O que as Pessoas Querem que a Gente Seja
Às vezes, a gente aprende no silêncio do que não aconteceu.
No intervalo entre o querer e o desistir, mora um tipo de verdade que ninguém ensina,
só se sente.
Tem coisas que não florescem, não por falta de cuidado,
mas porque não eram raízes para o nosso chão.
E tudo bem.
Nem tudo que chega é para ficar,
e nem tudo que vai leva embora o que fomos.
Há partidas que devolvem a gente para si.
No fim, a vida não é sobre segurar tudo,
mas sobre reconhecer o que merece ser permanência dentro da gente.
O luto me deixou marcas muito profundas…
Depois que a gente perde a primeira pessoa que ama de verdade, algo muda para sempre.
É como se a vida passasse a ser vivida com um alerta constante:
“e se hoje for o último dia?”
E, junto com isso, vem o medo.
Se você tem filhos, a mente vai longe…
Você começa a imaginar o impensável.
E se eu perder um deles?
Eu suportaria?
E os outros… como ficariam sem mim, se eu não aguentasse a dor?
Hoje faltam poucos dias para completar 4 anos que minha irmã partiu…
E, ainda assim, eu sinto ela perto.
Às vezes, parece que está a uma risada de distância.
O tempo não apaga.
O tempo não cura da forma que dizem.
Ele mascara.
Ele confunde.
Mas ele não apaga o amor, nem a saudade, nem o desejo de ter aquela pessoa por perto.
Pouco se fala sobre o momento de fechar um caixão…
Sobre entender, de forma definitiva, que você nunca mais vai ver aquela pessoa.
Nunca mais.
Todos os planos… ficam só na memória.
E o que mais dói…
É perceber o que não foi dito.
Eu nunca disse à minha irmã o quanto ela era importante pra mim.
E isso me atravessa até hoje.
Fugi de abraços que hoje dariam tudo para sentir de novo.
Abraços quentes, sinceros… cheios de um amor que eu nunca mais encontrei.
Quatro anos se passaram.
E não existe um dia em que eu não pense nela.
Se ela sentiu dor…
Se ela sabia que estava partindo…
E então vêm as perguntas que não têm resposta:
E se…
E se eu tivesse amado mais?
E se eu tivesse ouvido mais?
E se eu tivesse feito diferente?
“E se…”
Duas palavras simples.
Mas juntas, elas têm o poder de assombrar uma vida inteira.
Eu enterrei minha irmã, meu irmão e meu pai em 8 meses.
E isso não tem explicação.
Não cabe em palavras.
Não cabe em texto.
É um vazio que permanece.
Porque agora?
Porque tão de repente?
Porque comigo?
O luto dói.
E o tempo… não muda isso.
O que muda é a força.
É a graça que Deus vai dando pra gente continuar.
A gente aprende a dizer que está bem…
Vai ao banheiro, chora em silêncio…
E volta pra mesa com um sorriso no rosto,
carregando uma dor que ninguém vê.
E talvez seja por isso que hoje eu só consiga te dizer uma coisa:
Viva o hoje.
Ame hoje.
Fale hoje.
Porque o amanhã…
não é uma promessa.
Bruna Wotkosky - O luto é pessimo…
Tem dias que a gente é raiz, aguentando o peso; tem dias que a gente é flor, aceitando o vento.
SerLucia Reflexoes
A vida não é um rio calmo; é um incêndio que a gente aprende a atravessar sem queimar a alma.
SerLucia Reflexoes
CHORO DE OUTRORA
A gente não volta ao fundo do poço quando consegue subir a nado através das próprias lágrimas. O esforço nos faz flutuar até a luz.
Lu Lena / 2026
O maracujá por fora é calmaria enrugada,
mas por dentro guarda tempestade doce…
igual gente que aprendeu a sorrir depois das trovoadas.
Tem dia que o céu parece lençol estendido,
e Deus sacode as nuvens devagarinho…
só pra gente lembrar que ainda existe vento.
No meio dos dias difíceis,
a gente pode ser abrigo.
Um gesto simples, um “tô aqui”,
já acalma o que pesa.
Às vezes, é só isso:
presença que cuida.
E, quando o amor chega assim…
faz luz no caminho de alguém.
Edna de Andrade
“Tem gente que chega bagunçando tudo… mas de um jeito bonito.
Ele é meio doido, meio riso solto, meio caos bom — desses que iluminam sem pedir licença.
E no meio das brincadeiras, ele me lembra quem eu sou, como se enxergasse em mim um brilho que às vezes eu esqueço de ver.
Com ele, tudo fica leve… tão leve que até os problemas parecem perder o peso.
E é estranho perceber que, no meio da loucura dele, é onde eu mais encontro paz.”
A gente vive como se tivesse tempo de sobra. E o tempo… anda de fininho, pregando peça na gente. Poucas coisas nos humanizam tanto quanto o luto. É um choque seco, direto. Um corte na ilusão de que tudo pode esperar, de que dá pra deixar pra amanhã. Porque, quando a perda chega, de repente, o amanhã que a gente guardava com tanto cuidado… não existe mais.
A gente passa a vida fazendo planos como se o calendário fosse o nosso aliado, como se o relógio estivesse do nosso lado. E o luto escancara isso sem delicadeza nenhuma. Perder alguém muda o jeito como a gente enxerga o tempo. Você percebe que ele não era tão longo quanto parecia. Que aquela conversa podia ter acontecido. Que aquele abraço podia ter sido dado. Que aquele café não precisava ter esfriado.
É como se o relógio risse da nossa pressa. A gente corre para tudo… menos para o amor, menos para o afeto. E aí, quando não dá mais, a gente entende. Entende tarde. Entende na dor.
O luto humaniza porque tira a gente do automático. Ele quebra essa ideia de controle que a gente insiste em ter. Ele lembra que a vida não é um projeto infinito. É uma travessia. Uma viagem.
O tempo não avisa quando vai acabar. Mas sempre mostra, do jeito mais duro, que ele nunca foi garantido. Zero garantias.
Tem muita gente quebrando a cara na vida, porque estão tentando a sorte ao invés de deixar Deus agir.
Sortudo mesmo é aquele que espera com paciência no senhor.
Há dores que a gente passa que talvez nunca saibamos o motivo. Mas, às vezes, Deus também nos concede a graça de ver o fruto do nosso penoso trabalho.
Existem coisas que a gente sente mas não diz. E há coisas que a gente diz mas não sente. Às vezes isso torna a vida mais segura, mas também pode deixá-la menos autêntica.
