O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
O mal observador enxerga deficiências no próximo,o bom observador percebe uma diversidade de capacidade.
A presença que cura o invisível
Existem dores silenciosas que ninguém ao redor percebe. Há lembranças que você não menciona para não reabrir feridas. Há episódios que apenas seu coração conhece — e que talvez você tenha aprendido a varrer para o canto mais sombrio da alma. Mas o Salmo 139 afirma que Deus viu tudo desde o início. Ele estava presente antes mesmo que cada dia da sua vida existisse. Nada que te feriu está fora do alcance das mãos d’Ele. O Senhor não tem medo do seu passado; Ele o conhece profundamente e, ainda assim, o ama completamente. Sua presença cura não apenas o que você confessa, mas também aquilo que você esconde. Ele entra nos lugares internos onde ninguém mais poderia entrar. Ali, Deus reorganiza, limpa, ilumina e restaura. O que antes parecia uma prisão emocional começa a se transformar em terreno de testemunho. A presença de Deus cura o invisível porque Ele trabalha onde ninguém alcança.
depois da porta (DC referência)
Eu nunca soube muito bem o que fazer quando alguém percebe que pode me destruir.
Talvez por isso eu tenha ficado.
Existe uma espécie de covardia bonita em continuar perto de quem conhece exatamente o lugar onde apertar. A pessoa nem precisa levantar a voz. Basta um silêncio diferente, uma resposta mais curta, aquele olhar que antes demorava um pouco mais. E pronto. O sujeito que jurava não depender de ninguém começa a procurar significado em migalhas.
Eu conheço esse lugar.
É estranho admitir que alguém pode morar dentro da gente sem pagar aluguel, sem pedir licença e, pior, sem sequer saber que possui uma chave.
Eu tentei transformar isso em orgulho.
Disse para mim mesmo que não precisava. Que conseguiria seguir. Que havia outras pessoas, outras noites, outras histórias esperando para acontecer. Fiz do desapego uma espécie de religião particular e passei a repetir suas regras sempre que sentia vontade de voltar.
Mas o corpo não entende discursos.
O corpo lembra.
Lembra da voz.
Do jeito de chegar.
Da presença ocupando um espaço que parecia ter sido construído exclusivamente para ela.
E então existe aquele segundo ridículo em que tudo volta.
Não como memória.
Como presença.
É aí que eu percebo o problema: talvez eu não queira ser libertado.
Talvez uma parte de mim ainda queira ser segurada.
Não porque eu não consiga ficar de pé, mas porque existe uma diferença absurda entre estar de pé e ter alguém por quem valha a pena cair.
Eu poderia mentir e dizer que quero alguém que nunca me faça perder o controle.
Não quero.
Eu quero alguém diante de quem meu controle pareça uma coisa pequena.
Alguém que atravesse minhas defesas sem precisar arrombá-las. Que veja toda essa pose de homem resolvido e perceba que, por trás dela, existe alguém que só queria encontrar um lugar onde não precisasse estar sempre pronto para ir embora.
Talvez seja isso que assusta.
Não amar.
Ser conhecido.
Porque quando alguém realmente conhece você, acaba a possibilidade de fingir que não sente.
E eu sinto.
Sinto até quando finjo que não.
Então, se algum dia eu voltar para aquela porta, não será porque esqueci tudo o que aconteceu.
Será justamente porque lembrei.
Porque existem pessoas que a gente supera.
E existem aquelas que permanecem como uma música tocando baixinho em algum cômodo da casa, você pode sair, fechar a porta, mudar de endereço, começar outra vida.
Mas, de vez em quando, no meio da madrugada, ainda consegue ouvir.
E talvez eu ainda esteja ouvindo.
Talvez seja por isso que, mesmo sabendo o quanto isso me desarma, uma parte de mim ainda sussurra:
fica.
Não precisa me salvar.
Só não solta agora.
solilóquio.
Tudo o que você gostaria de ser, sou eu. A parte que você esconde quando percebe que está pensando grande demais, o pensamento que você corta no meio porque alguém ensinou que sonhar alto demais é pedir pra cair. Sou aquele pedaço que não aprendeu a pedir desculpa por querer mais, que olha pra uma vida pronta e pensa que aquilo talvez sirva pra alguém, mas não pra mim. Enquanto você mede o risco, eu já atravessei a rua. Enquanto você pensa no que vão dizer, eu penso no que vão dizer quando der certo.
Você me chama de exagero porque eu não aceito a medida que colocaram em você.
Eu sou a sua vontade sem legenda.
Sou o que sobra quando você tira o medo de decepcionar os outros, o personagem que aparece quando ninguém está olhando e você finalmente admite que não nasceu pra passar a vida seguindo roteiro escrito por gente que nunca teve coragem de escrever o próprio. Eu não quero ser aceito por uma sala que me obrigou a diminuir pra caber. Eu quero construir uma sala tão grande que ninguém precise me dizer onde sentar.
E talvez seja isso que assuste.
