O Sorriso Adelia Prado
Ainda acredito na tua volta. Creio que existe uma fé inabalável que pulsa involuntariamente dentro do meu coração destroçado. É a única parte intacta, inteira, inabalável.
Veja-me ainda como daquela primeira vez, de cabelo esvoaçante, completamente feliz e esperançosa. Ainda posso ser assim. Posso ser o que você quiser, apenas me diga o que espera. Apenas me diga se ainda espera. Espero muito, imensamente, incansavelmente.
É doido amar sem retorno. Mais doído ainda é ter coragem de assumir para o universo que amo e não sou amada.
Pensei que a vida tinha que continuar. Estava um silêncio tão agudo, tão doído. Por fim apanhei meu celular. Desejei que você me ligasse nesse momento. Coloquei o aparelho perto do meu travesseiro, mirei a parede cinza, me protegi com meu edredom florido. Fechei os olhos. O cansaço me venceu por fim. Já era dia, tão cedinho, tão lindo, tão brilhante. O mundo acordava e eu preferi adormecer.
Tente se acalmar. Vá buscar refúgio na natureza, na beira do mar, no carinho dos amigos, nas flores, no por-do-sol. Nunca se sabe o que a vida vai te reservar. Acredita um pouco que as coisas vão mudar. Será que dá pra você tentar reagir, sua mimadinha boba? Larga mão de só enxergar lado negativo-impossível-insuportável-intolerável da vida.
Ninguém quer mais te socorrer querida. Não há mais um santo que aguento secar essas tuas lágrimas que nunca cessam. Diga então você, quem suporta curar tuas ressacas e acudir tuas carências de madrugada? Não existem amigos e nem paciência para tanto sofrimento sem respiro.
Preciso tanto te contar as novidades, preciso tanto saber como você está. Ando com medo, e preciso da sua segurança.Necessito de notícias concretas, preciso ouvir o ritmo da tua respiação. Preciso me despedir do teu andar, do teu timbre rouco, do teu sorriso fácil. Deixa. Só mais uma vez diz que sim.
Sempre termino distraida, com minha lista mental de compatibilides afogada em minhas memórias banhadas a álcool.
Não é bonito, não é feio. Não é burro nem inteligente. Consquistador, boa pinta. Por vezes me lembra um menino. Carrega consigo um olhar distante e curioso. Chama minha atenção de uma forma avassaladora. Te busco,e, te persigo. Não te encontro e logo sigo. Sinto ciúmes. Mal o conheço. Tenho medo. Que sei de ti além do visível e previsível? Nada sei. Só sei que sinto.
Sempre amei por nós dois. E se quer saber, eu ainda amo, e amaria se você me pedisse, para sempre - pour moi, pour vous, pour nous.
