O Homem que Nao se Contenta com pouco
O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue.
Câncer. O signo intenso.
Intensidade não é emoção, não é aquele "rápido demais".
Intensidade é o sentir demais, deixar-se levar cada vez mais se corrompendo com o que um dia acreditou que podia sim ser seu, para no final, descobrir que nunca foi e não poderá ser.
Câncer não disfarça, ele guarda. Às vezes, lembra de um lugar que o fez sentir algo forte, ou de uma pessoa que fez seu coração descompassar com poucas palavras. Nada disso é emoção, é sentimento.
Câncer carrega um peso em si, guarda coisas que não devia. Amores antigos, falsos sentimentos, falsa promessas, palavras vazias e as vezes até mesmo arquiteta um lugar que nunca existiu para chamar de "lar". As vezes idealiza aquilo como se fosse dele, até descobrir que não é.
Sabe? Nem sempre um canceriano é dramático ou intenso. Sempre tem um que é diferente, mas mesmo assim, sua expressão não mente.
Enfim, câncer sempre vive em prol a outra pessoa, já dizia capital inicial.
"Naquele amor, à sua maneira. Perdendo meu tempo, a noite inteira!"
Bom, só sei que, canceriano vive, sobrevive e se duvidar até revive quando ama alguém. Mas não é assim quando desistem.
Em um momento, ele pode ser grudento, amoroso, afetuoso e cuidadoso. Mas quando desapega, ele se torna impassível, distante, arrogante, ignorante e intolerante.
Eu não perdi a fé.
Eu perdi a paciência com sistemas que exigem que eu me diminua para existir.
Durante muito tempo achei que meu conflito era espiritual. Depois entendi que era ético. E, mais tarde, estrutural. Meu problema nunca foi Jesus — foi o que fizeram dele.
Eu não consigo aceitar um cristianismo que transforma sofrimento em virtude, culpa em pedagogia e obediência em salvação. Não consigo entrar numa igreja e ver um corpo torturado pendurado na cruz como se aquilo fosse a imagem máxima do amor. Já sofri o suficiente. Não preciso venerar dor para aprender nada sobre a vida.
Vejo Jesus como um homem ético, valoroso, radical na sua forma de existir. Mas não sei — e talvez nunca saibamos — quem ele foi de fato. O que temos são textos escritos décadas depois, atravessados por interesses, disputas e necessidades teológicas. A Bíblia não é mentira; é parcial. E toda leitura honesta começa reconhecendo isso.
Questiono os milagres, a ressurreição, a ideia de “filho único de Deus”. Se todos não somos filhos, então a ética já nasce hierárquica. E eu desconfio profundamente de hierarquias — sobretudo das que se dizem sagradas.
A lógica do sacrifício me repugna. A ideia de que alguém precisava morrer para redimir outros normaliza a violência e santifica o sofrimento. Quando sofrer vira caminho espiritual, alguém sempre lucra com a dor alheia. Historicamente, isso custou vidas demais: santos, hereges, mulheres, povos inteiros queimados em nome de uma verdade absoluta.
Se o cristianismo não tivesse virado instituição, talvez menos gente tivesse morrido. O problema não foi a fé — foi a certeza organizada, a moral transformada em poder, a ética convertida em doutrina obrigatória. Quando Paulo transforma um modo de vida em sistema universal, nasce também a infraestrutura do controle.
Eu vivi isso de perto. Participei de um grupo espiritual hierárquico, cheio de regras morais e títulos vazios. Vi pessoas competentes serem diminuídas enquanto figuras no topo eram blindadas. Vi pequenos comportamentos virarem pecado enquanto desvios financeiros eram espiritualizados. Vi exploração financeira travestida de ritual. E quando eu consegui nomear isso — exploração — acabou. Não dá para desver.
Aprendi que, em sistemas assim, o valor não vem do que você é, mas do quanto você se submete. Não se mede ética; mede-se adesão. E quando o sagrado começa a exigir dinheiro, silêncio e obediência como prova de elevação, ele já virou negócio.
Também não suporto o cristianismo do grito, do espetáculo emocional, do testemunho que transforma Deus em corretor imobiliário. “Rezei e ganhei um carro”, “orei e recebi uma casa”. Esse Deus é milionário — e seletivo. Para uns, bens. Para outros, silêncio. Para muitos, culpa.
