O que Espera de Mim

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Pode levar as memórias, mas deixe a dor; ela é o último vestígio seu que ainda vive em mim.

Sempre fui um náufrago de mim mesmo, boiando em incertezas. Mas no meio de tanto mar, seu abraço foi a primeira vez que senti o chão firme.

Não importa quanto tempo passe, eu guardo em mim a certeza de que o meu abraço é o seu lugar. Vou te mostrar que o 'sempre' começou no dia em que te vi.

Bastou um segundo de você para despertar em mim olhos famintos de uma vida inteira.

Eu sei que você tem perguntado por mim. Ouço suas dúvidas ecoando por aí, questionando se eu sequer te conheço ou se já estou a caminho. A verdade é que eu também estou nesse labirinto.
Talvez eu esteja agora mesmo em uma livraria que você frequenta, ou talvez eu more em outra cidade e o destino ainda esteja organizando as passagens. Enquanto você se pergunta o que eu "faço da vida", eu sigo aprendendo a ser a pessoa que você espera. Estou aprendendo a amar, a errar e a me preparar para quando nossos mistérios finalmente se cruzarem.
Não ache que estou me escondendo de propósito. Às vezes, a vida exige que a gente "morra de amores" em outros lugares primeiro, só para darmos o devido valor quando o encontro for real.
O que posso te prometer hoje:
Eu existo: Mesmo que eu seja apenas uma ideia ou um rastro agora.
Eu vou chegar: Não no seu tempo, nem no meu, mas no tempo em que "voar" seja a única opção para nós dois.
Eu também espero por você: Com a mesma leveza e o mesmo frio na barriga.

Dizem que o outono é a estação das despedidas, mas, para mim, ele sempre será a estação em que eu mais te senti. Enquanto o mundo lá fora perdia as cores, nós criávamos o nosso próprio tom de dourado. Aquele outono não foi sobre o que acabou, mas sobre a paz que encontramos um no outro enquanto o tempo esfriava.
Eu me lembro da luz mais suave entrando pela janela, do café esquecido na mesa e da forma como as tuas mãos buscavam as minhas para fugir do primeiro vento frio. A gente não precisava do barulho do carnaval ou da euforia do sol; nos bastava o silêncio confortável de quem se reconhece na mudança das estações.
Esta é a minha declaração: Eu te amei no ritmo das folhas que caem — sem medo do chão, aceitando cada transformação. Mesmo que o tempo tenha seguido e o inverno tenha chegado para nós, eu ainda sinto o calor daquele casaco compartilhado e a sinceridade de cada palavra dita sob o céu cinzento.
Aquele outono não volta, e eu aceitei isso. Mas a beleza do que fomos ficou gravada em mim, como uma árvore que, mesmo perdendo tudo, mantém a força das raízes. Você foi a minha mudança favorita.

Cuide-se. A partir de agora, eu preciso cuidar de mim. Hoje, encerro este ciclo na minha vida que já não me fazia bem. Já doeu muito te perder, mas entendi que dói muito mais me perder tentando segurar um grande amor que já não me quer mais. Preciso seguir em frente.
Sei que tive oportunidades de sair antes e acabei insistindo no que não funcionava, mas não vou mais me culpar por ter tido esperança. Agora, o desafio é reconstruir o que restou. Às vezes tento ser feliz, mas ainda me vejo preso nesse vazio profundo. Só que, desta vez, não vou me trancar nele para sempre. Estou saindo para me encontrar.

Você acha mesmo que eu não me importo? Eu vi você desistir de mim. Eu vi você me dar aquelas respostas secas e assisti você falar cada vez menos comigo, todos os dias. Eu vi você, lentamente, perder o interesse por mim. Eu assisti você saindo da minha vida aos poucos.
Dói perceber que, enquanto eu lutava para te manter, você já estava construindo a sua saída. O silêncio que você deixou entre nós fala mais alto do que qualquer explicação que você poderia dar agora. Cansei de tentar segurar uma mão que já não quer mais estar entrelaçada na minha. Estou te deixando ir, não por falta de amor, mas porque entendi que não posso ser o único a amar por nós dois.
Não me procure quando o silêncio dos outros te fizer lembrar de mim, ou quando você perceber que o mundo é grande demais, mas o afeto de verdade é raro. Eu te dei o meu melhor, e você preferiu a conveniência de me deixar ir embora aos pedaços. Hoje, eu recolho os meus cacos e sigo, não porque eu queira, mas porque não sobrou espaço para mim no seu novo mundo. Adeus.

