O Silencio de uma Tela em Branco

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A glória é o sol dos mortos.

Como se há-de governar um país que tem 246 variedades de queijo?

Quem é capaz de suportar tudo pode atrever-se a tudo.

Na mocidade buscamos as companhias, na velhice evitamo-las: nesta idade conhecemos melhor os homens e as coisas.

Poucas vezes quem ganha o que não merece, agradece o que ganha.

Qualquer povo defende sempre mais os costumes do que as leis.

Vive mal quem só vive para si.

A razão também tiraniza algumas vezes, como as paixões.

A atividade sem juízo é mais ruinosa que a preguiça.

Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.

A diligência é a mãe da boa sorte.

O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade.

Os homens têm grandes pretensões e projectos pequenos.

O deleite imaginado é muito maior que o gozado, embora nos verdadeiros gostos deva ser o contrário.

Por mim, teria evitado casar até mesmo com a sabedoria, caso ela me quisesse.

Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

A fé é a consolação dos miseráveis e o terror dos felizes.

O pensamento da morte engana-nos, pois faz-nos esquecer de viver.

O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.

A poesia é a linguagem natural de todos os cultos.