Minha ética não suporta isso. Não acredito num Deus que recompensa privilégio e chama exclusão de mistério. Não acredito em perdão obrigatório que protege canalhas e regula quem já foi ferido demais. Perdão sem responsabilização não é virtude; é licença.
Hoje eu sei: pensar assim tem custo. Perdi pertencimentos. Fiquei fora. Virei a pessoa que observa em vez de ajoelhar. Mas não perdi a mim mesma. Aprendi a impor limites, a dizer “isso não diz nada para mim”, a não desaparecer para manter harmonia.
Se isso me coloca fora do cristianismo tradicional, que seja. Prefiro uma ética sem joelho no chão a uma fé que exige autoapagamento. Prefiro não saber certezas confortáveis a aceitar mentiras que me adoecem.
Não escrevo para convencer.
Escrevo para não me trair.
Se existe alguma espiritualidade possível para mim, ela não passa pela sacralização da dor, nem pela hierarquia, nem pelo medo. Passa pela dignidade. E isso, eu não negocio.
A fé em Cristo não apaga as lágrimas do caminho, mas as transforma em sementes de propósito; não silencia a tempestade, mas sussurra sentido ao vento que agita nossa alma. Mesmo nos dias cinzentos, quando a dor insiste em permanecer, há uma luz que não se apaga: a certeza de que nenhum sofrimento é desperdiçado nas mãos dAquele que faz todas as coisas cooperarem para o bem. Até as noites mais longas carregam em si o propósito da aurora.
A riqueza trilionária segundo Deus não é ilusão, é resultado de fé, trabalho, obediência e da mão do Senhor agindo no tempo certo.
Mesmo na noite mais escura, Deus permanece no alto, com os braços abertos.
Sua luz não falha, não se apaga e alcança até os lugares onde a esperança parece distante.
Ele vigia, protege e guia cada passo, lembrando-nos de que nunca estamos sozinhos.
Quando tudo silencia, a fé continua falando.
Porque a luz que vem do céu sempre vence a escuridão.
Quem escolhe depender de Deus aprende que a verdadeira riqueza trilionária não é apenas possuir bens, mas viver em paz, sabedoria e abundância que glorifica o nome do Senhor.
Deus não precisa de atalhos para enriquecer alguém, Ele usa o tempo certo, o caráter moldado e a fé perseverante para construir uma prosperidade sólida e duradoura.
Apenas quem carece de consciência social sustenta um veículo barulhento, por não respeitar o valor do silêncio em uma sociedade desenvolvida.
O maior concorrente
Tem coisa que não se disputa.
Não se rouba, não se toma, não se arranca à força.
O que é seu ninguém tira — porque não veio de fora, nasceu dentro.
O maior concorrente da sua vida nunca foi alguém melhor, mais forte ou mais preparado.
Sempre foi você mesmo.
Seus medos disfarçados de prudência.
Seus anseios travestidos de urgência.
Sua mente criando cenários que nunca existiram.
E, às vezes, a covardia silenciosa de duvidar da própria capacidade.
Se você não tentar, nunca vai descobrir do que é capaz.
Vai ficar refém das suposições, dos “talvez”, dos “e se”.
E a dúvida, quase sempre, pesa mais que o fracasso.
Se você não errar, não aprende.
Porque o erro não é o fim do caminho — é o mapa dizendo por onde não seguir.
Ele ensina, ajusta, amadurece.
Só não ensina quem desiste cedo demais.
Thomas Edison entendeu isso como poucos.
Foram inúmeras tentativas até a lâmpada funcionar.
Quando perguntaram a ele sobre tantos “fracassos”, a resposta foi simples e definitiva:
ele não falhou.
Apenas descobriu muitas maneiras que não funcionavam.
Enquanto muitos param na primeira frustração, outros transformam o erro em aprendizado.
Porque o sucesso não é ausência de falhas,
é persistência apesar delas.
Curioso é perceber que, muitas vezes, existem pessoas que acreditam mais na sua capacidade do que você mesmo.
Elas enxergam força onde você vê cansaço.
Veem talento onde você só enxerga falha.
Veem futuro enquanto você ainda está preso ao passado.
A vida não exige perfeição.
Exige coragem.
Coragem para tentar mesmo com medo.
Para errar e continuar.
