O Recomeço é Dificil
Uma coisa bonita
E mesmo assim
Difícil de aceitar, às vezes
É o fato de envelhecer
Ver as gerações passando
E conforme se sucedem
Incontáveis passamentos
A gente vai cedendo
Os nossos lugares
Na vida e no mundo.
Passam-se os anos,
Semanas...os meses
Segundo a segundo
Todos
Invariavelmente vivendo
De maneira meio desordenada
E cada um vai deixando
Ou não
Suas lembranças
Suas marcas
Retrados da gratidão
E pode ser que também não
As coisas acontecem
Como tem que acontecer
Histórias tristes e alegres
Consumado o tempo
Que por mais que seja
Sempre expira
A vida e o novo tempo
Entregues
A quem quer que chegue
Como quem passa um bastão
Algo assim, que simboliza
Uma vida corrida
Numa eterna disputa
Onde deveria ser
Desnecessário
Disputar nada
Ela passa depressa demais
Deveria ser somente bem vivida
Por isso eu sempre digo
A quem me escuta
Que a nossa curta viagem
Neste chão
Repleto de miragens
Não passa de mera ilusão
Portanto
Guarde consigo
Abraços de amigos
Lembranças de paisagens
E a certeza de que neste lugar
A gente somente passa
Ninguém fica
E é somente esta
A triste e alegre graça
desta vida
De tudo que se guarda
Nada resta
Além das lembranças
dos momentos
Que esta curta e grande graça
Pode ser bem dividida.
Edson Ricardo Paiva
Difícil responder
O que vai ou permanece
Tudo um dia se vai
Inclusive a gente
Que simplesmente vive
E se esquece
de atentar para um fato:
Em meio a tanta mudança
Existirá clareza na lembrança?
Não sabemos dizer
Se as águas do rio se foram
Ou se o rio carregou a gente
A paisagem muda
Conforme a ilusão
Há, contudo, uma certeza
Tudo se vai
Quase tudo se foi
E se a gente também não ficou
Será que as águas do rio passaram
Ou o rio carregou a gente
Paisagens, imagens, miragens
Será esta vida uma passagem
Ou a gente há de ficar
Enquanto o tempo e a vida
Assim como as águas de um rio
Haverão de sumir na curva
A visão vai turvando
Eu aqui, calado
De vez em quando me pergunto
Será que tudo passou pela gente
Nas águas de um rio gelado
Ou o rio carregou todo mundo
E aquele tempo ficou no passado?
Edson Ricardo Paiva
Impossível dizer
Se foi difícil chegar até aqui
Eu fiz tudo do jeito que era preciso
Até não precisarem mais de mim
Então, de repente
Eu olhei e me vi
Percebi um pássaro sem nome
Cantando uma canção antiga
Um cântaro sem água
Uma toalha de mesa
Desenhada de morangos
Uma longa estrada, que ficou pra trás
Meus passos apagados pelo vento
A cada novo passo
Um telhado, uma casa, um passado
O pássaro bateu as asas
Levando consigo
Aquela bela canção
Tão estranha, tão antiga
Não há tarde, não há festa, não há dança
Um desnível na calçada
Uma queda por distração
Impossível dizer
Se foi difícil chegar aqui
Também não há quem ouvir
Além do som da leve brisa
Entrando pelas frestas do telhado
Melhor deixar de lado
Não precisa.
Edson Ricardo Paiva
Não se pode segurar o tempo
É difícil saber
A maneira certa
de prender a vida
Assim como a tudo
Que nela houver
Mas, numa tarde qualquer
Acontece de olhar
O vento e a chuva na janela
E guardar no coração
Que nem magia
A chuva que caiu naquele dia
Mesmo sem perceber
A gente vai vivendo
E não enxerga o quanto é triste
O olhar insistente
A buscar somente
O brilhar da prata
Um tosco brilhar que ofusca
A arte da luz do Sol
Que parte e que se reparte
Numa humilde bolha de sabão
E flutua leve, ao sabor da brisa
Mas a pressa de viver
Não deixa ver
Que é dessa simplicidade
Que a vida precisa
E vai ficar eternamente
Se a mão da gente
Pesar feito pluma
Só então se aprende
A repartir a vida
Igual o brilho da espuma
Parte a luz
Com força suficiente
Pra dividi-la e deixá-la ir
Muito tempo se perde
Até que se perceba
Em quanto poder existe
Quando a força da mão é leve
Então
O dom de prender a vida
E vivê-la feliz
Grato a tudo que nela houver
Veja que não importa
O quão breve ela seja.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje ta mais difícil,hoje ta mais frio a solidão é imensa mas,não tão grande como a vontade de ter nos braços e beijar sua boca e te pedir para não ir embora ou pelo menos não hoje...
