O Valor do ser Humano Rubem Alves
Deus deu-me o deserto para ensinar o valor da sombra, é ali que a alma aprende a esperar e a poupar forças.
O amor-próprio nasce ao ver valor no escuro, descobrir-se na escuridão é encontrar luz interna, valor íntimo não depende de aplausos, no silêncio aprendi a me reconhecer.
A consciência de que fui resgatado a um preço tão elevado confere um valor que o mundo não pode manipular nem tirar. Que eu viva cada dia honrando esse resgate, com a dignidade de quem sabe ser incondicionalmente amado. Não mais escravo do medo, mas livre para expressar o melhor de mim, impulsionado pela Tua graça.
O seu valor não está no que você possui, mas na qualidade das suas escolhas morais em momentos de crise.
A energia gasta em tentar provar valor a um júri que já proferiu o veredito da desvalorização é a mais inútil das espoliações.
Aquele que não tem nada tem cruz pesada pra carregar, ensinando na dor o valor da resiliência e da humildade.
Viva de amor, e a vida te trará menos dor, pois é através da dor que reconhece o valor do amor; nisso, a dor deixará de ser dor e passará a ser amor.
"Reflexão de vida:
"Não abra mão do seu valor, e não se diminua pra caber na régua de ninguém.
Se o seu valor não se encaixa no padrão do outro, isso é problema dele e não seu. Quem tenta te medir pela própria régua nunca enxergou o valor que você tem.
Portanto, não se encolha pra caber no espaço de ninguém."
Se a Primavera fosse eterna, ela perderia seu valor de renovação, ela somente é celebrada porque o Inverno existiu.
Em pleno Verão, o Inverno chegou, naquele ano não
houve as demais valor, somente o frio, algumasflores resistentes do jardim, continuaram a florescer,na esperança da Primavera retornar, o Sol raiar e o coração voltar a aquecer. Aguardando o ciclo virar em um breve alvorecer
Às vezes, o encanto pelo "lá" precisa morrer para que a gente aprenda a dar valor ao "aqui". O contraste é o melhor professor de gratidão.
No fim das contas, um lugar mágico é apenas qualquer lugar onde você não sinta necessidade de estar em outro lugar. Quando você está disposta a largar o que não te serve, nenhuma decepção é difícil de carregar .
As promessas alheias têm pouco valor, as próprias valem por instinto. Prometer para si é firmar um tratado íntimo. Nem sempre cumpro, mas a tentativa já é território conquistado. Renegociar com gentileza é parte do acordo. E assim construo um caminho que me pertence, aos poucos.
O medo é o imposto visceral que se paga por possuir algo de valor inestimável, mas a coragem é o testamento de fogo que prova: a blindagem cedeu, mas a espinha dorsal da
luta permanece intacta.
CLADISSA.
CAPÍTULO V
O VALOR QUE NÃO SE PESA EM TERRA.
A Úmbria do século XI permanecia sob as tensões que reverberavam desde Roma. A controvérsia das investiduras não era apenas querela entre trono e altar, mas reorganização profunda das hierarquias sociais. Desde o confronto entre Henrique IV e Gregório VII, a cristandade latina experimentava vigilância moral crescente e redefinição de vínculos entre laicato e clero.
Nesse contexto, o mosteiro onde Cladissa vivia não era simples refúgio espiritual. Era centro de irradiação simbólica. Sua biblioteca, ainda que modesta, preservava códices da Vulgata consolidada por Jerônimo, além de comentários patrísticos que sustentavam a ortodoxia local. O scriptorium tornara se espaço estratégico. Copiar textos era manter a unidade doutrinária em tempos de fragmentação política.
Foi precisamente nesse cenário que as investidas contra Cladissa adquiriram contornos mais nítidos. Não eram meros impulsos sentimentais. Eram movimentos inscritos na lógica feudal.
Primeiro fator. O capital simbólico. A alfabetização em latim, rara entre mulheres e mesmo entre muitos homens, conferia lhe estatuto singular. Ela não possuía terras, mas possuía letramento. Em uma sociedade onde contratos, cartas de concessão e registros eclesiásticos exigiam precisão textual, uma mente disciplinada era ativo valioso. Pequenos senhores locais, pressionados por tributos imperiais e obrigações eclesiásticas, necessitavam de organização. Uma esposa instruída elevava a casa não apenas socialmente, mas funcionalmente.
Segundo fator. A política de alianças. Após 1077, quando Canossa tornara se símbolo da tensão entre Império e Papado, cada vínculo com instituições religiosas ganhava peso estratégico. O mosteiro representava legitimidade espiritual. Aproximar se de Cladissa significava, ainda que indiretamente, aproximar se da autoridade moral do claustro. Em tempos de suspeita sobre simonia e corrupção clerical, a associação com uma figura reconhecida por disciplina e pureza tornava se capital político.
Terceiro fator. A projeção moral e estética. A espiritualidade medieval valorizava compostura, recato e austeridade. Cladissa incorporava esses atributos com naturalidade. Sua postura serena, o domínio do silêncio, a sobriedade no vestir, tudo isso correspondia ao ideal feminino cultivado pela ética monástica. A virtude, naquele século, era reputação tangível.
Quarto fator. A vulnerabilidade jurídica. Órfã e sem dote expressivo, ela carecia de proteção familiar robusta. No sistema feudal, tutela e casamento eram instrumentos de incorporação patrimonial. Mesmo sem bens materiais, a própria pessoa constituía valor. Integrar Cladissa a uma casa significava absorver seu potencial simbólico e sua ligação institucional.
Esses elementos convergiam silenciosamente. Enquanto ela copiava passagens do Evangelho segundo João, refletindo sobre o Verbo que se fez carne, outros avaliavam sua presença como possibilidade concreta de ascensão ou consolidação.
Certa tarde, o prior foi procurado por um representante de pequena linhagem rural que solicitava audiência. O argumento era prudente. Falava se em proteção, em estabilidade, em honra. O discurso revestia se de cortesia, mas a intenção era inequívoca.
O prior, homem atento às reformas em curso, compreendia a delicadeza da situação. O mosteiro não podia converter se em mercado matrimonial, sob pena de comprometer sua integridade. Ao mesmo tempo, não ignorava que a permanência de Cladissa ali exigia justificativa sólida diante de pressões externas.
Cladissa percebeu a mudança de atmosfera. O silêncio tornara se denso. Já não era apenas o silêncio da oração, mas o da expectativa.
Naquela noite, ao recolher se, compreendeu que sua pobreza material era apenas aparência. O século avaliava valores invisíveis. Educação, vínculo sagrado, reputação moral.
E foi então que amadureceu nela uma decisão interior. Se era vista como moeda, precisaria afirmar se como consciência. Se era objeto de cálculo, precisaria tornar se sujeito de escolha.
O século XI mediu quase tudo em terra, tributo e fidelidade. Contudo, no interior daquela jovem formada entre pergaminhos e pedras frias, começava a erguer se algo que não podia ser pesado em balanças feudais. Uma vontade lúcida, consciente de seu tempo, mas não submissa a ele.