Porque eu não tenho vergonha de querer dinheiro, nome, respeito, liberdade, estrada, noite, música, cidade nova, história pra contar. Não tenho vergonha de querer olhar pra trás e reconhecer a minha própria mão em tudo aquilo que conquistei. O problema nunca foi querer demais. O problema foi você ter aprendido a chamar de “demais” tudo aquilo que exigia coragem.
Eu não.
Eu quero.
E quero até o verbo cansar.
Se disserem que é impossível, eu transformo o impossível em prazo. Se disserem que não combina comigo, eu mudo a combinação. Se disserem que ninguém da minha idade chegou lá, eu paro de olhar pra minha idade. Se disserem que eu devia ser mais realista, eu pergunto desde quando a realidade virou dona dos meus planos.
Você fica tentando descobrir quem você é.
Eu estou tentando descobrir até onde você consegue chegar.
Essa é a diferença.
Você quer uma vida segura. Eu quero uma vida que faça sentido quando ninguém mais estiver assistindo. Você quer ter certeza antes de começar. Eu quero começar e deixar a certeza vir depois. Você pensa em perder o que tem. Eu penso no que nunca teria se continuasse com medo de perder.
E não, eu não sou melhor que você.
Eu sou pior em algumas coisas.
Sou mais egoísta. Mais inquieto. Mais difícil de controlar. Não tenho paciência pra agradar todo mundo e talvez por isso eu pareça um problema quando, na verdade, sou só a parte de você que cansou de viver como solução pros outros.
Eu não quero ser uma versão bonita.
Quero ser uma versão verdadeira.
Aquela que erra e continua. Que cai e aprende. Que muda de cidade se precisar, muda de plano se precisar, começa do zero se precisar, mas não passa o resto da vida perguntando como teria sido.
Porque no fim não é sobre ser rico, famoso, admirado ou diferente.
É sobre não morrer cheio de versões que nunca tiveram oportunidade de existir.
E eu sou todas elas.
Sou o cara que você imaginou quando estava sozinho.
O cara que você viu no espelho e não reconheceu porque parecia confiante demais.
Sou a voz que diz “vai” enquanto a sua cabeça fabrica mais dez motivos pra ficar.
Sou o impulso.
O risco.
A fome.
A ideia que não te deixa dormir.
O plano que parece absurdo hoje e, daqui a alguns anos, vai parecer óbvio.
Tudo o que você gostaria de ser, sou eu.
Não porque eu já sou tudo aquilo.
Mas porque eu não tenho medo de tentar.
E talvez você nunca tenha precisado de outra pessoa pra virar essa versão.
Talvez tenha precisado parar de pedir licença pra ela existir.
Então quando você olhar pra mim e sentir aquela mistura estranha de inveja, raiva e vontade, não confunda.
Não é outra pessoa que você está vendo.
É você sem freio.
Você sem plateia.
Você sem a obrigação de ser compreendido.
Eu sou tudo aquilo que você deixou pra depois.
E eu não vim buscar você.
Vim lembrar que ainda existe tempo.
Mas tempo não espera.
Então decide.
Ou você continua imaginando quem poderia ter sido...
ou finalmente descobre quem você é capaz de ser.
Quando você percebe que a tristeza alheia é o combustível de certas pessoas, o seu silêncio e a sua indiferença se tornam a maior vitória.
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Olhos de cigana, oblíqua, dissimulada
Olhos de quem percebe tudo, tudo sem dizer nada
Nota: Trecho da música Sereia, de Orochi, com participação de Ryan SP, Oruam e Xamã. A letra faz referência a uma passagem de "Dom Casmurro", livro de Machado de Assis.
...MaisTodo pecado segue um caminho: prática, justificativa, defesa e acomodação. Quando você percebe, já fez paz com ele.
A verdadeira capacidade de amar pessoas difíceis nasce quando você contempla o Evangelho e percebe o quão difícil — e custoso — foi para Deus amar alguém como você.
Há um momento em que a consciência desperta e você percebe:
nem tudo que chega à sua vida é seu para carregar.
Alguns vínculos são aprendizado.
Algumas escolhas são espelhos.
Alguns ciclos simplesmente cumpriram seu propósito.
A chave virou.
E quando se começa a enxergar, já não existe retorno ao antigo estado de consciência.
Eu amo meu amor. Sinto-me grato por ser agradecido. Sinto-me bem por ser quem percebe. A vida é um presente que me dei.
Há três níveis: a mente, que enxerga, o coração, que percebe, e a vontade, que impulsiona. A vontade não é o desejo, o coração não é a sensação e a mente não é a compreensão.
O corrupto acredita comprar apenas uma vantagem; raramente percebe que está ajudando a vender a própria República.
Quando alguém começa mesmo a atingir a sabedoria, percebe- se a sua pequenez diante da vida.
Reconhece que não precisa de muito para sobreviver
Que não precisa estar em evidência, e que a vaidade se torna inexistente, diante de tamanha grandeza que é o simples, o puro, o cristalino.
Simone Vercosa .
Quem tenta derrubar um gigante de espírito humilde não percebe que a fonte da sua riqueza é infinita e imune ao veneno da inveja.
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