eu o caco que corta
ou o reflexo que sangra?
Sou a colisão entre o ser e o não ser,
o vértice do abismo onde a dúvida ecoa
e a própria identidade se desfaz.
Há um grito que rompe o silêncio,
uma palavra que treme na garganta,
como se nomear-se fosse desabar
e aceitar-se fosse um pacto
com a dor que me habita.
E no limiar dessa guerra interna,
sou o paradoxo que respira,
uma verdade que mente para si mesma
enquanto tenta sobreviver ao próprio fardo.
Ser é ser incompleto.
Sou a imperfeição que sobrevive
no abismo entre razão e caos,
desafiando a lógica
com um coração que ainda pulsa
mesmo quando a mente implora por trégua.
A pineal atua como o maestro do relógio biológico humano, sincronizando o organismo com os ciclos solares e lunares através da secreção rítmica de melatonina.
