O Homem que Nao se Contenta com pouco
"Não se deixem enganar: As más companhias corrompem os bons costumes."
1 Coríntios 15:33
"Diga-me com quem TU ANDAS, e eu te direi quem TU ÉS." Cuidado com quem tu andas, não prefiras ter muitos amigos na vida, que são más companhias. Melhor andares sozinho do que com falsos amigos!
"O viciado em drogas sabe que o vício destrói o cérebro.
Mas quem te disse que não é exatamente isso que ele quer? Nem todo vício nasce da ignorância, às vezes, nasce de uma dor tão grande que a pessoa prefere se apagar aos poucos. Quando você apenas aponta o dedo, não cura. Só acelera o processo de destruição.
Seja cristão, não apenas mais um crente que usa a religião para atacar. Cristianismo é compaixão, não acusação. A dor que leva alguém à autodestruição sempre grita mais alto do que o pecado que todos enxergam, daí nasce o desejo de se anestesiar."
Atende a lição da vida, presta atenção:
Se amor, carinho, respeito e igualdade
Não bastam pra quem dorme ao teu lado,
Então não é amor — é vaidade.
Não implora presença,
Nem mendiga afeto frio.
Quem te ama não negocia
O básico do sentir.
A vida é curta demais pra esperar migalha,
Pra viver calado num coração vazio.
Se não existe reciprocidade,
Não existe nós — só desvio.
Antes de virar ausência em casa cheia,
Antes de morrer aos poucos por alguém,
Tenha coragem, bata o pé,
E escolha você também.
A festa é desse egoísmo, mulher,
Vá viver a tua vida.
Mesmo que seja só,
Seja feliz contigo.
Não carrega quem não te carrega,
Não insiste onde não há abrigo.
Amor não prende, não pesa,
Amor soma — não castigo.
Amar é encontro, não disputa.
É paz, não ferida aberta.
Se não é pra ser inteiro,
Que seja livre — e de porta aberta.
Deixo como legado à humanidade não riquezas perecíveis nem glórias efêmeras, mas um espólio moral forjado na integridade. Entrego ao tempo a ética como bússola, o comprometimento social como dever e a honradez como forma de existência. São princípios e valores que elevei à condição de bens sagrados, inegociáveis e fora do comércio dos homens. Não se curvam ao poder, não se rendem ao medo, não se vendem à conveniência. Que permaneçam como testemunho de que viver com dignidade é, em si, um ato de resistência e de eternidade.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
Meu e seu.
Sem plateia, sem testemunha, sem tradução.
O que escrevemos aqui não pertence ao tempo,
nem ao olhar de ninguém —
é só a marca do que foi sentido na carne,
na calma dele e na minha intensidade.
Eternizei porque doeu bonito,
porque curou devagar,
porque amou sem pedir licença.
Este registro não é público:
é relicário.
Se um dia o mundo for barulho,
que estas páginas sejam refúgio.
Meu e seu.
Para sempre no que não precisa ser dito,
mas só reconhecido.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Na distância, teu nome arde em mim,
como chama que não se apaga.
Tentei vestir a razão, mas ela se rasgou
diante do toque invisível da tua ausência.
A saudade não pede licença,
ela invade, domina, me consome.
E cada lembrança tua é um beijo suspenso,
um abraço que nunca se desfaz.
Se o tempo insiste em separar,
meu coração insiste em te buscar.
Pois amar é este eterno retorno,
mesmo quando o corpo não pode estar.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Ser à prova de balas não é vestir ferro, é carregar no peito um coração que sangra e ainda pulsa. É chorar em silêncio e, mesmo assim, amanhecer. É ser ferido pelo mundo, mas não se deixar despedaçar.
A solidão pode ser um deserto, mas até no deserto há estrelas que brilham. E cada lágrima que cai é um rio secreto, que escava dentro de nós a coragem de continuar.
À prova de balas é ser humano em sua forma mais pura: errar, perder, sentir, e ainda assim resistir. Não para salvar o mundo inteiro, mas para salvar o próprio fogo que insiste em arder.
Porque vencer o mundo não é derrotá-lo, é aprender a dançar com suas tempestades, e transformar cada cicatriz em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A dor é um idioma secreto, falado apenas dentro de nós. Não há tradução perfeita, não há ponte que permita ao outro atravessar e sentir exatamente o que sentimos. Ela é chama e sombra, é ferida e revelação. Surge como um sussurro no corpo, mas logo se torna grito na alma.