Entre tudo
que há de difícil
Nesta vida
Creio eu
Que dizer o que penso
e me fazer compreendido
É mais que difícil
É um sonho impossível
Todo mundo já sabe tudo
e tem interpretações
Infinitamente
melhores que as minhas
Pras coisas que eu penso
Antes mesmo que eu as diga
Portanto aprendi
Que o mundo não liga
Pra nada que eu diga
No entanto ainda penso
Mas o mundo ensinou-me
A pensar em silêncio
Difícil!
E tem sido a cada dia
Mais difícil vislumbrar
Vida inteligente nesta vida
Salvo parcos resquícios
De quem queira ver
E quando olhar no espelho
Iníquo
Ver-se
Tendo em vista
Ser todo sentido da vida
Avesso a qualquer conquista
Pois a lista de batalhas a vencer-se
Resume-se a si mesmo
Porque é este o motivo de estar aqui
E vivo
Porquanto é o mais duro oponente
O próprio orgulho
Que uma vez vencido
Por si mesmo
O ego
Fatalmente haverá perdido
Anular-se
Sem jamais aniquilar-se por completo
Vida, batalha perdida
Uma vez que se perdeu
Vencida
Porém
Conforme o poema discorria
Por um momento observou-se
Inócuo
A quantidade de pronomes oblíquos
Em detrimento aos do caso reto
Nem mesmo o poema
Tampouco o poeta
O dito pelo não dito
Movimento inerte
Inertes qual suas conquistas
Contemplando seus espelhos
Sem jamais serem vistos.
Edson Ricardo Paiva.
Mandaram eu escrever um poema
Cujo tema fosse a palavra problema
Por achar coisa difícil perguntei:
Como assim
O problema está no início
ou está no fim?
Está no Mundo ou em mim?
O problema pode estar atrás da porta
Só os mortos não tem problemas
Os fracos e os fortes os tem
E mesmo estando presente
Ele pode vir lá do passado
Num dedo quebrado,
Embarcou no bonde errado,
Recebeu um mal olhado.
Todos temos um problema
Que julgamos ser individual
e na verdade é coletivo
e afeta a toda a Humanidade
difícil saber qual é
às vezes
a gente toma o problema nos braços
e aperta contra o peito
com toda força
Por medo de perder
E ficar de coração vazio
Ainda bem que não pediram
Pra apontar a solução.
Que a vida venha desgrenhada
igual aos meus cabelos de menino
venha e seja difícil transpor
Qual fosse mata fechada
a gente passa um pente fino
e vai vivê-la
A gente se embrenha
pra poder conhecê-la
A gente vai descalço
sempre que hover espinhos
Onde não houver dificuldade
Eu crio uma
Sempre que eu vir espaço
conveniente para criá-la
Que minhas mãos se encham de calos
Que a vida venha
Só não quero passar por ela sem vivê-la
E que ela se vá um dia
do mesmo jeito que um dia veio
Não peço facilidades para mim
Quero apenas
que entre o início e o fim
Eu possa deixar algo ali no meio
E fácil gosta senti atrações é difícil esquecer sem sofrer ou se arrepender
A vida te da escolha e opção testa seu coração entre o amor e a razão qual escolher então?
Amar é fácil, difícil é deixar de amar. O tempo amenizar a dor. Novos sentimentos veem, mas nunca substituirá...
Dizer eu não consigo é fácil?, difícil é tentar, e tentar de novo, até atingir uma consciência tranquila ou mesmo um sorriso de Vitória
Tão difícil é formar uma opinião sobre a felicidade, talvez não haja uma fórmula, mas uma estimativa pela beleza, saúde e riqueza como requisitos básicos e algo mais que completem as emoções.
Difícil discernir a virtude na religiosidade. A crucificação de um filho é o êxtase do egoísmo, paixão condicionada para as causas impossíveis, simbologia para todas as alienações do bem por causas da maldade. Alguém morre alguém mata e isso é bom. Deus é bom.
Difícil discernir a felicidade, porque o homem se alegra facilmente com a opinião favorável e com a mentira.
É difícil doar amor quando nos dão dor por lhes faltar amor.
Mas, é incrível e leve ser destratado e ainda poder perguntar: Posso te ajudar? Sendo um ato de amar.
