O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro
Eu quero uma verdade inventada. Vai dizer que você também não? É conclusivo que não é uma mentira se você acredita nela. E porque não exagerar? É o que eu preciso. Nada de pouco, já chega. E por favor não me venha com lições de moral, eu não posso te ouvir, é um aviso. Acho que é isso que chamam de insensibilidade. Não sei bem. Auto-suficiência, é como eu chamo. Não tô afim de discutir, muito menos de ver olhares de reprovação. Tolinhos. Eu sei o caminho de volta pra casa e é lá que a minha ingenuidade se encontra. Já dizia alguém aí de quem eu não me lembro o nome, 'quem vê cara não vê coração'. Tá espantado(a) querido(a)? Engole a saliva, pisca os olhinhos, porque hoje eu tô afim é de exagerar.
Se eu pudesse pedir qualquer coisa, pediria que se afastassem de mim. Que me deixassem com o meu individualismo, minha petulância, ironia, sarcasmo e egoísmo. Não preciso de mais arranhões, já me bastam as decepções dos cafés frios, sábados chuvosos e de plutão.
Me dói, lá no fundo, eu acho. É difícil doer mais do que já doeu da primeira vez, impossível. Caleja, isso é fato.
Não me venha com essas desculpas de que 'aah, fazer o quê, eu sou apaixonada por aquele cafajeste', claro que você consegue, que você pode. Esse garoto aí, esse mesmo em quem você pensou, ele não é metade das coisas que você faz, não mesmo. Ele provavelmente nem sabe a data do aniversário daquele melhor amigo ou dos pais. E você ainda se importa com ele.
Foi preciso você me tocar mais um vez pra que eu sentisse que já não sinto mais como antes, bobinho.
Eu tenho grandes amores, sim enormes. Meus alicerces, meus dias enfim em um único gênero. Meus amigos, homens por bem dizer. Você não precisa procurar se encaixar, é simples, eles são a cabeça e eu o coração.
Eu só quero seguir minha vida, continuar, em paz. Sem você pra tá me lembrando que a gente se conhece, sem suas ligações tirando meu sono, sem tuas mensagens me tirando o chão. Sem suas lamúrias dizendo que me quer e insistindo num futuro perdido. Eu preciso de paz, eu preciso de liberdade. Chegar em casa à noite depois de ter atolado a cabeça e a minha inteira concentração no trabalho. Ir dormir só querendo saber quantas horas eu tenho de sono e não o que você anda fazendo por aí. Atender o telefone sem a mínima vontade, sem pensar que seja você. Passar todos os domingos assistindo televisão, vestida no meu pijama e com um nó em meu cabelo sem esperar, quem sabe, que você apareça.
O tempo vai passando, depressa demais sob minha percepção. A verdade é que eu o deixo passar, assim, quem sabe passe logo, não é mesmo!?
E então, nos transformamos, você em óleo e eu em água, dois compostos distintos dentro de um mesmo recipiente, mas não juntos.
Hoje eu perco o meu tempo pensando, todas as noites pra ser mais sincera, e me dói. Posso não ter sido o melhor, até mesmo para mim. Aaah, mas eu fui muitas outras coisas mais, eu fui o mais amável que alguém poderia ter sido, eu fui compreensível muito além dos limites da compreensão, eu fui misteriosa e decifrável ao mesmo tempo. Sim, eu fui... Eu fui por você, por mim, por acreditar que poderia tentar fazer com que o seu trem andasse em meus trilhos, que alguma coisa desse certo, além dos meus medos, minhas cicatrizes, meus pesares.
Aqui é onde o amor, amor não, melhor dizer 'aquilo' acaba.
Eu cheguei ao um ponto em que eu deveria deixar você, escolha única, faca de um só gume.
É, parece que chegou mesmo ao fim, inevitável. Se soubesse que não adiantariam minhas artimanhas eu teria logo que pude partido de uma vez esse fio que nos liga, quem sabe assim o futuro nos desse uma chance, outra chance.
Será que no fim do dia quando se deita você sente sua barriga doer como eu sinto a minha? Empurrar com a barriga é ridículo.
Mas eu já parei de sonhar pra fora a muito tempo, tudo bem que eu ainda tenho insônia pensando nesse 'nós fictício', mas é comigo, pra dentro como eu custumo falar, e eu me responsabilizo depois.
Suas limitações até que são compreensiveis para alguém como eu, mas eu não posso e não me permitirei ser compreensível o tempo inteiro. Não é em você que dói, é em mim e não é por você é por mim.
Eu posso até balançar a cabeça enquanto você fala, mas no fundo eu estou discordando de tudo o que você diz.
Não faz o meu gênero entrar em conflitos, ainda mais por motivos banais. Não quero mudar a sua opinião, ela é sua e não minha!
Eu não consigo entender o porquê. Ou talvez não haja respostas. O tempo às vezes me cansa. Ou talvez não seja a hora.
Sabe todo aquele amor que eu te dei? Todas aquelas palavras doces que eu te disse? Os planos que eu fazia pra nós dois? Enfia no cú. Cansei de você.
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