O que os Olhos não Vêem
Dai música aos meus ouvidos, dança aos meus olhos e teatro à minha imaginação! Dai-me arte. Dai alegria à minha alma.
Futuro
é olhar nos olhos do passado
e receber dele o melhor presente:
Calçar seus sapatos que já aprenderam a tropeçar
no caminho que é sempre o mesmo…
Meu mundo nos olhos da menina
sem nenhum segredo
seu brilho me fascina
compartilhando alegrias e medo.
As fotos se refletem nos nossos olhos de formas diferentes.
Algumas trazem um sabor, um aroma, um sentido...
Muitas que parecem perfeitas, coloridas, nítidas, são imagens imperfeitas.
Outras parecem imperfeitas, amareladas pelo tempo, transformadas pelos anos, mas tão perfeitas!
Fotos que se refletem de forma tão humana.
Têm mãos que nos sacodem e pés que nos transportam, como se fossem asas.
Respiram, têm coração e lágrimas...
Têm a pele arrepiada pela emoção de refletir o que está para chegar...
Ou o que já partiu.
Imagens da esperança ou a da saudade.
Infinitas.
Eternizada em nossos olhos!
Carrapichos
Quando criança me arreliavam, pareciam olhos a me observar.
Grudentos agarravam nas meias brancas, na “conga” azul.
Hoje sinto saudade de tudo que não gruda mais.
O vento também leva os carrapichos...
Sozinho, num quarto que ecoa ausência, meus olhos flutuam, meu pensamento sangra em palavras. Quando o mundo fecha suas portas, faço das frases meu abrigo, das letras minha trincheira. Escrevo pra que o silêncio não me engula inteiro.
Aos olhos dos outros, pareço indiferente, como se o mundo não me tocasse. Mas é o contrário: ele me atravessa inteiro, e eu apenas aprendi a não demonstrar, porque quase ninguém sabe o que fazer
diante de uma alma que sangra devagar.
Se nossos olhos vissem além de corpos e aparências,
se deixassem de se levar por fúteis vaidades,
não seríamos tão escravos das carências,
mas livres dos enganos, ilusões e falsidades.
A Fluência de Jana
(ou o Chamamento)
Por aqueles negros belos
serrilhados olhos redondos,
Vindos dela,
Vívidos,
Determinados
A ver.
Seria exatamente aquele momento,
Sobre o qual ainda não havia falado,
Não precisava,
Devido a tua tamanha precisão,
Fazia-se preciosíssima,
Em tua influência permissiva,
Propiciando particularismos,
Que sob quaisquer termos,
Sei que não soariam pretenciosos.
Então o desafio é arremessado
Em direção ao Rimante.
Era tudo pelo que ele ansiava;
O chamamento.
Que seja fluente quando percorra
E que deslize fluindo enquanto existir.