Amor, volta para mim? Sem você, eu confesso que perdi o meu chão e já não sei mais como é viver. Eu te quero aqui, do meu lado, preenchendo cada espaço vazio que você deixou.
Eu te amo com uma intensidade que as palavras mal conseguem explicar, mas quero passar o resto da vida te provando isso em cada gesto, em cada abraço e em cada detalhe. Você é o meu mundo, e a minha única certeza é que a vida só faz sentido se for com você. Volta para os meus braços?

Eu finalmente entendi que não adianta insistir onde não há espaço para mim. Amar por dois é um esforço solitário que só traz cansaço. Estou parando de lutar contra a realidade: você não sente o mesmo, e tudo bem. Dói aceitar, mas dói ainda mais continuar esperando algo que nunca vai voltar. Sigo em frente agora, levando comigo a certeza de que fui verdadeiro do início ao fim.

Vagando pelo mundo das palavras, descobri em mim essências que fascinam a alma.

O que eu gosto em mim, eu projeto nos outros.

A falta cercou a minha infância, mas nunca alcançou o destino de vitória que havia em mim.

Sou uma fonte que transborda.
O problema é que, de tanto receberem de mim, muitos se esquecem de que até uma fonte seca, quando ninguém a alimenta.

Balanço da rede

Diante de mim a rede balança
Nela está o segredo dos dias de verão
Suas madeixas alvas deixam à mostra
Os trabalhos das mulheres rendeiras

O gato sentado observa o balançar da rede
Sendo acariciado pelas mãos de sua dona
Rosna agradecendo as carícias
Com um sorriso nos lábios a dona fica...

É uma tarde de sexta-feira
As nuvens encobrem o sol deixando
O dia nublado e com cara de triste
O gato e dona adormecem...

Há um amor

Há um amor dentro de mim
Dentro de mim há um amor
Ele grita querendo sair
Eu o alimento para não morrer

As cortinas do tempo abriram-se
E o palco da vida se iluminou
Transformando o espaço
Em um grande cenário mágico.

Fechei os olhos para te imaginar
E trazer-te para junto de mim;
Vieste, trouxeste teu sorriso maroto.
Meu coração dedicou-te todo meu sentimento.

A bruma da manhã divide seu aroma,
A cortina se fecha guarnecendo a cena
Deste amor que guardei
Esperando-te chegar.

Olho para o mundo e tenho medo dele. Acho que no fundo tenho medo da felicidade ou ela de mim. Sempre que estou muito feliz fico desconfiada. Desconfio secretamente e vou-me afastando para que ela não acabe por si só. Prefiro eu correr dela, assim não corro o risco da felicidade me deixar.

Fico em silêncio por um longo tempo e procuro saber o valor dele. Há tantas coisas que eu queria escrever, mas, não posso. As palavras me deixam com medo, por isso fico calada. Há tantas coisas que nunca escrevi e que morrerão comigo. Este silêncio é a minha garantia. Dentro dele está o meu EU gritante.

Quero explodir para que as palavras se libertem. Seria uma loucura as palavras soltas por aí. Ninguém entenderia nada, porque elas se misturariam. Às vezes quero a verdade outras vezes o oposto dela me alimenta. O cotidiano me mata de tédio, por isso me reservo e escrevo.

A vida é tão passageira! É como um sopro. Sopramos e ela se vai. Não entendemos nada da vida e isso me deixa angustiada. Pensar que a vida é um sopro, logo vem à minha mente uma bolha de sabão solta no ar. Tocamos nela e ela explode.

Ficam no ar apenas pedacinhos que vão se desintegrando um a um. Assim imagino o sopro da vida. Uma película muito fina, quase invisível, transparente, brilhante com multicores como se fosse um arco-íris. Duram apenas alguns segundos e explodem.

São os segundos mais belos que nossos olhos já fotografaram e guardaram na gaveta do tempo. Assim é o sopro da vida. Simples, intenso e belo. Se deixarmos passar em branco ele se vai sem deixar nenhum vestígio.

Quero viver plena e desordenadamente para me satisfazer. Adoro quando faço surpresa para mim mesma, quando me satisfaço de alguma forma.

Quando dentro de mim está uma revolução, visto uma roupagem que por fora tudo parece calmo.

Quando sinto que dentro de mim há um descontrole, procuro manter os pés firmes no chão e a cabeça em equilíbrio.