O Sol e o Vento
As pessoas vão,
como folhas levadas pelo vento,
algumas sem se despedir,
outras fingindo que nunca prometeram ficar.
Dói.
Dói fundo.
Mas eu aprendo que não é em todo peito
que cabe o tamanho da minha entrega.
Eu não sou quem abandona,
sou quem resiste,
quem carrega cicatrizes,
mas também flores na alma.
E se hoje me deixam, amanhã encontro quem fica, Quem entendi que presença é escolha e que amor é raiz, será por inteiro, não pela metade.
“Aqui o vento é mais frio.
O ar não traz cheiro.
Não recordo a infância há algum tempo.
O que antes era desespero por não estar aqui
agora é calmaria
sem memória.”
Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.
Senti frio mesmo estando perto de você, moça bonita.
Não foi o vento, foi a ausência.
Percebi que os teus carinhos já não caminham na mesma direção que os meus,
que a sintonia se perdeu em algum silêncio não dito.
Não sei o motivo de tanta indiferença,
nem sei se quero saber.
Algumas verdades doem mais quando explicadas.
O frio que veio de você não foi acaso,
foi resposta.
E às vezes, aceitar o frio
é mais honesto do que insistir num calor que não existe mais.
Pedalo contra o vento,
o medo fica pra trás.
A rua vira liberdade,
o corpo grita vida,
e o mundo não me alcança
quando eu acelero.
Noite fria, chuva martelando o telhado, vento que uiva nas copas. As ruas estão vazias, a cidade ilumina apenas o que é frio, que não tem vida, não vejo ninguém, como se a cidade tivesse recuado para dentro de si. Caminhar nessa chuva é rasgar-se por dentro, poucos têm estômago para esse abandono.
Na dúvida, aceitei o engano como professor, reajustei velas e segui adiante, o vento já conhece meu nome.
O vento é essência do indomável, não se deixa conter, não pertence a rumo algum, é movimento puro, existência sem destino, liberdade em forma de sopro.
Já caminhei em silêncio com Deus e Ele falou através do vento. O silêncio com Deus às vezes é mais eloquente que mil explicações, o vento traz a resposta que tanto necessito.
O vento traz um nome esquecido, sussurra entre pedras e vales. A alma, ferida, se move, lembrando o que era abrigo. Não há culpa, só saudade, só o desejo de voltar. E na curva do silêncio, o amor começa a falar.
A esperança renasce em mim como uma chama teimosa, mesmo quando o vento da vida sopra para apagá-la, eu a protejo com as mãos feridas e calejadas, porque sei o quanto ela já me salvou, e continuarei acendendo-a até o fim dos meus dias.
A solidão foi um deserto que precisei atravessar, na areia deixei expectativas mortas, no vento encontrei o som da minha própria respiração, e no fim descobri que nunca estive realmente só, eu estava comigo e isso era suficiente.
Sob a garra de um fim de tarde gélido, o vento do sul chicoteia a minha linda Ilha de Florianópolis, transformando o oceano em uma fúria de açoite. A ressaca violenta, incontrolável, arremessa a areia salgada, grão por grão, contra o rosto, enquanto a maresia incessante incrusta o sabor amargo da ausência na garganta e na alma. É nesse caos costeiro, visceral e implacável, que o meu peito aperta e a sua imagem e só ela, se torna o único e inegociável porto seguro em meio à tempestade.
Quando a esperança parece de vidro, protejo-a com pano fino. Não a exponho ao vento de opiniões alheias. Se quebrar, guardo os cacos e aprendo a colar de novo. A cada remendo, ela vira arte com marca de costura. E toda esperança remendada brilha de forma diferente.
O passado é uma casa velha que insiste em ranger quando o vento da lembrança passa. Podemos trancar portas, entulhar janelas, mas o eco do que vivemos sempre encontra um jeito de entrar. E talvez não seja para ferir, mas para lembrar que o sobrevivente ainda habita aqui. E isso já é vitória demais para quem quase não existiu.
O mundo passa com pressa e leva pedaços da gente como folhas ao vento. Resta um bilhete amassado no bolso: “sobrevivi por pouco”.
Não é glória, é quase legenda de uma fotografia torta, mas serve para lembrar que ainda posso olhar e contar.
