O que Espera de Mim
Eu escrevo na esperança de que um dia alguém leia e compreenda esses cacos de mim, sem esse entendimento, as noites de insônia, as crises da minha depressão correm o risco de não ter deixado rastros que valham a pena.
Fui forjado no colapso, moldado pela queda que destruiu tudo em mim. O aprendizado foi a única trilha que restou, e nada além importava. Hoje, ao olhar para trás, choro, não pela queda em si, mas por nunca ter acreditado que eu poderia me erguer.
Corvos voam sobre mim, refletindo em suas penas os labirintos da minha própria mente. Observam meu cansaço, aguardando o momento em que me dissolverei em minhas próprias sombras.
Deus me achou onde eu já tinha desistido de mim. Deus me encontrou no ponto mais frágil e ali plantar-se foi milagre e novo um começo.
A solidão me apresentou a mim mesmo e eu fiquei. A solidão pode ser espelho, quem ali nos visita pode ser o próprio eu que ainda havia de nascer.
Já fui o fim de mim mesmo, e ainda assim recomecei. Recomeçar depois de se perder é prova de que o limite era apenas um mapa, não sentença.
Perdi tudo e ganhei a mim mesmo, no vazio reencontrei o essencial, perda virou retorno para o que importa, ganhei liberdade e rosto próprio.
Fui apagado por muitos, reacendi por mim, a recuperação veio da minha própria mão, reacender é reconhecer o poder interior, sou chama que eu mesmo acendi.
Meu rastro na solidão foi a bússola que te trouxe até mim. Nenhuma sombra, nenhum abismo deteve os passos do teu amor. Tu vieste sem cansaço, somente com propósito.
