O que os Olhos não Vêem
Numa partida indesejável, que parece ser definitiva nesta terra, olhos se fecham para que outros possam despertar. Lembrar que a vida é muito efêmera; portanto, não vale a pena esperar sempre pelo melhor momento ou pelas condições perfeitas,
Pois o tempo não se atrasa, continua seguindo em frente e, de repente, independentemente da ocasião ser ou não adequada —, alguém falece para que, de algum jeito, outro renasça. Que possa levar o viver mais a sério, para que as vivências não sejam sem graça.
É uma forma cabível de ressignificar a tristeza e de secar as lágrimas; de encontrar forças durante a tormenta que fortaleçam até a alma. Não que chorar seja um sinal de fraqueza, mas faz bem afastar o risco de se afogar, e, em vez disso, mostrar que aquela pessoa fez diferença.
Não viva com pressa, não seja precipitado, não aja por impulso; entretanto, não perca a oportunidade de aproveitar, de demonstrar o que sente e de dizer o que precisa ser dito. Viva o presente e desprenda-se do passado: cada segundo pode ser imprescindível e um simples acontecimento pode ser mágico.
Muito brevemente, apenas por alguns segundos, vejo bem diante dos meus olhos uma amostra do céu e outra da Terra, expostas lado a lado,
Composição admirável de uma linda nuvem grandiosa com uma frondosa palmeira, formando juntas uma imagem singela maravilhosa, terna pintura
Arte e fenômeno da natureza numa mistura de simplicidade e encanto, usando a imensidão celeste como tela, num tom de azul, assim, cada detalhe se completa.
Sossegado com os meus olhos atentos e sinceramente deslumbrados diante de uma cachoeira majestosa, cuja magnitude é incomparável, certamente, um vislumbre fascinante da grandiosidade do Poder Divino, que é repleto de complexidade, a qual com facilidade se conecta ao espírito, à mente e ao físico através de diversos detalhes
E assim, desperta o senso reflexivo e no meu caso, também a inspiração poética, refletindo profundamente a respeito de um fluxo contínuo de águas cristalinas e volumosas, que demonstram um força descomunal, uma queda, que, diferente de outras, não representa ruína e sim o seu potencial como uma fonte demasiada de vida
A natureza é rica, de fato, exuberante, a sua grandeza é imensurável, tanto que, nós, seres humanos, somos importantes, complexos, mas somos apenas uma pequena parte de algo que está muito acima do nosso intelecto, a exemplo das correntes de um rio que expressam a sua liberdade e assim, entre as pedras, segue o seu próprio caminho.
Conheço as violeteiras
das duas Américas,
Diante dos meus olhos
uma desabrochou,
Você me espera
em teus braços
como quem anseia
a Primavera,
Percebo que tens
desenhado esquemas
para viver grudado
em meus beijos,
Em nós fazem
festas os desejos.
Hoje, ao voltar os olhos e reconhecer o caminho percorrido, as batalhas vencidas, as perdas transmudadas, a jornada inteira resplandece de sentido. Cada conquista miúda ganha peso e brilho, mesmo aquilo que o mundo chama de ínfimo é, para mim, prova concreta de resistência, de trabalho e de um cultivo paciente do meu próprio ser.
Minhas batalhas internas são as mais árduas da vida, invisíveis aos olhos alheios, mas profundamente sentidas por mim. Só eu as conheço, só eu as enfrento, só eu posso vencê-las.
Pés despidos na pedra fria, olhos que sabem de dor. Mas há no rosto cansado a chama viva do amor. Quem carrega o que é amado não sente o peso que levou.
A verdadeira alegria nasce quando as mãos se rendem e os olhos se enchem de gratidão, então a vida se põe a cantar.
Seus olhos não são pombas, mas o arrulho silêncio que convoca a primavera e faz o tempo da colheita parecer uma espera doce.
Meus olhos conquistadores estão sem cores e acinzentados, perdendo o brilho quando a alma se cansa de lutar por beleza.
Apesar dos meus olhos estarem marejados e o futuro incerto, eu já tinha em mim a certeza da verdade mais poderosa do universo, o fundamento da minha fé: o Cordeiro de Deus, Jesus, morreu por mim um dia para me dar vida e esperança, meditar nesse sacrifício, no quanto sofrimento Ele abraçou, como foi ferido e humilhado em favor de um pecador como eu, me fazia compreender que aquele amor silente e paciente me alcançava em todos os momentos da minha fraqueza.
Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.
Quando me perco na profundidade dos teus olhos, não vejo ausência, mas um amor em armadura, erguido tijolo por tijolo pelo medo do futuro. É um jardim de promessas blindadas, onde a flor mais rara é a coragem de simplesmente se desfazer no instante.
A entrega total é um salto de olhos fechados no escuro, onde a única garantia é a ausência de garantias. Toda a magnificência de amar reside justamente no tremor da possibilidade de que tudo se dissolva, quem se contém, evita a queda, mas perde o voo.