Para acreditar quando a dúvida grita.
O que é seu já está a caminho.
Mas ele só encontra quem decide, todos os dias,
não desistir de si mesmo.
Falas Que Ferem
Falo de Deus mas não sou santo
Falo de bondade mas não sou perfeito
Falo de beleza mas sou todo sem jeito
Sou falado e sofro preconceito.
A fala ultrapassa limites
Os quais servem de proteção
Mas acabam nessa precarização
Pelo desejo de ser superior
Dos outros destrói o interior
Sem nem pensar no alheio
Fala tudo sem freio
E fere o sentimento
Faz o outro viver no tormento
De se achar a escória
Somente pelas estórias
De quem aponta o dedo.
Parece que tudo o que eu disse parecia não ter importância, por isso rasguei aquela carta. Eu prefiro acreditar que não deu mínima para o que estava escrito lá.
Olá, querido Deus, saudades! Eu sei que estou distante e não tenho cumprido meus propósitos. Nunca mais te escrevi, mas algo me afasta do meu caminho. Às vezes penso que não faz tanto sentido estar aqui, mas sei que tudo tem um motivo. Às vezes sinto saudades de mim e às vezes sinto saudades de você.
25/10/2025
A gente tem medo: medo da vida, medo de nada dar certo, medo do que nos espera, medo de não ser suficiente para nós, medo de não nos encontrar. Em alguns momentos da vida, enfrentamos diversos tipos de medo.
Um dia perfeito
Hoje é um dia perfeito.
As funerárias estão vazias, quase esquecidas. Não há velórios para organizar nem despedidas para ensaiar. Ninguém morreu hoje. Não houve acidentes fatais, nem tiros encontrando pais de família no caminho de casa. O bandido não matou. O marido não feriu, não agrediu, não matou a própria esposa. Hoje, nenhuma mulher precisou temer dentro do lugar que deveria ser abrigo.
Os hospitais, acostumados ao excesso de dor, estão estranhamente calmos. Leitos vazios, corredores silenciosos, plantões que não correm. Não há filas, não há sofrimento esperando prioridade. Médicos e enfermeiros, desacostumados da paz, redescobrem o peso leve de um sorriso.
Mas, nas maternidades, é diferente.
Ali, a vida faz barulho. Há choro que anuncia começo, não fim. Mulheres que um dia ouviram que não poderiam engravidar agora seguram nos braços a resposta mais bonita que o corpo pode dar. O dia chegou. O filho chegou. O sonho também.
Hoje, ninguém passa fome.
A comida chega a todas as mesas. Talvez não seja banquete aos olhos de quem sempre teve fartura, mas, para quem já teve nada, aquele prato simples vale mais que festa. É o almoço dos sonhos. É dignidade servida quente.
Hoje, não há pessoas em situação de rua.
Não há corpos esquecidos nas calçadas.
Todos têm um lar, um endereço, um lugar onde descansar o corpo e a alma. Todos têm trabalho, o que comer, o que vestir. Vivem, finalmente, com dignidade.
Hoje, o mundo decidiu não machucar ninguém.
E talvez isso seja o mais assustador: perceber que esse dia perfeito não exigiu milagres, apenas escolhas. Não precisou de tecnologia nova nem de discursos bonitos. Precisou apenas de humanidade em prática.
Mas então o despertador tocou.
Acordei.
As funerárias voltaram a funcionar.
Os hospitais encheram outra vez.
A violência retomou seu turno sem atraso.
Tudo aquilo não passou de um sonho breve, desses que parecem possíveis demais para serem verdade. Ao abrir os olhos, vi que o mundo seguia fiel a si mesmo: o que não era para ser normal continuava normal.
A morte voltou a trabalhar.
A fome voltou a rondar.
A injustiça não perdeu o endereço.
Ainda assim, algo do sonho ficou.
Porque talvez o dia perfeito não precise começar no mundo. Talvez ele comece dentro de você. Se o mundo insiste em ser duro, ser melhor já é um ato de rebeldia. E, se houver a chance de ser gentil, exagere. Exagere mesmo. Sem cálculo, sem economia.
Talvez eu não consiga salvar o dia inteiro.
Mas posso salvar um gesto.
Uma palavra.
Um instante.
O mundo não mudou quando acordei.
Mas eu posso mudar antes de dormir.