A ciência nos diz que a dor é um sinal, um circuito elétrico que percorre nervos e chega ao cérebro. Mas o que ela não explica é o silêncio que se instala depois, o vazio que se abre quando o sofrimento nos obriga a olhar para dentro. A dor não é apenas descarga neural: é memória, é emoção, é história.
E a filosofia nos lembra que a dor é inevitável, que ela nos acompanha como sombra fiel. Schopenhauer a via como essência da vida, Nietzsche como força que nos molda, Frankl como oportunidade de sentido. A dor é o peso que nos curva, mas também a pedra que afia nossa resistência.
No íntimo, a dor é paradoxal: ela nos isola, porque ninguém pode senti-la por nós, mas também nos aproxima, porque todos, em algum momento, conhecem sua presença. É universal e singular ao mesmo tempo.
E talvez seja justamente aí que reside sua intensidade: na impossibilidade de ser medida, comparada ou negada. A dor é verdade absoluta, uma chama que arde em cada ser humano de forma única. E, ao atravessá-la, descobrimos que não somos apenas frágeis — somos também capazes de transformar sofrimento em força, ausência em busca, ferida em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A dor é o fio invisível que costura a condição humana. Não escolhemos senti-la, mas ela nos escolhe, como se fosse uma visita inevitável que atravessa o corpo e se instala na alma. É mais do que um sinal de nervos e tecidos — é a lembrança de que somos frágeis, mortais, expostos ao mundo.
Só quem abandona o trono de areia descobre que a verdadeira grandeza não está em ser servido, mas em servir, não está em negar o outro, mas em se tornar ponte, rio, abraço.
Tatianne Ernesto S. Passaes
O tempo é sábio, e ensina que crescer não é somar anos, é aprender a suportar o silêncio, a ouvir o que fere, a aceitar que o sol nasce para todos.
O adulto que não aprendeu a ser inteiro carrega dentro de si uma criança órfã, que grita por atenção, que se recusa a dividir o brinquedo da vida, que congela o gesto de dar como se o mundo fosse apenas seu reflexo.
O maior desafio é admitir que não é o mundo que nos inferioriza, mas nós mesmos que nos recusamos a enxergar nossas limitações.
O amor que se torna amizade é uma travessia silenciosa, mas carregada de eternidade. Ele não se apaga, não se dissolve no esquecimento, mas se reinventa em outra forma de presença. No início, o amor é vertigem: é o encontro que acelera o coração, a urgência de estar junto, o desejo que não conhece limites. É chama que consome, é tempestade que arrasta, é promessa de infinitude. Mas o tempo, com sua sabedoria paciente, mostra que nem sempre a intensidade pode ser sustentada. O que permanece, então, é a essência — e essa essência, quando verdadeira, se transmuta em amizade.
Essa metamorfose não é perda, mas conquista. O que era paixão se torna confiança; o que era desejo se torna cuidado; o que era promessa se torna memória viva. A amizade que nasce do amor carrega uma densidade única, porque conhece os segredos, os silêncios, os abismos e as alturas. É uma amizade que não se constrói apenas no cotidiano, mas que guarda em si a lembrança de um encontro que já foi maior do que a vida.
Há uma filosofia profunda nesse processo: compreender que os vínculos humanos não precisam se romper para mudar. O amor não desaparece, apenas muda de forma, como a água que deixa de ser rio para repousar como lago. Continua a ser água, continua a ser essência, mas agora habita outra paisagem. Já não corre com velocidade, mas reflete o céu com serenidade. É permanência, é horizonte, é eternidade.
E há também uma poesia nessa transição. Amar e depois ser amigo é reconhecer que a intensidade não é a única medida da verdade. É perceber que o amor não precisa sempre arder para existir — às vezes, basta iluminar. E nessa luz tranquila, descobrimos que o amor, mesmo quando deixa de ser paixão, continua a ser presença. Ele se torna companheirismo, cuidado, memória viva. Ele se torna amizade.
No fundo, o amor que se torna amizade é uma vitória contra o esquecimento. Ele prova que os encontros autênticos não se desfazem: apenas se reinventam. E nessa reinvenção, descobrimos que o amor, mesmo quando deixa de ser chama, continua a ser calor. Não como incêndio que consome, mas como brasa que sustenta. Não como tempestade que assusta, mas como horizonte que acolhe.
Assim, o amor que se torna amizade é mais do que uma transformação: é um testemunho de que nada do que é verdadeiro se perde. Apenas se transforma. E nessa transformação, encontramos talvez a forma mais pura de eternidade: quando o amor escolhe sobreviver em outra forma, não como paixão que devora, mas como amizade que permanece.
